Entrevista de Haddad ao SBT

Ciro ou Haddad? A busca por uma nova esquerda

Por Miguel do Rosário

23 de setembro de 2018 : 15h04

Por Renato Cecilio

Visando contribuir com o debate democrático, exponho a seguir meu posicionamento na recente disputa da esquerda para o cargo de presidente da republica.

Poderia elencar os consistentes projetos do candidato Ciro na área econômica, em particular a recuperação do crédito da população, a revisão de subsídios absurdos e seu plano de desenvolvimento baseado em uma reindustrialização mais do que urgente. Poderia discutir suas propostas para educação e creches, suas propostas para saúde e diversas outras que considero, em sua imensa maioria, de muito boa-fé e fundamentação teórica.

Mas o ponto da presente argumentação é justamente outro. Quero aqui explicitar uma necessidade que transcede o acolhimento de propostas que possamos considerar melhores ou piores. Na minha opinião, passamos nas ultimas décadas por um período delicado, onde foi primordial a reestruturação das instituições democráticas e a constatação de que o povo é capacitado para eleger seus representantes.

Contudo, nada poderia ser mais controverso. Muito embora nossas instituições tenham se mantido firmes em seus propósitos, passam atualmente por um descredito inédito basicamente causado pela corrupção espalhada por todos os níveis da administração pública. Quando analisamos quem elegemos nos ultimos anos, outra constatação surge como um raio: elegemos presidentes sempre dos mesmos partidos e sempre com reeleição. Obviamente excluimos ai nosso primeiro presidente desde a redemocratização, que foi agraciado com um “impeachment”, mas posteriormente tivemos oito anos de PSDB, oito anos de PT com Lula e “oito anos” de PT com Dilma, contando ai com seu vice tão amado por todos.

A questão é que se as instituições estão se aguentando em meio à seguidas tempestades políticas, o voto da população não expressa o mesmo fortalecimento. Continuamos votando no PT como esquerda, mesmo sabedores que a manutenção de qualquer grupo no poder comumente leva à uma maior corrupção, mesmo em países infinitamente mais honestos do que o nosso.

O que precisa ficar claro é que ser ideológicamente de esquerda e primar por uma distribuição de renda mais igualitaria e justa, não passa por seguirmos os mesmos lideres para sempre, pois os ideais de esquerda são claríssimos e podem ser aplicados por candidatos diversos.

Digo isso pois acredito que o fortalecimento da democracia e de nossa esquerda política deve passar inexoravelmente pelo aumento de opções de voto. Não podemos ficar presos a um único partido e uma nova esquerda deve surgir para abrigar os que não concordem com o PT.

Nesse contexto, expresso claramente meu voto pelo candidato Ciro e procuro argumentar com o maior número possível de colegas de esquerda como faria um bem terrível a vitória de uma nova esquerda. Isso nos fortaleceria como ideologia e evitaria a deturpação de valores pela continuidade do mesmo grupo no poder.

Por uma nova esquerda, vote Ciro 12.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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3 comentários

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Chauke Stephan Filho

30 de setembro de 2018 às 00h24

Antes do artigo indefinido “Uma” não há como ocorrer crase, Miguel. E tome muito cuidado ao empregar a palavra “Onde”. A palavra “Igualitaria” não existe em português. E outra: “…à seguidas tempestades…” ?!? O que é isso, cara? Você precisa descansar, Miguel.

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Maria Victoria

23 de setembro de 2018 às 19h17

Eu gostaria de saber mais sobre os projetos deles sobre meio ambiente, já que sabemos quem é a vice dele, nada esquerda por sinal, nem de longe.

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    Jessé Guimarães

    24 de setembro de 2018 às 00h30

    Era a Ministra de Agricultura da Dilma-PT.

    Responder

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