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A pesquisa Ibope sobre a reforma da previdência

Por Redação

20 de junho de 2019 : 11h17

No site do Ibope

Para 79% da população, políticos, servidores públicos e trabalhadores da inciativa privada devem seguir as mesmas regras de aposentadoria

Pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência em todo o Brasil, com 2002 entrevistados, avaliou a opinião dos brasileiros a respeito da atual Reforma da Previdência. O estudo foi feito a pedido do Centro de Liderança Pública (CLP).

Quando questionados sobre a distinção ou não das regras de aposentadoria para políticos, servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada, 79% afirmam que a Reforma da Previdência deve propor regras iguais para todos eles, 18% entendem que as regras devem ser diferentes e 4% não sabem ou não respondem.

Analisando os resultados pelos segmentos sociodemográficos da pesquisa, nota-se que os que mais consideram que as regras de aposentadoria devem ser iguais para políticos, servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada são aqueles com escolaridade média (82%) ou superior (85%), os que residem no Sudeste (84%), os que vivem nas capitais brasileiras (82%), aqueles que moram em municípios com mais de 500 mil habitantes (83%) e os que declaram renda familiar mensal de mais de 2 a 5 salários mínimos (85%) e de mais de 5 salários mínimos (86%).

POSICIONAMENTO SOBRE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Questionados sobre a opinião que têm a respeito da reforma, considerando tudo aquilo que viram ou ouviram falar sobre o assunto até o momento, metade (49%) dos entrevistados se posiciona contra a Reforma da Previdência, sendo 16% deles parcialmente e 33% totalmente contrários a ela. Aqueles que declaram ser favoráveis são 44% da amostra, dos quais 16% parcialmente a favor e 25% totalmente. Os entrevistados que não sabem ou preferem não opinar somam 7%.

Considerando a soma dos que se posicionam parcialmente ou totalmente contrários à reforma, destacam-se as mulheres (54%), os que têm de 35 a 44 anos (53%) e de 45 a 54 anos (52%), os que residem no Nordeste (61%), os que moram nas cidades da periferia (52%) e aqueles com renda familiar de até 1 salário mínimo (55%) e de mais de 1 a 2 salários mínimos (53%).

A respeito da favorabilidade, observa-se que quanto maior a escolaridade e a renda familiar, mais favoráveis à Reforma da Previdência os entrevistados se mostram. Ademais, sobressaem os homens (51%) e os que residem nas regiões Sudeste, Norte/Centro-Oeste e Sul (49%, 48% e 47%, respectivamente).

Falando especificamente sobre a idade mínima, a maioria (62%) dos brasileiros aprova que homens que trabalham tanto no setor público quanto no privado se aposentem com a mesma idade mínima (65 anos) e parcela similar (61%) aprova que mulheres de ambos os setores se aposentem aos 62 anos. A mesma proporção (58%) de entrevistados aprova a aposentadoria dos professores aos 60 anos de idade.

CONCORDÂNCIA COM FRASES

Algumas frases foram apresentadas aos entrevistados para que eles dissessem se concordam ou discordam (totalmente ou em parte) com cada uma delas.

A grande maioria (82%) concorda que “Toda a população deve se esforçar para garantir as aposentadorias das futuras gerações”. Os que concordam totalmente são 63%, enquanto 19% concordam em parte. Aqueles que discordam (totalmente ou em parte) são 15%, os que não concordam, nem discordam representam 2% e 3% preferem não responder.

Parcela significativa (75%) concorda que “Para garantir as aposentadorias no futuro, deve ser estabelecida uma idade mínima para se aposentar”, sendo que 55% concordam totalmente e 20% concordam em parte. São 20% os que discordam totalmente ou em parte a respeito do estabelecimento de uma idade mínima, enquanto 2% nem concorda, nem discorda e outros 2% não opinam.

A maioria da população (61%) se mostra preocupada com o impacto direto que a reforma terá no recebimento dos benefícios. Quando se apresenta a afirmação “Minha principal preocupação com a Reforma da Previdência é como isso irá impactar diretamente o recebimento dos meus benefícios”, 40% declaram concordar totalmente com ela, 21% dizem que concordam em parte, 3% não concordam, nem discordam, 12% discordam em parte e 20% discordam totalmente dela. Os que não sabem responder representam 5%.

A mesma parcela (61%) dos entrevistados entende que “É importante que a contribuição do INSS seja maior para quem ganha salários mais altos e menor para quem ganha salários mais baixos”. Desse total, 51% afirmam concordar totalmente com esta frase e 10% concordam em parte com ela. Pouco mais de um terço (35%) discorda que a contribuição do INSS deva ser maior ou menor a depender do salário, enquanto 1% não concorda, nem discorda a respeito e 2% não sabem responder.

Para metade (51%) dos entrevistados “Professores devem se aposentar mais cedo que outros trabalhadores”, sendo 38% os que concordam totalmente com isso e 13% os que concordam em parte. Já os que discordam totalizam 45%, dos quais 12% discordam parcialmente e 33% discordam totalmente. Aqueles que não concordam, nem discordam dela são 3% e os que preferem não opinar 1%.

