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Bolsonaro, o filho bastardo de Roberto Marinho

Por Miguel do Rosário

31 de julho de 2018 : 10h33

Em determinado momento da entrevista no Roda Viva, Bolsonaro diz que gostaria de aproveitar a presença dos jornalistas da Globo presentes e lembrá-los de um editorial de Roberto Marinho, de outubro de 1984, exaltando a ditadura militar.

O grupo Globo escalou dois de seus melhores jornalistas para a entrevista: Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor, e Bernardo Mello Franco, do Jornal O Globo.

Em seguida, Bolsonaro lembra que a TV Globo foi fundada em 1965, um ano após o início da ditadura.

As observações de Bolsonaro são um tributo ao grande responsável pelo prestígio do candidato: a Globo e seu fundador, Roberto Marinho.

A Globo – e o conjunto de órgãos de imprensa que giram a seu redor – é mãe e pai de Bolsonaro.

Os clichês repetidos pelo candidato, em especial as acusações vulgares ao PT, foram cultivados ao longo dos anos pela grande imprensa.

Ele consegue fugir de qualquer questão difícil apelando para expressões como “mensalão”, “petrolão”, “BNDES”, citando falas de Joaquim Barbosa…

A decisão de escalar apenas jornalistas profissionais, além disso, não parece ter sido feliz. Faltou um negro, uma feminista e um LGBT para enfrentar um candidato racista, machista e homofóbico.

A entrevista de Jair Bolsonaro para o Roda Viva de ontem à noite deveria acender todos os alarmes vermelhos do campo democrático.

A possibilidade de Bolsonaro vencer as eleições, que é real, pois ele lidera as pesquisas em cenários sem Lula (e Lula não será candidato), faz as diferenças do campo democrático parecerem fúteis.

Bolsonaro deixou claro que só aceita a vitória. Assim como Trump, ele já tem o discurso pronto no caso de derrota: fraude. Diante de uma militância conservadora cada vez mais violenta e fanatizada, o discurso de Bolsonaro antecipa que viveremos problemas mesmo com o candidato perdendo.

Quem achava que a grande imprensa iria “jantar” o capitão, com perguntas capciosas que o levariam ao ridículo, enganou-se redondamente.

Quer dizer, os jornalistas talvez até tenham se esforçado para jogar duro com o candidato, mas comportaram-se como se estivessem intimidados. Demonstraram insegurança, a meu ver.

Bolsonaro estava à vontade porque parece ter entendido que a grande imprensa apenas pode atacá-lo por causa de sua opinião contra a ditadura. Ele não tem preocupação em elaborar questões sobre educação, saúde, economia. Para tudo, respondeu que o problema é “corrupção”, e que bastaria impor um regime “liberal”, como se o governo Temer não fosse exatamente isso. Aliás, como se o regime econômico brasileiro, desde muito tempo, não fosse fortemente liberal, inclusive durante os governos Lula/Dilma, que apenas tentaram atenuar os efeitos deletérios desse liberalismo econômico através da introdução de programas sociais, investimentos em infra-estrutura e políticas de valorização do salário.

Os jornalistas da grande mídia não tem “lugar de fala” absolutamente nenhum para confrontar a visão de Bolsonaro sobre a ditadura militar.

Eles não podem denunciar, por exemplo, a concentração da mídia, iniciada na ditadura, com a perseguição a todos os órgãos de imprensa que não rezassem a cartilha do regime.

Não podem criticar a autocensura praticada pela imprensa chapa-branca durante a ditadura, essencial para a consolidação dos grandes esquemas de corrupção da época.

Não podem denunciar o movimento avassalador de achatamento do salário mínimo e de concentração de renda, as características mais terríveis do regime, que nos transformou no país com pior distribuição de renda do mundo.

http://qga.com.br/economia/2016/12/o-mito-do-milagre-economico-da-ditadura-militar

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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18 comentários

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marcos

08 de outubro de 2020 às 14h22

Agora entendo que qualquer pessoa possa se intitular jornalista, nunca li tanta besteira em um comentário! Abra os olhos presado , pois o que você defende é escroto é nojento! Você perdeu uma ótima oportunidade para que os leitores tirassem algo de que positivo, mas vomitou ideias de esquerda que já não tem mais fundamentos!

