Hangout com Miguel do Rosário 17 de abril de 2019

Haddad vs Bolsonaro

Por Miguel do Rosário

27 de setembro de 2018 : 14h22

HADDAD vs. BOLSONARO

Por Erick Quintella

O marketing do momento é que a disputa Haddad vs. Bolsonaro é a disputa extrema-esquerda vs. extrema-direita.

Não é. Explico.

O PT nunca foi extrema-esquerda. Há quem duvide se já foi esquerda. Por carregar bandeiras progressistas e lutar pelos trabalhadores foi convenientemente posicionado como centro-esquerda. Pra mim, Lula tinha um plano na cabeça, inserir o pobre no orçamento, e usou sua habilidade de bom negociador para fazer conciliações, mesmo que tivesse que fazer muitas concessões, para executar seu plano. Lula nunca se importou com os rótulos direita ou esquerda. Governou e deixou para os historiadores definirem no futuro que filosofia orientou sua tomada de decisão.

Por outro lado, se olharmos Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga” de Bolsonaro, seus pensamentos econômicos são criticados até pela mais importante revista liberal do mundo, a The Economist. Economistas respeitados de direita afirmam que o plano de Paulo Guedes é horrível, tem cara de direita, mas não é sério e ofende a direita. E Bolsonaro, que só fala de costumes, notabilizou-se por excluir aquele que lhe é diferente, num comportamento anti-democrático por definição. Em sua revolta contra tudo e contra todos Bolsonaro não oferece construção, só oferece destruição, o que nos autoriza, como sociedade que quer se preservar, a retirá-lo desta disputa, inclusive pela força se for necessário. Bolsonaro não é extrema-direita, é o avesso da política.

Há muito de má-fé nesta dicotomia odienta, em grande parte fomentada pela mídia hegemônica.

Com mais de uma década de propaganda negativa a grande mídia armou uma cilada pro PT. Primeiramente, demonizou a corrupção, que sempre teve apelo popular negativo, e apesar de saber que a corrupção estava em todos os partidos colou a corrupção unicamente no PT, que estava superexposto por ocupar o poder. Em seguida, alimentou a cultura de ódio pelo PT, que foi materializada na figura do Bolsonaro. E agora, na reta final das eleições, sabendo do horror que as elites têm da extrema-esquerda, afirma em todos os canais que o PT representa a extrema-esquerda.

É difícil lutar contra a mídia hegemônica!

Constatando o estado de ânimo da sociedade e verificando o pouco tempo que falta para as eleições, eu me pergunto: dá tempo de desarmar esta bomba até as eleições? Acho que não. Por isso considero um xeque-mate da grande mídia no PT.

Donde derivo, por um cálculo, que Ciro Gomes, que não é PT, tem mais sobrevida que Haddad para desarmar o golpe nas próximas eleições.

Portanto, Haddad vs. Bolsonaro não é uma disputa do tipo extrema-esquerda vs. extrema-direita. O povo precisa entender isso.

Mas é uma disputa do tipo PT vs. anti-PT. Disso creio que não dá pra escapar.

Acha que a grande mídia deu apenas um xeque? Então, vá de Haddad.

Acha que deu um xeque-mate? Então, vá de Ciro.

Porque #EleNão !

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Paulo

27 de setembro de 2018 às 22h34

“Em sua revolta contra tudo e contra todos Bolsonaro não oferece construção, só oferece destruição, o que nos autoriza, como sociedade que quer se preservar, a retirá-lo desta disputa, inclusive PELA FORÇA se for necessário.” Grifo meu. Meu Deus! A democracia só é boa quando gostamos dos candidatos? Essa é a visão que a esquerda tem do processo democrático? Tô vendo que o Adélio não estava sozinho nessa…

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    Erick Quintella

    28 de setembro de 2018 às 14h34

    Prezado Paulo, favor conhecer o paradoxo da tolerância de Karl Popper.

    http://www.naomekahlo.com/single-post/2018/04/12/O-Paradoxo-da-Tolerancia

    Responder

      Paulo

      28 de setembro de 2018 às 17h33

      “Em 1945, o filósofo Karl Popper publicou ‘The Open Society and Its Enemies’, obra que defende os valores da democracia liberal e critica o conceito filosófico de historicismo”. Oras, salvo engano, estamos diante de um comentarista de esquerda (você, Erick!) que defende os valores da democracia liberal (ou pelo menos se referenda num autor que o faz)? Como assim, o objetivo não é superá-la? Não é o socialismo o último estágio de desenvolvimento humano? E quem decide quem são os intolerantes? Adélio foi tolerante? Se não foi, deveria ser exterminado? As questões são bem mais complexas, Erick!

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Silvio Borges

27 de setembro de 2018 às 15h00

Que visão sumária, superficial e — ouso dizer — irresponsavelmente mal-intencionada da política, sobretudo daquilo que deveria ser, no momento, a estratégia maior das esquerdas (amarelas, douradas, vermelhas ou vermelhíssimas): a luta contra o totalitarismo que, a pontapés e francas cotoveladas, está tentando chegar a poder. Vai tirar uma soneca, Miguel! Acorda depois do segundo turno que a vida continua.

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