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A Aula Magna de Lenio Streck na Emerj

Por Redação

09 de fevereiro de 2019 : 12h11

No site do TJ-RJ

Lenio Streck, na Emerj: “Juiz não faz dilema moral porque o Direito chega antes”

Aula magna de Lenio Streck lotou o auditório da Emerj. Para o jurista, Direito e Moral não devem se confundir

“Essa aula é muito mais do que uma aula de Direito. É uma aula de democracia”. Com essa observação, o desembargador André Gustavo Corrêa de Andrade, diretor-geral da Emerj, apresentou o professor Lenio Streck para ministrar a aula magna do Curso de Especialização em Direito Público e Privado.

“Lenio Streck é um dos maiores juristas do país e representa um resgate de parte da minha história, da minha formação intelectual”, disse o desembargador André Gustavo, que foi aluno de Streck no mestrado e orientando do professor no doutorado, na Universidade Estácio de Sá (Unesa).

Para um auditório lotado de magistrados, outros operadores do Direito e estudantes, o professor tratou do tema “Jurisdição Constitucional e o Papel dos Tribunais”. Lenio Streck falou sobre o constitucionalismo contemporâneo e o papel dos tribunais, mostrou como é possível estabelecer critérios para que as decisões judiciais sejam menos dispersas e explicou por que os juízos morais não devem valer mais do que o Direito.

“A diferença entre Direito e Moral é o grande problema do século XIX. Moral não corrige Direito. Juiz não faz dilema moral porque o Direito chega antes. E se não chegou antes é porque fracassou. Direito é aquilo que nos salva de nós mesmos”, disse o professor.

Ativismo ou judicialização

Lenio Streck afirmou ainda que o país precisa da judicialização: “Às vezes o juiz que faz judicialização é criticado como se estivesse fazendo ativismo e, às vezes, faz ativismo e é criticado porque, na verdade, ele está fazendo judicialização. Há muita confusão em torno do termo e isso é muito ruim. Nós devemos ter bem claro o que é uma coisa e o que é outra. Ativismo é prejudicial à democracia, judicialização, não. A judicialização é desejável; em todas as democracias do mundo existe judicialização, mas as democracias não gostam muito do ativismo”.

“Defender a legalização hoje é um ato revolucionário”. Com essa afirmação, Lenio Streck, professor emérito da Emerj, doutor em Direito Constitucional pela Universidade de Santa Catarina, pós-doutor em Direito pela Universidade de Lisboa e autor de 107 livros, encerrou a aula magna.

“Para nós, do Rio de Janeiro, abrir o curso de 2019 com essa magnífica palestra do Lenio é uma demonstração de intensidade, de força, que vem de encontro aos desafios que nós hoje estamos vivendo no Rio e no Brasil. A Escola está de parabéns na sua nova gestão, dando seu primeiro passo, o pontapé inicial, com essa magnífica exposição do Lenio Streck”, declarou o professor Vicente de Paulo Barreto, convidado como debatedor.

Participaram deste primeiro evento da nova administração da EMERJ (biênio 2019/2020) os desembargadores Fernando Cerqueira Chagas, Luciano Saboia Rinaldi de Carvalho e Alexandre Câmara; e a secretária-geral da EMERJ, Lucia Frota Pestana de Aguiar Silva.

PS Cafezinho: o vídeo abaixo é de uma outra palestra de Lenio Streck. Não consegui ainda achar (ou saber se existe) vídeo da palestra de Streck na Emerj.

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2 comentários

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Paulo

10 de fevereiro de 2019 às 11h50

Não procede o argumento de que a Justiça brasileira esteja em crise de hermenêutica. No passado, já foi muito pior. Tínhamos grande juristas – que já não temos mais, é verdade -, mas, na média, a qualidade dos juízes era inferior. E a subserviência aos poderosos, muito maior…

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Luiz Carlos P. Oliveira

10 de fevereiro de 2019 às 09h55

Se certos juízes tivessem 1% do conhecimento sobre Direito do Lenio Streck, esse país não estaria vivenciando essa desgraça judiciária.

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