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A privatização da Eletrobras e o futuro das comunicações no Brasil

Por Tiago Bitencourt Vergara

19 de agosto de 2019 : 22h10

Quando tudo for privado, seremos privados de tudo

Existe algo escondido de você no processo de privatização da Eletrobras. No ditado popular, se diz que “o que o olho não vê, o coração não se sente”.

Precisamos falar um pouco sobre o que o seu olho não vê quando olha para um sistema de transmissão de energia elétrica no nosso país. Ao olhar para as torres de transmissão, você tem apenas a ideia de que ela transporta energia elétrica. Mas há algo mais naquela paisagem do que apenas energia elétrica sendo transmitida. Vamos conversar sobre qual riqueza mais está contida nos ativos da Eletrobras e que tem tudo a ver com a privatização da maior empresa de geração e transmissão de energia da América Latina.

Do quê estou falando? Para entender, vamos iniciar pela construção de alguns elementos técnicos.

Se um raio atingisse uma linha de transmissão, os equipamentos que permitem que a energia seja transmitida em longas distâncias poderiam se danificados. Os cabos, as torres, os isoladores, transformadores, todo esse sistema caro estaria em risco. Então é preciso instalar um dispositivo de segurança para que os raios não atinjam as linhas de transmissão que percorrem milhares de quilômetros para levar energia de onde ela é gerada até os grandes centros urbanos e industriais onde esta energia é consumida.

Este dispositivo de segurança se chama para-raio. Os para-raios em linhas de transmissão são diferentes dos para-raios instalados em prédios, casas, escolas. Os para-raios das linhas são cabos, que percorrem toda a extensão da linha, junto aos condutores de energia, logo acima deles. Estes cabos são ligados diretamente na estrutura da torre de transmissão permitindo que a alta voltagem do raio escoe para a terra sem entrar em contato com os cabos condutores de energia. Sempre que você olhar uma torre de transmissão, verá nela pelo menos três cabos condutores que fazem parte do sistema trifásico brasileiro e logo acima, você verá dois cabos, que nada mais são do que os cabos para-raios da linha de transmissão, que não tem a função de transmitir energia, mas de proteger os condutores dos raios. Esta é a função principal destes cabos.

Mas se no interior deles, nós pudéssemos colocar algo que fosse útil para melhor aproveitar esta instação? Se pudéssemos instalar no interior dos cabos para-raios uma fibra óptica para um sistema de transmissão de dados mais eficiente para as transmissoras de energia? Mais que isso, se além de uma, nós ainda pudéssemos instalar mais uma só para o sistema de comunicação das universidades?

As fibras opticas, funcionam com a luz, elas transmitem dados através de impulsos de luz. A capacidade de transmissão de dados de uma fibra optica depende do equipamento instalado nas suas extremidades. A capacidade de decodificar os impulsos opticos em informações é o que limita a capacidade de transmissão de dados das fibras. Com o passar do tempo, com o avanço da tecnologia, os equipamentos vão aumentando esta capacidade. O que se fala é que um par de fibra seria suficiente para transmitir todos os dados do país. Apenas um par.

Para aumentar a segurança em um sistema de comunicação de dados, devido a possibilidade de rompimento, dano em algum equipamento, falha etc, os circuitos opticos são fortalecidos pela ligação chamada em anel.

Um anel optico é um circuito que é fechado nas extremidades com a conexão de uma ponta com a outra. Isso pode ser realizado em um laboratório de informática, em uma fábrica e até mesmo em uma região do país. Caso uma parte do circuito se rompa, a informação continua sendo transmitida por que ela “vem pelo outro lado”.

Caso não houvesse um anel optico, ao se romper uma fibra em um determinado sistema de transmissão de dados, a informação deixaria de ser transmitida até que o reparo fosse realizado. Os aneis opticos aumentam significativamente a segurança do sistema de comunicação.

Quantos pares de fibra existem nos cabos para-raios das linhas de transmissão? O cabo pára-raio utilizado nas linhas de transmissão do sistema Eletrobras, são OPGW. São cabos onde estão instaladas 48 fibras opticas.

Atualmente o sistema Eletrobras tem sete aneis opticos no país, realizados por região em um sistema altamente seguro, forte e com capacidade quase infinita de transmissão de dados, sejam eles quais forem. São 16 mil quilômetros de fibras instaladas interligando 18 estados no Brasil. A empresa que faz a gestão destas fibras é a Eletronet.

O plano dos governos Lula e Dilma era de utilizar esta estrutura de comunicação para universidades, hospitais e promover a popularização da internet em banda larga para todo o povo brasileiro utilizando esta rede já instalada.

Mas o que os capitalistas do mercado financeiro e de empresas privadas querem com a privatização da Eletrobras além de se apossar energia elétrica enquanto riqueza? Eles querem explorar ainda mais o povo.

Você acha barata a sua conta de telefone? Acha barato o provimetno de serviço de internet atualmente? Não consegue assistir a tudo que gostaria por que seus dados são limitados? Saiba que toda esta estrutura poderia estar à sua disposição, por que esta riqueza já está instalada, com o seu dinheiro e para a sua comodidade. Ela ainda não está à sua disposição por que o processo de popularização da comunicação no Brasil foi interrompida em 2016 com o golpe que tirou a Dilma do poder.

Portanto, se ocorrer a privatização da Eletrobras, você vai continuar pagando caro por todos estes serviços sem nunca ter provado a possibilidade de algo diferente. Já pensou? Internet com baixo custo sem limite de dados? Telefone à vontade para falar com a sua família?

Mas a ganância capitalista impede que você tenha acesso a este tipo de informação. Assim, eles podem vender estes serviços ao preço que quiserem para você.

Privatizar a Eletrobras, vai impedir que você tenha acesso a uma banda larga decente e com preço baixo.

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