Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

O tamanho dos partidos no Brasil

Por Miguel do Rosário

22 de dezembro de 2018 : 12h07

Fiz uma compilação que estava há algum tempo querendo fazer, cruzando dados dos partidos políticos: filiados, quantidade de cargos eleitos ocupados.

Trata-se de um resumo com os 24 principais partidos, classificado pela quantidade de vereadores eleitos em 2016, já pensando na estrutura necessária para as próximas eleições municipais, em 2020.

Na tabela, observa-se que o PMDB é a legenda com o maior número de prefeitos (1.038) e vereadores (7.559) eleitos em 2016. O PSDB também possui um grande número de prefeitos (787) e vereadores (5.360).

A julgar por estes números, as análises sobre o “fim” dos “partidos tradicionais” são apressadas. Elas terão que ser confirmadas nas próximas eleições municipais.

No campo da centro-esquerda, as legendas com maior número de vereadores são, por ordem de grandeza: PDT (3.769), PSB (3.631) e PT (2.809). Em número de prefeitos eleitos, PSB vem à frente, com 404 administrações, seguido de PDT, com 328 prefeituras, e PT, com 256.

Ainda na esquerda, temos algumas outras legendas com peso relevante em número de vereadores e prefeitos. O PCdoB, por exemplo, tem 80 prefeitos e 1.002 vereadores. O PSOL, por sua vez, ainda é nanico em termos municipais, com apenas 2 prefeitos e 56 vereadores.

Em termos de deputados estaduais e federais, o PT é a legenda mais forte do campo progressista, com 83 deputados estaduais e 55 federais, seguido do PSB, com 63 estaduais e 32 federais e PDT, com 51 estaduais e 28 federais.

O PCdoB tem 21 deputados estaduais em todo país, e conseguiu eleger 10 deputados federais (já contando com o deputado do PPL, legenda incorporada). O PSOL tem 17 deputados estaduais e 10 federais.

No Senado, as legendas de centro-esquerda com representação são: PT (6 senadores), PDT (4), PSB (2) e Rede (5).

Em número de governadores, PT lidera com 4, seguido de PSB, com 3. PDT e PCdoB tem um governo estadual, cada.

Em quantidade de filiados, PT tem 1,59 milhão, seguido de PDT, com 1,26 milhão e PSB, com 656 mil. PCdoB tem 397 mil filiados e PSOL, 150 mil.

Outro dado importante para se entender a força de cada partido a partir de 2019 é a distribuição do fundo partidário. Confira o gráfico abaixo, elaborado pelo Metro Jornal, com a relação de quanto cada partido terá direito a receber no ano que vem.

A comparação é feita com 2017, porque 2018 foi um ano eleitoral, quando as legendas recebem, além do fundo partidário, também recursos eleitorais.

O partido mais rico de todos em 2019 será o do presidente da república, o PSL, que receberá R$ 106,28 milhões. Sem estrutura quase nenhuma, e com seus principais quadros ocupando cargos no governo federal, esse dinheiro corresponderá uma fortuna incalculável para a legenda de Bolsonaro.

Dentro do campo da centro-esquerda, a legenda mais rica, de longe, é o Partido dos Trabalhadores, embora tenha sofrido uma queda de 6% em sua arrecadação. Em 2017, o PT recebeu R$ 98,5 milhões e em 2019, receberá R$ 92,7 milhões.

PSB deverá receber R$ 50,3 milhões em 2019, um aumento de 21% sobre 2017.

O PDT experimentará um crescimento de 62% em receita partidária, que saltará para R$ 43 milhões.

O PSOL receberá R$ 27 milhões em 2019, mais que o dobro do recebido em 2017. O montante a ser recebido pelo PCdoB ainda será calculado. O partido incorporou o PPL para não ficar abaixo da cláusula de barreira e não perder fundo partidário e tempo de TV.

 

 

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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28 comentários

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Raymond

26 de dezembro de 2018 às 18h10

Que rampeira essa Michele com aquela camiseta com a frase de uma juíza… Coisa desaforada, baixaria dessa famiglia não para mesmo. Onde é que esconderam ou degolaram o Queiroz ? Os 24.000 foram para pagar o vestido ? Fala logo onde afogaram o Queiroz!

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Raymond

26 de dezembro de 2018 às 10h11

O negócio desses fsdsps é esconder o Queiroz! Onde está o Queiroz ? Atestado só dia 28 ? Vão mentir na casa do c… !!!

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T. Novaes

25 de dezembro de 2018 às 20h32

General da abin promete que não vai “espionar” oposição.
Acredita quem quer e quem não tem juizo.

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Fagner Henrique Maia Feitosa

25 de dezembro de 2018 às 14h03

Faltou o Partido da Mulher Brasileira (PMB).
Após a publicação o Podemos incorporou o PHS.
E o Patriota já tinha incorporado do PRP..
Acho que seria legal atualizar.

