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Sem desespero

Por Pedro Breier

16 de outubro de 2018 : 00h06

A pesquisa Ibope divulgada ontem mostra um cenário nada animador para quem é chegado nesse negócio chamado democracia. Considerando-se os votos válidos, Bolsonaro tem 59% das intenções de voto, enquanto Haddad tem 41%.

O cenário é sombrio seja qual for o resultado da eleição. Os militantes democráticos devemos nos preparar para tempos difíceis

Entretanto, não desesperemos.

Por um motivo muito simples: desespero – e estados mentais negativos em geral – prejudicam a nós mesmos e, portanto, prejudicam a qualidade da nossa luta.

Precisaremos estar psicologicamente aprumados para travarmos as duras batalhas que virão no próximo período.

Mas como não desesperar, ficar puto, com raiva ou triste com esse surto coletivo de insanidade?

O caminho é antigo, vem do oriente e foi ensinado por muitos sábios da história da humanidade: meditação.

Se prestamos um pouco de atenção, percebemos que a nossa mente não para de falar. É pensamento atrás de pensamento, o dia inteiro.

Os pensamentos são sempre sobre o futuro ou o passado. Trata-se de uma questão de lógica: se estamos dando ouvidos a um pensamento qualquer, não estamos inteiramente atentos ao momento presente. Se pensamos sem parar, logo raramente estamos totalmente presentes.

E é exatamente daí que vem o sofrimento psicológico e emocional. Das preocupações com o futuro, vêm a ansiedade e o stress. Das preocupações com o passado, vêm a culpa e a depressão. Medo, raiva, tristeza, ódio. Todos esses estados negativos são provocados por pensamentos sobre o futuro e o passado.

O detalhe é que a absoluta maioria das nossas previsões sobre o futuro não se realiza, assim como os olhares para o passado raramente são fieis ao que realmente aconteceu. Sofremos por hipóteses que não se realizam ou memórias deturpadas/falsas.

Pois a meditação é o caminho para deixarmos de sermos dominados pela nossa própria mente e, assim, minimizarmos os sofrimentos psicológicos pelos quais todos passamos, em maior ou menor grau e frequência.

Mas não adianta muito meditar esporadicamente. Há que se ter disciplina e incluir a meditação na rotina diária. Assim se desenvolve muito mais rápido a capacidade de silenciar a mente e, portanto, de atingir a paz de espírito.

Estar em paz e com a mente calma é essencial para enfrentar a onda fascista.

Há várias técnicas de meditação. A que este colunista usa é a seguinte: sentar em uma cadeira com a coluna ereta, sem tocar no encosto e com as mãos sobre as coxas; deixar a respiração fluir naturalmente, sem tentar controlá-la; colocar toda a atenção na região da entrada das narinas, no ar entrando e saindo ali; assim que perceber que sua atenção foi foi para algum pensamento – a mente não cessará de tentar capturar sua atenção – simplesmente volte a se concentrar totalmente na respiração.

Com a continuidade da prática, é possível ficar cada vez mais tempo totalmente focado na respiração. Pode-se começar fazendo por poucos minutos e depois ir aumentando a duração das sessões, para ao menos uns 20 minutos por dia.

Experimente esta ou alguma outra técnica de meditação e veja a mágica acontecer na sua vida: o aumento exponencial da tranquilidade, da paz de espírito, do bem-estar e da capacidade de concentração.

Preparemo-nos para o que virá. Seja o que for.

A batalha será certamente dura e provavelmente longa.

Tenhamos a certeza, contudo, de que venceremos.

A derrota da truculência, do obscurantismo, da violência e do autoritarismo é, podem confiar, certa.

A sede de liberdade, que deu causa a incontáveis lutas e guerras sangrentas, ao longo de milênios de história da raça humana na Terra, é imparável.

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

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