Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Saia discretamente, Michel

Por Denise Assis

20 de dezembro de 2018 : 18h42

Denise Assis

“Dodge pediu na denúncia que os acusados sejam punidos com a perda da função pública” … (O Globo – 20/12). Ora, ora, ora. Chega a beirar a uma peça de humor, tal exigência. Todos nós sabemos que este senhor, o Michel, está de malas prontas para deixar a tal “função pública” de que nos fala a procuradora, Raquel Dodge, no dia 1º de janeiro. Que função este senhor tem a perder, minha cara procuradora?

Deus e o mundo sabem que, embora Michel ande por aí se jactando de ter se livrado de outras duas denúncias, o que não comenta é que gastou bilhões do nosso rico dinheirinho para livrar-se delas e poder cumprir o mandato tampão que buscou para si, após derrubar da presidência a eleita pelo voto democrático, Dilma Rousseff. E derrubou por mera volúpia de poder, pois foi ele mesmo quem a classificou em recente entrevista à Folha, de “uma senhora correta e honesta”. Mas esta é outra história.

Importa aqui é que diante desta terceira denúncia, quando não terá os cofres públicos para garantir-lhe a impunidade, Michel lançou-se em uma busca frenética a um foro privilegiado pelo amor de Deus! E com este intuito foi buscar solução num caso que já dormitava no imaginário nacional: o de Cesare Battisti. Michel viu na arenga o “porto seguro” –  não é trocadilho – para o seu destino incerto e ignorado. Entrega Battisti ao governo italiano, angaria simpatia e segue para lá como embaixador do novo governo, ávido por estas questiúnculas que identificam como simpáticas à esquerda.

Então, Michel, é este o seu pedido para Papai Noel (desculpe a rima pobre e involuntária). Pois muito bem. Você se safa e nós ficamos aqui, com um item a mais no nosso já repleto repertório de insatisfações. Não o veremos respondendo por seus malfeitos. Isto me lembra até a cena final daquela novela em reprise recente: “Vale Tudo”, em que Reginaldo Farias dá uma banana para o país, a bordo de um jatinho lotado de malas de dinheiro do povo.

Ok. Você venceu. Uma, duas, vezes. Porém, vendo a foto aí do alto, me ocorreu fazer-lhe uma proposta. Sempre pouco à vontade no cargo que você usurpou e no qual não decolou – ficou ali num vou de galinha entre os 3 e 6 % de (des)aprovação) – nunca ousou envergar a faixa presidencial, que a bem da verdade não lhe pertencia, mesmo. Em sendo assim, para poupar-nos do ridículo espetáculo de vê-lo posar em público, pela primeira vez, e vê-lo passar aquilo que não o pertence – a faixa presidencial -, tive uma ideia.

A minha proposta é que você dê uma de João Baptista Figueiredo. Desafeto de José Sarney, enxotado do Planalto por uma população cheia da tutela dos militares, que no final não seguraram nem a economia, – a inflação, em fevereiro de 1985 chegou a 225,9% ao ano – o general/presidente decidiu que não transmitiria a faixa ao sucessor.

Deixou o palácio pela porta dos fundos, sequer dando as caras na cerimônia. Olha que alívio, Michel. Poupou a todos da sua carranca e do seu asco “ao cheiro do povo”. Ele pelo menos confessou.

Levando-se em conta que você nunca foi reconhecido como o nosso representante, considerando que você “governou” apenas para esta parcela aí de 3%, e que quanto menos tempo em solo brasileiro como cidadão comum, menos arriscado para você, até que a minha proposta não é de todo mal. Fala a verdade?… Sugiro que pense a respeito. E, a propósito, antes que sinta falta, como já confessou: “Fora Temer”.

 

 

 

 

 

Denise Assis

Denise Assis é jornalista e autora dos livros: "Propaganda e cinema a Serviço do Golpe" e "Imaculada". É colunista do blog O Cafezinho desde 2015.

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5 comentários

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Alan Cepile

21 de dezembro de 2018 às 19h11

Um capítulo vergonhoso para o povo brasileiro, que nada fez contra esse pulha, NADA!

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Paulo

20 de dezembro de 2018 às 19h46

Esse já teria que estar preso há muito tempo. Se Bolsonaro lhe der a Embaixada em Roma, ficará comprovado que ambos são farinha do mesmo saco (já não bastasse o caso do tal motorista, até aqui sem nenhum esclarecimento). Um crápula da pior espécie…mas, quanto a não passar a faixa, esqueça! O homem se acha um estadista…

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    Edson

    24 de dezembro de 2018 às 08h11

    Qual o seu problema Paulo? Ele foi um bom presidente. Reconheça. Muitos o acusam sem provas. O Lula foi preso sem provas segundo a esquerda, mas seguindo o seu raciocínio, o atual presidente pode ser acusado sem provas. Não acha que há no modo de ver de quem pensa como você dois pesos e duas medidas? Aqueles que não reconhecem a legitimidade do governo Temer se acham no direito de culpa-lo independente de ter prova ou não! e sem reconhecer o fato que a administração do seu governo tirou o país da beira do abismo no qual a indicada à presidência por Lula nos deixou.

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      Paulo

      25 de dezembro de 2018 às 17h57

      O Lularápio foi preso com provas e Temerário não foi, com as mesmas provas (vamos aguardar agora, que perderá o foro privilegiado!). Ou você não viu a cena do Loures e sua malinha alegremente troteando na noite de São Paulo? Não ouviu a gravação do encontro do presidente com um notório corruptor, nos porões do Palácio da Alvorada e em hora erma, dizendo coisas pouco republicanas? Independentemente de suas parcas realizações – convenhamos que superar Dilmadrasta não é mérito pra ninguém – ele merece puxar cana…

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        Edson

        26 de dezembro de 2018 às 09h27

        Paulo…sou legalista, existem leis e elas devem ser cumpridas. Não há provas físicas que o Lula é o proprietário do imóvel da Praia Grande, particularmente, acho que ele é sim o dono, mas é preciso ter provas físicas, isto é, papéis assinados, e não há. Consta ainda outros processos sendo movidos, entretanto, parece que o ex-presidente é suficientemente esperto para não assinar algo que o possa comprometer no futuro, dá-se entender que ele não assina nada nesse sentido e, desse modo, passa por inocente. Quanto ao Temer, façamos justiça, as acusações são ilações, meras ilações! Mas, havendo provas (acredito que não há), então que ele seja condenado. E, isso não anula o fato do qual ele tenha feito um bom governo e, diga-se de passagem, sob muita pressão.

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