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Reforma de Bolsonaro pode impedir aposentadorias rurais

Por Redação

23 de maio de 2019 : 13h12

22/05/2019 – 21h05
Deputados e especialista indicam que reforma da Previdência pode impedir aposentadorias rurais

Representante do governo afirma que há muitas mentiras sobre trabalhadores rurais sendo disseminadas, como menor expectativa de sobrevida, início do trabalho mais cedo e situação de extrema pobreza

Deputados e entidade de direito previdenciário afirmam que novas regras podem impedir trabalhadores rurais de se aposentar, mas governo ressalta que a proposta de reforma da Previdência (PEC 6/19) é baseada em dados e não mentiras.

O assunto foi debatido nesta quarta-feira (22) em audiência pública da comissão especial que analisa a matéria.

Para a presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Jane Lúcia Berwanger, o pagamento de R$ 600 fixos por ano, por núcleo familiar, previsto na reforma, ignora a instabilidade da produção no campo, por questões climáticas ou pragas.

“Se colocasse para o trabalhador escolher se prefere pagar 3% ou 4% do faturamento anual, em vez de pagar uma contribuição fixa, certamente ele iria preferir a primeira opção, porque ele não sabe quanto vai ganhar com a venda da produção”, disse.

Berwanger disse que as regras podem fazer com que os trabalhadores rurais sejam jogados na miserabilidade e precisem recorrer ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “Temos de decidir se vamos valorizar o trabalho rural ou se vamos dar esmola para essas pessoas.”

A especialista alertou ainda para o risco de generalização sobre fraudes no setor. Ela explica que os 97 mil indícios de fraude em aposentadorias rurais apontados por auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) representam 1% do total de 9,5 milhões de benefícios concedidos. Para o deputado Vinícius Poit (Novo-SP), porém, o sistema atual acaba produzindo injustiças e favorece fraudes. “Os bons pagam pelos ruins e isso é muito duro e injusto”.

Contra as mudanças
Deputados de vários partidos se posicionaram contra as mudanças. O deputado Heitor Schuch (PSB-RS) afirmou que a contribuição obrigatória é um problema para boa parte dos agricultores rurais. “No ano que não chove e que não tem safra, como é o caso do Nordeste? Como fazer”, indagou. Ele fez um apelo para que os trabalhadores rurais ficassem de fora da reforma.

O deputado Beto Pereira (PSDB-MS) afirmou que o partido já se posicionou a favor de retirar a aposentadoria rural e o Benefício da Prestação Continuada (BPC) da proposta.

As análises do Executivo estão descoladas da realidade, na opinião do deputado Bira do Pindaré (PSB-MA). “Uma coisa é olhar os números na frieza do ar condicionado e outra é a realidade que a gente vive. Conversem com as pessoas e acabem com o discurso de fraude, porque fraude há em todo lugar. Se fraude for critério, vamos fechar as portas de tudo.”

O deputado José Guimarães (PT-CE) afirmou que as mudanças da PEC aumentarão a pobreza rural. “O direito à aposentadoria é clausula pétrea.”

Em março, treze partidos se posicionaram contra a inclusão da aposentadoria rural na reforma.

Dados do governo
Representante do governo na audiência, o secretário especial adjunto de Previdência e Trabalho no Ministério da Economia, Bruno Bianco, afirmou que as mudanças propostas na reforma da Previdência (PEC 6/19) são baseadas em dados e não mentiras.

Segundo Bianco, “muita mentira é dita em relação ao trabalhador rural”. Ele cita, por exemplo, a diferença na expectativa de sobrevida. “No urbano e no rural é muito próxima”, disse. Bianco também destacou que 3 em cada 4 trabalhadores que começam a trabalhar antes dos 14 anos moram nas cidades e não no campo. E que a maioria (60%) dos que vivem em extrema pobreza também estão em ambiente urbano. “Peço perdão pela palavra, mas é mentira e temos de desdizer todas as falsidades que se dizem em relação ao rural. É nossa função enquanto governo desdizer essas falácias.”

O secretário afirmou que a mudança sugerida na reforma vai fazer com que o trabalhador rural tenha acesso a outros benefícios previdenciários, como auxílio-doença e salário-maternidade. “Hoje o rural é excluído do sistema. Ele só nasce para o INSS quando se aposenta.”

A reforma estabelece idade mínima de 60 anos para trabalhadores e trabalhadoras rurais. Hoje, as mulheres do campo se aposentam aos 55 anos. A proposta também amplia de 15 para 20 anos o tempo de contribuição para os dois sexos. As mudanças serão feitas gradativamente, segundo a PEC, até atingir os valores pretendidos em 2030.

Além disso, os segurados especiais (trabalhadores rurais e pescadores artesanais) vão precisar pagar pelo menos R$ 600 por ano referente ao faturamento da produção.

“O rural já contribui para o sindicato com R$ 20 por mês por pessoa, na média. Portanto, eles já pagam para o sindicato mais do que pagarão para a Previdência”, ponderou Bianco. Segundo ele, o governo chegou ao valor da contribuição de R$ 600, por núcleo familiar, a partir do cálculo do faturamento médio de agricultores familiares nos últimos anos.

O governo pretende economizar R$ 92 bilhões em 10 anos com as mudanças de aposentadoria para os segurados especiais, ou 7,5% dos R$ 1,2 trilhão desejados pelo Executivo.

Íntegra da proposta:

PEC-6/2019

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Geórgia Moraes

Agência Câmara Notícias

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4 comentários

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Paulo

23 de maio de 2019 às 18h51

O único mérito que vejo nessa proposta dos rurais é a igualdade na idade mínima entre homens e mulheres. Por que será, já que alegam que a mulher tem jornada dupla na cidade? E no campo não tem?

Responder

    Paulo

    23 de maio de 2019 às 19h04

    Outra coisa, 60 anos não é muito, não. Acho justo, desde que não se exija contribuição, mas apenas demonstração do trabalho de forma segura, uma vez que o recolhimento pelo empregador, no meio rural, é raro…

    Responder

Alan C

23 de maio de 2019 às 13h46

Algum maluco que apoia esse desgoverno de psicopatas poderia explicar:

1) Pq que esta reforma é boa?

2) Pq ela tira mais de quem tem menos e tira menos de quem tem mais?

3) Pq dizem que esta reforma é a única saída pras contas públicas se este desgoverno continua com as renúncias fiscais, lucros dos bancos (assim como o governo do PT), Refis para grandes corporações e perdão de dívidas?

4) Se as contas estão ruins pq não apresentar proposta de cobrança de lucros e dividendos dos bancos e mega empresas?

5) Há alguma proposta para acabar de vez com a farra iniciada nos governos do PT e pós-golpe de tráfico de influência e informação privilegiada entre bancos privados e Banco Central?

6) Há proposta para acabar com a DRU de 30% e o pagamento de rolagem e juros da dívida que só enriquecem os bancos e empobrecem o povo?

Teria mais perguntas, mas vamos ficar nessas seis por enquanto, mesmo que não haja nenhuma resposta….

Responder

    Paulo

    23 de maio de 2019 às 18h50

    Porque ela é boa para os banqueiros…

    Responder

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