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Eduardo Vieira

04 de agosto de 2018 às 20h08

Boa noite. Site de baixo nível. Entrei aqui por engano. E ainda fazem campanha para um presidiário. Quem defende bandido e ladrão é cúmplice.

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Claudio Souza

04 de agosto de 2018 às 03h33

Entrei neste site achando que fosse um site profissional com jornalistas inteligentes e me deparo com um blog escrito por blogueiros de quinta categoria.

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Ulysses

01 de agosto de 2018 às 10h57

Se o PT não se entregar a Ciro, já era! Bolsonaro não perde muitos votos, e os indecisos estão insatisfeitos, tendem a votar em quem representa ne anticorrupção. Lula vai mofar na cadeia, tem que ser Ciro. O alkimin está queimado!

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Paulo André

31 de julho de 2018 às 16h39

Suas afirmações no roda viva, apenas confirmaram que ele é um Bolsotário!!!!!!

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Lucas Almeida

31 de julho de 2018 às 16h21

Miguel, volto a repetir: que falta fazer com Bolsonaro é alia-lo ao temer ao qual é intrinsecamente ligado. Qualquer pesquisa coloca a população (infelizmente) dividida quanto a homofobia, machismo e racismo (esse um pouco menos mas disfarçado). Com relacao a temer não há discussao: Bolsonaro ajudou a colocá-lo lá, ajudou a aprovar seus projetos e está num partido que votou 100% a favor dele para não ser investigado. Essee roda viva mostrou a incompetência dos jornalista que nitidamente queriam ataca-lo para valorizar o Alckmin mas não souberam como fazê-lo. Nao souberam ou, como você bem o disse, não podem já que a grande mídia defende o vampiro também.

É tarefa da esquerda evitar a eleger o Bolsonaro mas não vai conseguir fazer se insistir nos temas em que ele justamente adquiriu o eleitorado. Tem que atacar nos temas que ele é nocivo ao povo E O POVO PERCEBE. Nesses assuntos ele se esconde brilhantemente.

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JOÃO BATISTA

31 de julho de 2018 às 16h11

Em 1989, se o pt seguisse o que entende que os demais candidatos progressistas deveriam fazer em 2018, pt e Lula teriam apoiado Brizola.
O pt não apoia, só quer apoio. Acha que todos são iguais a Eunicio, Renan, Jucá, Maluf, Sarney, Temer, Barbalho, Padilha, Moreira, Geddel, Valdemar, Roberto Jefferson, além de outros notórios e notáveis frequentadores das páginas policiais.

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Jonathan Hess

31 de julho de 2018 às 15h10

A estratégia do PT é suicida, simples assim. É melhor Jair se acostumando. O Ciro, que é o único candidato viável e que não tem interesse em caçar comunistas não tem como tomar os votos da direita porque o eleitorado está truncado. A solução mais óbvia e simples seria o PT apoiar o Ciro… mas o medo do cara ser melhor ainda que o PT (o que será) e fazer o povo esquecer do Lula não os deixa ser inteligentes.

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    J Fernando

    31 de julho de 2018 às 15h46

    Aparentemente, todo eleitor do Ciro acredita nisso.
    O eleitor do PT não tem opinião, nem vontade, nem deve acompanhar as decisões do partido. De acordo com os eleitores do Ciro, eles devem apoiar imediatamente Ciro Gomes, sob pena de entregar o governo para Bolsonaro ou Alckmin.
    Acredite: nem todos que apoiam Lula vão apoiar o candidato que ele indicar. Vão analisar primeiro. Vão verificar se Ciro é realmente uma boa opção. Não esqueça que outros candidatos indicados por Lula para governos estaduais e prefeitos perderam. Ciro pode ser uma boa aposta, mas não é garantia de vitória coisa nenhuma.

