Hangout com Miguel do Rosário 17 de abril de 2019

Ano começa com queda brutal no consumo

Por Redação

14 de abril de 2019 : 13h41

No Estadão

Ano começa com queda de 5,2% no consumo

Pela 1ª vez em 5 anos, compra das famílias brasileiras caiu em janeiro e fevereiro

Por Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo
14 de abril de 2019 | 04h00

Pressionado pelo aumento do desemprego e da inflação da comida e também pela queda na renda, o consumo de alimentos, bebidas, produtos de higiene e limpeza dentro da casa dos brasileiros sofreu um baque neste início de ano. Em janeiro e fevereiro, houve uma queda de 5,2% no número de unidades de itens básicos comprados pelas famílias em relação ao mesmo período de 2018, aponta pesquisa da consultoria Kantar. Foi a primeira retração para o período em cinco anos.

Também foi a primeira vez desde o início da pesquisa, em 2014, que houve recuo nas compras de todas as cestas de produtos, com retrações importantes em produtos básicos e de difícil substituição. Entre os itens que mais contribuíram para a queda do consumo em unidades das respectivas cestas estão açúcar (alimentos), papel higiênico (higiene), leite de caixinha (lácteos), detergente em pó (limpeza) e cerveja (bebidas).

“Fiquei chocada com o resultado. É uma queda bem forte que ocorreu em todas as classes sociais e regiões do País”, afirma Giovanna Fisher, diretora da consultoria e responsável pela pesquisa.

Semanalmente, equipes da consultoria visitam 11,3 mil domicílios para tirar a temperatura do consumo a partir do tíquete de compra da família. A amostra retrata as compras de 55 milhões de domicílios ou 90% potencial de consumo do País.

Classe C. A classe C foi a que mais retraiu o consumo no bimestre e o interior do Estado de São Paulo, por concentrar uma grande fatia dessa população, foi a região que registrou a maior queda, seguida pelas regiões Norte e Nordeste.

O que chama também a atenção nos resultados é que, além de ir menos vezes às compras, a cada ida ao supermercado o consumidor levou uma quantidade menor de produtos para casa. Esse movimento traduzido em números significou uma queda de 2,2% na frequência de compras no bimestre em relação ao ano anterior e redução 5,7% no número de unidades adquiridas a cada compra.

Giovanna explica que até pouco tempo atrás a frequência permanecia estável ou apresentava um pequeno recuo. Mas quando o brasileiro fazia as compras ele levava para casa uma quantidade de produtos maior. “Antes, as pessoas compensavam com volumes médios maiores a ligeira redução na frequência de compras. Com isso, o volume total consumido se mantinha estável e agora, não.”

Dados nacionais de vendas dos supermercados confirmam esse movimento. A receita real de vendas acumulada no ano, que crescia 2,95% em janeiro ante o mesmo mês de 2018, desacelerou para 2,51% no primeiro bimestre, segundo a Associação Brasileira de Supermercados. Na divulgação dos resultados no início do mês, João Sanzovo Neto, presidente da entidade, atribuiu parte do enfraquecimento no ritmo de vendas à lenta recuperação da economia e ao desemprego elevado.

Inflação

A virada que houve na inflação de alimentos e bebidas explica, na opinião do economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Fabio Bentes, boa parte da freada nas compras. “A inflação vista por dentro mudou muito”, diz.

Alimentos e bebidas respondem por quase 25% dos gastos das famílias e são a maior fatia do orçamento. Ao longo de 2017 e parte de 2018, os preços dos alimentos e bebidas ajudaram a segurar a inflação geral. Enquanto a inflação, fechou 2017 em 2,95%, alimentos e bebidas tiveram deflação de 1,87%.

Em 2018, a inflação em 12 meses de alimentos e bebidas correu abaixo da inflação geral até outubro. A partir de novembro, a inflação de alimentos e bebidas acumulada em 12 meses superou a inflação geral, mês a mês, até atingir o pico em março. No mês passado, a inflação geral em 12 meses chegou a 4,58% e a inflação de alimentos e bebidas atingiu 6,73%, a maior variação em 12 meses desde dezembro de 2016 (8,61%).

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13 comentários

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Carlos

15 de abril de 2019 às 10h12

Acostumem se , afinal a proposta era essa e a maioria votou por ela . E observem que isso é só o começo , esperem e verão como já está bem pior e ninguém quer perceber ! o Futuro cobrará essa conta !

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Paulo

14 de abril de 2019 às 20h43

A situação ainda é muito crítica. Espero que Bolsonaro não acredite (acriticamente) no conto de fadas do Chicago-Boy e que tenha comedimento diante da situação social por que passa o Brasil. Se a Reforma da Previdência e a liquidação do que restou dos direitos trabalhistas passarem, na forma preconizada, teremos problemas…

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    lucio

    15 de abril de 2019 às 07h38

    applausos.
    o problema é que a agenda do chicago boy e o anulamento dos direitos trabalhistas sao os principais objetivos pelos quais o bolsosauron foi colocado onde está.
    a agenda “cultural” dele é só besteiras para atrair votos conservadores.
    a agenda “segurança-anticorrupçao” é só para dar risadas.

    Responder

Zé Maconha

14 de abril de 2019 às 18h36

Como presidente realmente não mas como deputado que apoiou o golpe contra Dilma e a reforma trabalhista ele tem culpa sim.

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    Sergio Araujo

    14 de abril de 2019 às 19h34

    Quem voce votou e assaltou os cofres publicos por anos nào tem culpa de nada…?

    Responder

      Carlos Eduardo

      15 de abril de 2019 às 00h46

      Cite um presidente que não tenha assaltado os cofres públicos por anos se for capaz.

      Responder

        Sérgio Araújo

        15 de abril de 2019 às 07h46

        Lula,

        Me desminta se for capaz… !!

        Responder

          Carlos Eduardo

          15 de abril de 2019 às 08h26

          Nem esse, nem nenhum outro.

          Me desminta se for capaz.

          Responder

            Sergio Araujo

            15 de abril de 2019 às 08h54

            Nào sou capaz infelizmente, me perdoe mas tenho meus limites…pra mim foi o Lula.

            Responder

        Saint

        15 de abril de 2019 às 13h28

        Itamar Franco

        Responder

          Paulo

          15 de abril de 2019 às 19h11

          Esse mesmo! O único…

          Responder

Alan C

14 de abril de 2019 às 16h23

Até concordo que não dá pra colocar tudo na conta do palhaço bozo, mas é dever dele vir a público dizer quais serão as medidas econômicas para conter este cenário.

Ele vai fazer isso? Ou não??

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Zé Maconha

14 de abril de 2019 às 14h15

Mentira!
Isso é delírio da esquerda.
Bolsonaro é um gênio e seu governo sólido como uma rocha.

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