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Sergio Oliveira

25 de dezembro de 2018 às 10h56

O TRABALHO É O MAIOR FATOR DE ELEVAÇÃO DA DIGNIDADE HUMANA (GETÚLIO VARGAS).
Por isto o presidente trabalhista GETÚLIO VARGAS criou o salário-mínimo, que já beneficiou e beneficia milhões de brasileiros (as) de forma digna, pois está ligado ao TRABALHO; criou, também, a Previdência Social nos moldes hoje existentes, que beneficia milhões de brasileiros (as) dignamente, pois, para que se obtenha o benefício, salvo algumas exceções criadas nos últimos anos, é necessário ter TRABALHADO; criou, ainda, a Carteira Profissional que, na iniciativa privada, é o passaporte para a dignidade do TRABALHO. Criou a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, para dar segurança à quem TRABALHA. Criou a Justiça do Trabalho para que, num eventual ferimento à CLT, o TRABALHADOR tenha condições de procurar seus direitos.
Não podemos esquecer, também, que no governo do presidente trabalhista JOÃO GOULART foi instituída a Gratificação de Natal, hoje 13º salário, tanto para os trabalhadores em atividade (em 1962), quanto para os aposentados e pensionistas (em 1963), resultado de dois projetos (um em co-autoria) do extraordinário, digno e TRABALHADOR deputado federal gaúcho FLORICENO PAIXÃO, sempre tendo em mente beneficiar aqueles que TRABALHAM ou já TRABALHARAM.
No Brasil, entre aposentados, pensionistas e trabalhadores em atividade, são mais de 70 milhões de pessoas, atualmente, fora parentes.

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Sergio Oliveira

25 de dezembro de 2018 às 10h53

IDEOLOGIA DE VERDADE SÓ O PDTTEM; TEM HISTÓRIA O TRABALHISMO.

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    Sergio Oliveira

    25 de dezembro de 2018 às 11h01

    Digitei letras maiúsculas. Desculpa.

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Douglas Junior

25 de dezembro de 2018 às 10h02

Fundos partidário e eleitoral é uma aberração, tem que ser extinto ou drasticamente reduzido.

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Álvaro

24 de dezembro de 2018 às 19h57

Por isso os progressistas unidos são muito fortes. É uma questão aritmética. Será que conseguem?

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Rogério D.

24 de dezembro de 2018 às 11h39

A esquerda precisa batalhar mais em eleições para vereadores, prefeitos, deputados estaduais. Tarefa inclusive para os governadores, deputados federais
e senadores eleitos. Não vai adiantar nada ficaram trancados em seus gabinentes em Brasilia.

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Jessé Guimarães

23 de dezembro de 2018 às 23h03

Eu lia sempre em Blogs de esquerda que o PT tinha mais 20.000.000 de filiados. Vejo que não é assim. Será que eu estava lendo errado? Muito boa a matéria.

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    Edir

    24 de dezembro de 2018 às 11h45

    Muitos não são filiados e são de esquerda. Acho que são a maioria.

    Responder

Adriana

23 de dezembro de 2018 às 13h15

A rejeição ao PT vai caindo gradativamente pois os governos posteriores são ruins demais e se continuar dessa forma o retorno ao PT será triunfal .

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    CezarR

    23 de dezembro de 2018 às 19h05

    O que mantém o PT em voga é a estúpida estratégia do governo eleito de escolhê-lo como inimigo e, consequentemente, a causa de todos os males. A estratégia é manter o PT respirando por aparelhos, com força apenas para apanhar. Estratégia arriscada, pois pode dar muita força ao partido realmente trazê-lo de volta. Note-se , porém, que há um MJ e um Depto de Defesa dos EUA para triunfar onde o inapto governo eleito falhar. Daí a importância do surgimento de novas forças na esquerda.

    Responder

NeoTupi

23 de dezembro de 2018 às 12h12

Acho mais relevante olhar a votação para a câmara. Mdb e psdb perderam metade dos votos em 2018 relativo a 2014. E psdb foi o mais votado em 2016. No interior prefeitos são cabos eleitorais de deputados. É mal sinal para 2020. Claro que muitos mudarão de partido.

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Francisco

23 de dezembro de 2018 às 00h44

Divertidíssimos esses contorcionismos de mensurações políticas, misturando momentos distintos e, feito ‘narrador torcedor’ de futebol, que quando seu time joga ‘com menos’ não para de lembrar o fato, justificando, e quando trata-se do adversário, ignora-o, como feito nesse contorcionismo mal intencionado, que ignora o PT e líderes estarem sendo perseguido pelo consórcio jurídico-midiático, há mais de 13 anos e, de forma mais intensa e seletiva, pela operação lavajateira, há quase 5 anos, com direito, dia sim, dia não, quando não sim, também, a exposição no JN da Globo, através de uns dutos enferrujados sobre fundo vermelho onde expele-se a maior corrupção do mundo, como sendo do PT.

Só mesmo gargalhando e perguntando: Cafezinho e o Queiroz? .

