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Charge Vitor Teixeira

Bom lucro da Petrobrás é fruto da luta dos petroleiros

Por Tadeu Porto

04 de agosto de 2018 : 17h14

Eu sei que é um pouco complicado trazer destaque para a luta da sua própria categoria (no meu caso a petroleira) afinal pode soar um pouco como soberba e autopromoção. Contudo, há coisas que acontecem no dia a dia dos enfrentamentos que nos fazem encarar o desafio de tentar destacar as boas consequências de se resistir nesse cenário tão adverso.

É o caso, por exemplo, da relação entre a luta dos petroleiros e petroleiras com o lucro que a empresa apresentou no segundo semestre deste ano: o bom resultado de R$ 10 bilhões, o mais alto desde 2011.

Objetivamente, a pauta de luta da categoria no que diz respeito às refinarias ganhou a disputa política e, quando foi implementada, mudou consideravelmente o lucro da companhia (para melhor).

Um texto do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis José Eduardo Dutra para a Carta Capital apresenta, com os próprios números do balanço da Petrobrás, a prova de que essa nova política de refino representou um acréscimo no lucro da companhia:

Apesar do impacto positivo da exploração, sem dúvida a mudança mais abrupta dos resultados deste trimestre ocorreu no abastecimento, onde os lucros cresceram 72% em relação ao trimestre anterior (2,2 bilhões de reais a mais), e são resultados de uma mudança na estratégia do refino.

Ou seja, a Petrobrás reverteu a política que vinha aplicando, de ociosidade na produção de suas refinarias, e o resultado foi um aumento considerável no seu lucro.

E com certa tranquilidade os petroleiros e petroleiras podem dizer que tal fato é consequência da luta da categoria.

Por exemplo, em junho do ano passado, a categoria petroleira realizou uma greve por tempo indeterminado contra a baixa carga das refinarias.

Essa reivindicação continuou – concomitante à luta contra o Golpe e pela democracia – e atingiu o ápice na greve dos petroleiros de 72H, aquela que gerou a maior atitude antissindical do Estado dos últimos anos, que também teve como eixo a volta da capacidade das refinarias.

Por fim, veio a derrubada de Pedro Parente, conquista da greve petroleira e da mobilização popular ocasionada pelo movimento dos caminhoneiros.

Como consequência, a Petrobrás  voltou a retomar o protagonismo no refino dos combustíveis nacionais e a importar mais derivados (tirando a importação das empresas privadas) e aumentando sua fatia no mercado nacional. A nota destaca:

Segundo, notou-se um forte crescimento das importações de derivados (97%), o que significa que a Petrobras tem buscado reassumir o controle da distribuição de derivados no mercado interno, deslocando as importadoras.

Como efeito dessas duas medidas, o volume de vendas cresceu 9% (subiu de 1.648 para 1.791 mil barris/dia), ampliando tanto o market share quanto a margem da companhia no abastecimento.

Resumo: a categoria petroleira escolheu uma pauta, foi a luta por ela, conseguiu uma aplicação parcial da mesma e o resultado é o engrandecimento da empresa, tal como foi pensado na construção da luta.

Numa visão mais geral, podemos dizer que trabalhadores e trabalhadoras podem, sim, discutir os rumos das empresas onde trabalham com a mesma propriedade que a os “donos” do negócio.

Um fato que parecia distante, tão quanto a de um operário virar o melhor Presidente da República.

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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6 comentários

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João Gabriel

07 de agosto de 2018 às 09h00

Putz… Que dó. Um texto completamente sem noção.
Pra evitar a desinformação, os motivos pro crescimento foram:
**aumento do preço do barril de petróleo;
**desvalorização do real;
**crescimento das vendas de combustíveis no mercado interno;
**aumento da participação no mercado do diesel;
**aumento da participação da gasolina no mercado interno;

Bom, o cara terminar o texto com “Um fato que parecia distante, tão quanto a de um operário virar o melhor Presidente da República” já diz bem ao que veio.
Melhor é por sua conta, meu caro.

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Cavalar

05 de agosto de 2018 às 19h28

Não acredito que esse sujeito teve coragem de escrever isso. São baboseiras como está que deixam a esquerda mercê críticas e descrédito junto à sociedade como um todo.
Rapaz, acorda! Como o Ciro disse, o PT está mesmo numa viagem alucinógena. Este Tadeu deve ser quem prepara o chá de cogumelo para a pelegada!

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Brasileiro da Silva

04 de agosto de 2018 às 23h09

O que mudou de 2011 para cá? Os petroleiros ou a direção?

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Jorge

04 de agosto de 2018 às 20h10

Tadeuzinho, menos né… Esta corja que da FUP é uma das principais culpadas pelos roubos realizados pela cúpula petista durante 12 anos.

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gN

04 de agosto de 2018 às 18h23

É esse tipo de ilusão que mata a esquerda… Os petroleiros é Q são os responsáveis pelo lucro recorde da Petrobras? Fazendo uma greve Q não durou nem 2 dias? Ficando calados em relação a roubalheira do petrolão? É de matar essa falta de bom senso…

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Justiceiro

04 de agosto de 2018 às 17h45

Se tivesse dado prejuízo a cula pera da direção da empresa, como deu lucro o crédito é dos pelegos.

E onde vocês, pelegos, estavam enquanto a companhia era assaltada a quase ir a nocaute?

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