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#VazaJato: atual chefe do Coaf violou sigilo de contribuintes para ajudar Dallagnol

Por Redação

18 de agosto de 2019 : 12h56

Intercept e Folha publicaram hoje reportagem simultâneas sobre o mesmo assunto.

A matéria do Intercept intitula-se ‘OLHADA INFORMAL’: Lava Jato usava chats para pedir dados fiscais sigilosos sem autorização judicial ao atual chefe do Coaf.

A da Folha é: “Lava Jato driblou lei para ter acesso a dados da Receita, mostram mensagens”.

Ambas trazem vazamentos de mensagens trocadas entre Dallagnol e outros procuradores da Força-Tarefa e Roberto Leonel, atual chefe do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), o poderoso órgão do Ministério da Fazenda com poder para monitorar as transações bancárias de todos os brasileiros.

Na época das mensagens, Roberto Leonel era chefe da área de inteligência da Receita em Curitiba, função que exerceu até 2018, antes de ser chamado por Sergio Moro, já na gestão do governo Bolsonaro, para assumir a presidência do Coaf.

Nas mensagens, Dallagnol pede a Roberto Leonel para burlar a lei e obter informações sigilosas da Receita Federal.

Um dos casos em que Dallagnol pede a Leonel para passar por cima da lei e dar uma “olhada informal” é sobre “Maradona”, caseiro do sítio de Atibaia, pivô da segunda condenação de Lula na Justiça do Paraná.

Os procuradores da Lava Jato, a julgar pelas mensagens vazadas, não se preocupavam muito em seguir os rigores da lei. O rigor que eles demonstravam contra o crime alheio foi muito diferente da leveza com que praticavam os métodos mais reprováveis de investigação.

Abaixo, dois conjuntos de mensagens vazados pelo Intercept:

A Folha, no entanto, resolveu puxar o freio em seus ataques a Sergio Moro, e publicou entrevista com Luiz Carlos Dias Torres, um advogado amigo e admirador da Lava Jato, que afirma não ver nada demais nas mensagens vazadas.

É uma entrevista feita inteiramente para neutralizar a Vaza Jato. Torres lança frases como: “nunca presenciei nenhum tipo de falta de imparcialidade de Moro”, “só não acho que essas mensagens tenham essa relevância toda”, “não revelam falta de imparcialidade do Moro”, “revelam comunicações com o Ministério Público, que são normais”.

Entretanto, quando o repórter aperta um pouco o advogado, ele muda o tom:

Folha: Mas à medida que ele sugere uma testemunha durante uma investigação, auxilia em relação a como uma procuradora reage durante a inquirição…

Torres: Você está me pedindo para comentar uma mensagem que eu nem sei se é verdadeira, que nem sei se foi trocada. Tenho uma reserva muito grande em relação ao conteúdo dessas mensagens porque elas foram obtidas criminosamente.

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