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Everaldo

22 de dezembro de 2018 às 22h07

Boa noite Miguel.
Gostaria de saber de você quanto aos partidos nanicos, que não tem nenhuma expressividade que não atingiram o o mínimo possível para não serem pegos pela cláusula de barreira, como o PCB que só tem um vereador e o PSTU e PCO que não tem nenhum parlamentar em nenhuma esfera governamental, eles irão se incorporar como o PPL fez ou por escolha, irão querer se tornar clandestinos e também outros partidos, como muitos da direita ? Ou irão ficar só como grupos políticos mesmo, mas não mais como partidos. Me explica ai por favor ?

Responder

    ari

    23 de dezembro de 2018 às 10h59

    O fato de não ter alguém eleito não implica que deixe de ser um partido. Apenas não recebe a sua cota partidária
    Particularmente acho mais uma forma de exclusão um partido não receber porque não tem ninguém eleito. Vejo no caso o PCO, provavelmente o partido mais coerente no momento e talvez o mais combativo e que não elege por razões várias que não vale a pena discutir aqui.

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      Carlos Eduardo

      23 de dezembro de 2018 às 18h21

      Com todo respeito, o PCO é o nanico dos nanicos, é praticamente o único partido que nunca sai do zero, e o Rui Costa Pimenta é uma maluco que errou todas as previsões em 2018, especialista em falar besteira.

      Responder

        Mirtes

        24 de dezembro de 2018 às 00h46

        Sou obrigada a discordar, Carlos Eduardo, ou você não acompanha a trajetória política do PCO ou possui algo de gratuito contra este partido. Rui Costa Pimenta tem acertado 99% nas previsões que faz, que nada mais são do que as boas análises que faz de nossa política. O trabalho do Rui é ímpar e não há nenhum outro partido político que faça tanta coisa boa pelo país como está fazendo o PCO, nem mesmo o PT, infelizmente.

        Responder

          Carlos Eduardo

          24 de dezembro de 2018 às 08h22

          Respeito sua opinião mas pensamos bem diferente. Rui Costa Pimenta errou tudo em 2018 e cito dois erros crassos:

          1) Ter defendido que Lula se entregasse quando deveria ter se refugiado numa embaixada e, assim, liderado a luta contra o golpe (Observação: recentemente ele reconheceu que errou e disse que ninguém tinha sugerido que ele fosse para uma embaixada quando teve gente na própria blogosfera que sugeriu, ou seja, ele errou duas vezes num mesmo assunto)

          2) Errou de novo quando disse que Lula não deveria desistir da candidatura mesmo tendo sido cassado, ele só não explicou como isso seria possível…

          crazy-fla

          24 de dezembro de 2018 às 19h31

          Creio q o Lula não deveria ter desistido da candidatura, deveria ter levado até o fim, o outro candidato q vencesse d forma fraudulenta, colocar o Haddad da ala direitista do PT foi um erro, não creio q o Rui falou para o Lula se entregar, não éa cara dele, eu acompanho as análises e não ouvi isso, o Rui é muito inteligente!!! imagine o burro do saco d fezes q foge d debate dando uma análise d 2 horas, só iria sair merda, Alckmin, Aécio, tudo uma porcaria, MDB PSDB são grande e são uma porcaria, tamanho não tem nada haver com qualidade!!! o Rui por não ter o rabo preso fala a verdade, e quase ninguém aceita a verdade!!!

          Carlos Eduardo

          25 de dezembro de 2018 às 12h37

          O que ele fala não é “a verdade”, é apenas a opinião dele, que pode estar certa ou não.
          Em um dos exemplos que eu citei ele mesmo reconheceu que errou.

Reginaldo

22 de dezembro de 2018 às 16h50

Faltou fazer esse levantamento considerando o Partido da Mulher Brasileira – PMB 35

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Alan Cepile

22 de dezembro de 2018 às 16h24

Excelente matéria!

Chama atenção o encolhimento do PT nas eleições municipais.
Na eleição presidencial surfou na onda no que sobrou do Lula, o partido vai ter que fazer mágica pra se reinventar e se descolar da altíssima rejeição.

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    vagner

    22 de dezembro de 2018 às 18h21

    O fundo do poço do PT foi as eleições de 2016. De lá para cá o partido só cresceu. O PT, sozinho, fez 29% dos votos para presidente, perdendo só para Bolsonaro, já que seu partido ninguém sabia se quer as letras.

    Responder

      Alan Cepile

      25 de dezembro de 2018 às 12h44

      Sim, teve 29% não sozinho como vc disse, com a ajuda dos eleitores da Manuela, que vinha crescendo, mas uma outra análise tb pode ser feita, que Lula bateu 41% de intenção de voto e no final a chapa ficou com “apenas” 29%, portanto, tirando a Marina, foi a chapa que mais perdeu votos.
      Além disso, no nordeste a força do PT já foi mais forte, a extrema direita pegou uma boa fatia daquele eleitorado.

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