    Responder

Luis Castro

31 de julho de 2018 às 13h52

Bolsonaro se saiu bem no Roda Viva porque os jornalistas presentes tinham culpa no cartório, ou seja, os patrões deles apoiaram a ditadura militar. Numa roda sem representantes do contraditório ao pensamento do milico fascista, Boçalnato deitou e rolou na cara dos sabujos da midia golpista

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NeoTupi

31 de julho de 2018 às 12h54

Pelo que vi nas redes sociais Bolsonaro cometeu um grande erro ao desdenhar mais uma vez do eleitorado negro. Foi muito inábil politicamente ao criticar cotas, soltando frases como “nunca tive escravo” para negar que haveria reparações históricas, e ainda colocando culpa nos negros pela escravidão com um argumento tosco e ignorante: “portugueses nem pisaram na África”, para deleite dos historiadores que não gostam do capitão e constrangimento dos que estão com ele.
Neste segmento do eleitorado negro ele perdeu votos.
O Roda Viva é da TV Cultura, feudo de Alckmin, que deseja desconstruir Bolsonaro para herdar parte de seus votos de direita. As perguntas sobre ditadura não ajudaram Bolsonaro. Não tira votos do eleitor decidido dele, mas faz contenção de seus votos e o enfraquece entre os simpatizantes na centro-direita com bons modos. O discurso de Bolsonaro ficou preso ao passado sem mirar o futuro. Passa a imagem de um candidato do desagravo à ditadura e não alguém capaz de enfrentar e resolver os graves problemas nacionais.
A imprensa alckmista (veja, folha, globo, etc) está cuidando de enfatizar os piores momentos na repercussão da entrevista, como sempre fez com adversários de esquerda.

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Nostradamus ( Consultores políticos & posicológicos )

31 de julho de 2018 às 11h26

O que anda exagerado é o medo de Bolsonaro, a culpabilização do PT e do Lula por causa de estratégia, façam o favor, respeito é bonito. Lula livre ou seu candidato levará já no primeiro turno. E é possível que o segundo colocado seja a alquimia da direita. Não porque o Ciro não seja melhor. O Bolsonaro não vai ser o segundo colocado. O povo tem que ver bater nos vampiros! Se o Ciro fizer isso e deixar o Lula seguir sua vida poderá ir ao segundo lugar.

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Marcelo

31 de julho de 2018 às 10h42

Ótima análise, Miguel, concordo com cada argumento e até com as justas críticas a Lula e Dilma. Estava sentindo falta de seus textos descontaminados por um cirismo fanático que o fazia umpurrar Ciro em tudo quanto é texto.

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    Miguel do Rosário

    31 de julho de 2018 às 10h56

    Obrigado, Marcelo. Mas não sei se foi um elogio rs. É um pouco difícil falar de eleições presidenciais sem falar em seus candidatos. E hoje as únicas maneiras de derrotar a direita (alckmin ou bolsonaro) é com um candidato do PT ou com Ciro. Como o PT não tem candidato (já que Lula não será), então eu acabo falando mais no Ciro. Mas tento sempre equilibrar o blog com menções e análises sobre os diferentes candidatos progressistas. Não acho que tenha escrito qualquer texto contaminado por “cirismo fanático”, mas acho que sim, rola um certo “anticirismo” exagerado entre os leitores petistas.

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      João Ferreira Bastos

      31 de julho de 2018 às 11h16

      O problema não sou eu. São os outros.

      Miguel, Miguel

      A estrategia do PT está corretíssima, esticar a corda até onde não puder mais desnudando o golpe e os golpistas enrustidos no judiciário

      dia 05 o PT divulga quem será o Vice, dai é trabalhar para eleger o / a vice no primeiro turno.

      Havendo segundo turno, não acredito que o asno terrrorista esteja nele

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        CezarR

        31 de julho de 2018 às 11h47

        “Desnudar o golpe”! Lindo, mas os 13 milhões de desempregados estão com outra preocupação no momento. O PT se quer se lançar a vera, tem que dizer o que vai fazer para reverter essa calamidade.

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          João Ferreira Bastos

          31 de julho de 2018 às 15h04

          A grande maioria destes 13 milhões ( e seus familiares ) agora sabem exatamente quem é que tem as condições para voltar a dar empregos para eles

          Alguns anos tínhamos, garças ao LULA, pleno emprego.

          Estão aprendendo na marra

      Rafael

      31 de julho de 2018 às 13h31

      Você vê alguma chance do PT apoiar Boulos, Miguel, contrariando qualquer expectativa?

      Responder

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