Metade (50%) dos entrevistados também concorda que “Os benefícios de quem já está aposentado devem ser pagos com o dinheiro dos trabalhadores que estão contribuindo com a Previdência hoje”, sendo que 33% concordam totalmente e 17% concordam em parte. Cerca de 4 em cada 10 brasileiros discordam a respeito (13% em parte e 31% discordam totalmente), 3% não concordam, nem discordam e 3% não sabem ou não respondem.

São 5 em cada 10 entrevistados que concordam com a afirmação “Prefiro manter as regras atuais de aposentadoria do que garantir com as mudanças recursos para investir 10 vezes mais no Bolsa Família”. São 33% os que concordam de maneira total com a frase e 17% os que concordam parcialmente. Aqueles que discordam totalizam representam 44% da amostra (15% discordam em parte e 29% discordam totalmente. Os que não concordam, nem discordam totalizam 3% e 4% não sabem ou não respondem.

Por fim, observa-se alto percentual de discordância (84%) frente à afirmação “Para garantir a minha aposentadoria hoje, deixaria as futuras gerações do país sem aposentadoria”, sendo que 16% discordam em parte e 68% discordam totalmente. Aqueles que concordam totalmente ou em parte representam 11% da amostra, 3% não concordam, nem discordam sobre isso e outros 3% não opinam.

O gráfico a seguir apresenta as frases organizadas pela taxa de concordância (da maior para menor):

Outras duas frases foram apresentadas aos entrevistados como forma de verificar se aceitariam ou não mudanças nas regras de aposentadoria tendo como contrapartida melhores taxas de juros e inflação, além de mais empregos. Observa-se que 58% dos entrevistados aceitariam mudanças nas regras da aposentadoria se conseguissem taxas de juros mais baixas, menor inflação e mais emprego, ao passo que 37% declaram que não aceitariam as mudanças, mesmo que as novas regras pudessem proporcionar taxas de juros menores, menor a inflação e aumento do emprego. Ainda, são 2% os que não concordam com nenhuma das duas e 3% não sabem ou deixam de opinar.

A aceitação da mudança das regras da aposentadoria em prol de melhora em indicadores econômicos e do emprego é maior entre os moradores do Sudeste (63%), entre aqueles com 25 a 44 anos (61%), entre os moradores das capitais (63%), aqueles que residem em municípios de mais de 500 mil habitantes (61%) e entre os que se posicionam a favor da Reforma da Previdência (72%). Os homens demonstram maior disposição a mudança das regras, em comparação as mulheres (60% e 55%, respectivamente). Além disso, a aceitação aumenta quanto maior é a escolaridade e a renda familiar do entrevistado.

Por outro lado, o Nordeste é a região que menos se dispõe a aceitar a mudança sob quaisquer condições (43%), assim como os que têm de 45 a 54 anos (41%), os moradores das cidades da periferia (44%) e os que são contra a Reforma da Previdência (49%).

DESTINO DO DINHEIRO DA ECONOMIA GERADA COM A REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Considerando a previsão de alguns especialistas de que a Reforma da Previdência irá economizar aproximadamente R$ 1,2 trilhão em dez anos, o presente estudo consultou os brasileiros para saber qual o melhor destino deste dinheiro. Para 77% ele deve ser investido em saúde, segurança, educação, transporte e obras pelo país, 19% creem que deve ser utilizado para pagar as aposentadorias e 4% não sabem ou preferem não responder esta pergunta.

A opinião de que o dinheiro economizado com a Reforma da Previdência deve ser investido em saúde, segurança, educação, transporte e obras aumenta quanto mais jovens são os entrevistados e é mais acentuada entre aqueles que possuem ensino fundamental completo e médio (82% cada), entre os que moram nas regiões Norte/Centro-Oeste (82%), os moradores das cidades da periferia (82%), aqueles que residem em municípios de com mais de 50 mil até 500 mil habitantes (80%), entre quem tem renda familiar de 2 a 5 salários mínimos por mês (80%) e entre os favoráveis à Reforma da Previdência (81%).

REPARTIÇÃO x CAPITALIZAÇÃO:

A alteração do sistema de arrecação para o INSS também foi colocada sob o crivo dos entrevistados. A população se mostra dividida quanto ao sistema de sua preferência: 46% optam pelo sistema atual (repartição), 45% preferem o sistema de capitalização e 9% não sabem ou não preferem não opinar. Para responder a esta pergunta, uma cartela explicando o conceito de cada sistema foi apresentada aos entrevistados.

A preferência pela repartição é mais expressiva entre quem possui de 45 a 54 anos (50%), entre os que têm ensino fundamental (50%), entre os nordestinos (53%), entre os moradores de capitais e das cidades da periferia (49% cada), entre os que vivem nas cidades com mais de 500 mil habitantes (50%) e entre os que são contra a Reforma da Previdência (58%).
A capitalização é mais mencionada pelos homens (49%), pelos jovens (57%), por quem tem ensino médio ou superior (53% e 51%, respectivamente), pelos moradores das regiões Norte/Centro-Oeste (51%), por aqueles que têm renda familiar mensal acima de 2 a 5 salários mínimos e acima de 5 salários (50% e 51%, respectivamente) e por quem é a favor da reforma (59%).

Apresentação da pesquisa.

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