A audiência pública sobre a reforma tributária

Crédito da Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara

PCdoB rebate PSOL: Repondo os fatos e a verdade

Por Redação

05 de fevereiro de 2019 : 11h00

Na página do PCdoB

A divergência tática com o PCdoB que levou alguns partidos de esquerda a apresentarem uma questão de ordem que atacou o direito de funcionamento institucional da legenda comunista na Câmara dos Deputados, lastimavelmente se estendeu com uma nota pública da Executiva Nacional do PSOL. Em vez de reconhecer o erro, infelizmente, a referida nota enveredou-se por um terreno pantanoso que apresenta informações distorcidas, que deformam a verdade.

A nota afirma que o PCdoB defendeu a cláusula de barreira, da qual foi vítima. Tal afirmação falseia, desconhece ou passa por cima dos fatos e da verdade histórica. A luta contra a cláusula de barreira é travada denodadamente pelo PCdoB, por partidos e setores democratas do parlamento desde antes da existência do PSOL. Naquele tempo, o próprio PT era um partido que seria barrado se as cláusulas não fossem derrubadas com a decisiva ajuda do PCdoB.

Na Legislatura passada, o que se fez foi um enfrentamento político contra a cláusula de barreira para que esse limite autoritário ficasse estabelecido nos menores patamares possíveis. Sem a luta e a conduta política adotadas pelo PCdoB na tramitação e votação da referida matéria, teria sido aprovado uma cláusula ainda maior, que mesmo o PSOL não ultrapassaria.

O encaminhamento feito pelo PSOL em plenário, ao questionar a incorporação do PPL, atentou contra a livre organização partidária e contra a legalidade do PCdoB. Se a questão de ordem tivesse sido acatada, a legenda comunista teria perdido o direito ao pleno funcionamento no parlamento, que já havia sido deferido pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

Nisso consiste o gravíssimo erro do PSOL. Aliás, a sua nota textualmente o reconhece: “…a questão de ordem questionava ato do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que em decisão administrativa, dava por concluídos os processos de fusão em curso no TSE…”

É de conhecimento público, devidamente registrado em documentos, que o PPL fez um Congresso extraordinário que decidiu pela incorporação e a direção nacional do PCdoB a aprovou. O que resta são apenas alguns encaminhamentos processuais no Tribunal Superior Eleitoral.

A Mesa Diretora da Câmara respeitou a autonomia dos partidos, reconheceu que a incorporação do PPL ao PCdoB é um fato político e jurídico inquestionável, e concluiu que o PCdoB, desse modo e de acordo com a lei, cumpriu a cláusula de barreira.

O PSOL se apegou ao detalhe daquilo que, no seu entender, determina a lei para atacar o direito de uma legenda quase centenária ter o direito ao funcionamento parlamentar.

Não procede o argumento do PSOL de que a questão de ordem visava tão somente impedir um suposto crescimento “artificial” de um bloco que resultaria no fato de uma legenda não pertencente ao campo oposicionista assumir a Liderança da Oposição. Não procede, primeiro, porque as legendas que formam o referido bloco dele participariam independente de processo de incorporação. Segundo, porque com o PCdoB ou PDT à frente da referida Liderança ela estará, sim, em boas mãos.

É especialmente desleal a acusação do PSOL de que o PCdoB e suas lideranças estariam lançando mão de fake news. Tanto o PSOL quanto o PCdoB e as forças progressistas como um todo sabem da gravidade que é o uso desse procedimento criminoso. Militantes e lideranças são alvo de ameaças, inclusive de morte, como é caso de Jean Willys e Manuela d´Àvila, para citar dois exemplos.

A situação do país exige desprendimento, lealdade e cooperação entre as forças políticas da oposição, especialmente as de esquerda.

O PCdoB não deseja estender essa polêmica, mas, sim, conclamar que campo popular e de esquerda somem suas forças para que possamos cumprir o papel que a nação e a classe trabalhadora esperam: oposição ampla e vigorosa ao governo Bolsonaro. Lugar onde o Partido Comunista do Brasil sempre esteve, está e estará.

São Paulo, 4 de fevereiro de 2019

Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil-PCdoB

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

9 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Justiceiro

05 de fevereiro de 2019 às 21h44

Alô, Miguel….cadê meu comentário?

