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Estadão sobre o desemprego crônico: “desastre social de proporções ainda desconhecidas

Por Redação

18 de agosto de 2019 : 12h34

No Estadão
Desempregados crônicos
Não há muito o que comemorar nos dados sobre o desemprego divulgados pelo IBGE

Notas e Informações, O Estado de S.Paulo
18 de agosto de 2019 | 03h00

Não há muito o que comemorar no conjunto de dados sobre o desemprego divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto mostram um recuo de 0,7 ponto porcentual na taxa de desocupação entre o primeiro e o segundo trimestre do ano e de 0,4 ponto em relação ao segundo trimestre do ano passado, fechando em 12%, as estatísticas do segundo trimestre indicam que o desemprego e o subemprego estão se transformando em condição permanente para uma parcela cada vez maior da população.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral do IBGE do segundo trimestre revela que 26,2% dos desempregados estão procurando emprego há pelo menos dois anos. Em números absolutos, são 3,3 milhões de brasileiros que não conseguem ocupação embora queiram trabalhar. É o maior contingente desde 2012 – de lá para cá, esse exército de desempregados crônicos cresceu nada menos que 120%, segundo as contas do IBGE.

A tendência de crescimento dessa parcela de desempregados vem se verificando desde 2015, mas o salto atual é especialmente expressivo. Entre os que estão procurando emprego há mais de um e menos de dois anos, houve aumento de 80,2% em relação a 2012. No mesmo período, o contingente dos que procuram emprego sem sucesso há mais de um mês e menos de um ano cresceu 52,5%.

Tudo isso indica clara deterioração das condições do mercado de trabalho em especial para a parte mais vulnerável e menos preparada da população, justamente a que mais sofre com o desemprego por não contar com reservas financeiras nem ter serviços públicos adequados para melhorar sua condição de vida.

Outros dados da pesquisa corroboram essa dramática constatação. Dos desempregados no segundo trimestre, 55,5% tinham concluído pelo menos o ensino médio. Ou seja, mesmo alcançando algum grau de instrução, essa parcela da população tem dificuldade para encontrar trabalho. Tal falta de perspectiva certamente colaborará de maneira decisiva para o aumento do contingente de desalentados – formado pelos que não procuraram emprego no período de referência da pesquisa por se considerarem muito jovens, muito idosos ou pouco experientes, ou ainda por acreditarem que não encontrarão oportunidade de trabalho. Os desalentados chegaram a 4,9 milhões de pessoas, que representam 4,4% da força de trabalho, recorde na série histórica, segundo o IBGE.

Com isso, consolida-se a exclusão praticamente definitiva de uma parcela cada vez maior da população do mercado de trabalho, por significativa falta de condições de disputar as poucas vagas disponíveis. Dos 37,9% de brasileiros em idade de trabalhar que não procuram emprego (e, portanto, não entram na estatística de desemprego), nada menos que 52,2% não tinham concluído nem sequer o ensino fundamental. São pessoas que só terão alguma renda se tiverem assistência do Estado. Não por outra razão, pesquisa recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com base em dados de emprego e renda do primeiro trimestre constatou que em 22,7% dos domicílios no País não há um único morador com renda gerada pelo trabalho. Eram 19% no início de 2014, e a tendência é de que a alta continue.

Somando-se os desempregados e os subutilizados – isto é, que trabalham menos do que gostariam e poderiam -, chega-se a 24,8% da força de trabalho. Como o governo federal ainda não tomou nenhuma medida efetivamente capaz de estimular a geração de empregos no País, os brasileiros que integram esse contingente se viram como podem. Nada menos que um quarto da população ocupada era de trabalhadores por conta própria. Não se trata, obviamente, de algum surto de empreendedorismo no Brasil, e sim de recurso desesperado a atividades de baixíssima e incerta remuneração, num mercado de trabalho cada vez mais seletivo e desafiador.

Trata-se de um desastre social de proporções ainda desconhecidas. Portanto, está mais do que na hora de o presidente Jair Bolsonaro começar a acreditar nos números que lhe mostram a dura realidade da conjuntura nacional sob seu governo e deixar de ser indiferente ao padecimento dessa crescente massa de brasileiros sem perspectiva de trabalho.

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6 comentários

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Marcio

19 de agosto de 2019 às 17h48

A taxa de desemprego do Brasil (que onde nem esgotos tem não sei quanto as estatísticas e dados oficiais podem ser reais o chegar perto da realidade) é similar a de alguns países desenvolvidos da Europa, que em alguns casos (entre os jovens) chega e ultrapassa o 30%.

Vonheço varias pessoas formalmente desempregadas mas que trabalham desde sempre por conta própria e sem cnpj.

O mercado do trabalho dos últimos anos mudou bastante e quem não possui um mínimo de especialização ou sabe acender um computador dificilmente vai conseguir um emprego formal, nem hoje, nem amanhã e nem nunca.

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Marcio

19 de agosto de 2019 às 14h24

Maior responsavèl pela situaçào economica atual segundo pesquisa, grafico n°2:

https://www.ocafezinho.com/2019/08/09/rejeicao-a-bolsonaro-sobe-a-38/#comment-603750

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Alan C

19 de agosto de 2019 às 13h20

Faz arminha que o emprego volta, rs.

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    Doda

    20 de agosto de 2019 às 10h20

    Nem com a arminha pior ainda com o gesto de retardado do “L” com a mão…

    Responder

Paulo

18 de agosto de 2019 às 21h19

Se houver recessão global a coisa vai piorar muito. E o Chicago Boy quer ressuscitar a Capitalização. Canalha!

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Ginah

18 de agosto de 2019 às 13h06

O golpista Estadão reclamando do seu candidato?! Ele também é responsável pela deterioração, no mínimo deve desculpas ao povo brasileiro. Quantos não haviam alertado para o caos. Ah, mas o Bozo já comprou a reforma da previdência, agora se tornou um inútil.

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