Responder

Wilton Santos

05 de fevereiro de 2019 às 21h31

O PSOL sozinho consegui superar a cláusula de barreira e dobrar sua bancada com candidatos jovens. Por outro lado, o PCdoB não conseguiu superar a cláusula de barreira e teve desempenho eleitoral inferior ao das últimas eleições. Provavelmente nas próximas eleições o PSOL continuará crescendo enquanto o PCdoB não conseguirá superar a cláusula de barreira novamente, graças ao seu cretinismo parlamentar.

Responder

    Marcos Videira

    05 de fevereiro de 2019 às 22h13

    Wilton: veja como você está contaminado com a arrogância petista. Você afirma que o PCdoB não conseguirá superar a cláusula de barreira por causa do seu CRETINISMO PARLAMENTAR. Mas nos últimos 20 anos (ou mais) o PCdoB foi aliado visceral do PT. Esse seu “cretinismo parlamentar” explica também o passado ou só serve pro futuro ?
    Em vez de chutar aliados históricos, penso que o PT deveria reconhecer que sua arrogância está contribuindo para seu próprio declínio.
    O Brasil precisa de uma Frente Ampla democrática e não de supostos donos da oposição.

    Responder

Aliança Nacional Libertadora

05 de fevereiro de 2019 às 20h27

Depois do golpe o PSOL saiu do extremo pra centro esquerda, o PSB da centro direita pra centro esquerda, o PDT do centro para centro direita com apoio da extrema direita e o PC do B pragmático indo para a centro direita….a caminho de se unir ao PPS do Roberto Freire antigo PCB….

Responder

Ataulpho Andrade

05 de fevereiro de 2019 às 20h10

A posição desse pessoal que está apoiando os movimentos do PC do B, do PDT, etc., é uma posição extremamente confusa.

Por um lado, tentam se diferenciar do PT, PSOL, e congêneres. Dizem que o PT é “tirano”, “arrogante” (fico imaginando o nível de santidade desses pedetistas), isso e aquilo. Mas quando se afastam do campo histórico da esquerda, começam a ficar perto do governo atual, em uma zona cinzenta. Tome-se a situação na Câmara dos Deputados: há o bloco de situação, de oposição, e um bloco que se diz independente, mas qual é o sentido político disso?

Na ditadura, eram oposição clandestina. No governo FHC, eram oposição parlamentar e social. No governo do PT, eram governo. Aí no governo da extrema-direita fascista, eles são essa coisa amorfa, que me faz lembrar esses partidos do tipo REDE: quase ninguém sabe se a linha política do partido é de esquerda ou direita.

E aí tudo fica confuso: o pessoal tem que fazer uma demagogia aqui e ali para dizer que é de esquerda, mas também confere legitimidade ao governo de extrema-direita. Não apoia e nem luta contra. Não gosta nem desgosta. Não é situação nem oposição. No fim, não é de esquerda nem de direita: politicamente não é nada, não tem capacidade de conduzir os acontecimentos para um lado ou outro.

Responder

Justiceiro

05 de fevereiro de 2019 às 16h20

O povo brasileiro está cansado de ver tantos e tantos partidos políticos no Brasil e, pior, pagar por essa farra.

A cláusula de barreira veio atrasada e aleijada, já que partido que fosse barrado na cláusula deveria sumir da nossa vida, mas inventaram a tal de fusão.

Ora, partido político existe para representar o povo e se este não votou em determinado partido é porque não reconhece sua representação.

Tem que acabar com essa farra. Partido que não consegue eleger ao menos 10 Deputados de um colegiado de 513, não merece existir.

Vão trabalhar e tirem as mãos de nossos bolsos.

Responder

Infovagner

05 de fevereiro de 2019 às 14h01

Mas olha só o que o PC do B quer, que a liderança da oposição fique com um bloco que tem partidos governistas nele. Absurdo e PT e PSOL tem que lutar contra isto mesmo.

Responder

Roque

05 de fevereiro de 2019 às 12h13

O povo brasileiro não reconhece o PSOL como partido. Trata-se apenas de um amontoado de oportunistas, que serão sempre um puxadinho do Putê…

Responder

    Sandro

    05 de fevereiro de 2019 às 12h42

    Disse tudo companheiro! Que puxada de tapete horrível por parte do PSOL. Decepção total!

    Responder

Deixe uma resposta