Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Chomsky defende Ciro como liderança da oposição

Por Redação

04 de setembro de 2019 : 12h52

O linguista e pensador norte-americano Noam Chomsky, que é casado com uma brasileira, e tem sido um observador atento da cena nacional, deu uma entrevista ao Estadão na qual afirma que é preciso reagir à apatia produzida pela “dependência excessiva do PT”, num momento em que o partido ficou “desgastado, parte por motivos certos, parte por má propaganda”.

A defesa da liberdade de Lula, considerado por Chomsky como o principal preso político do mundo hoje, por sua vez, não pode ser deixada de lado.

Perguntado sobre nomes que poderiam liderar a oposição, o linguista defende Ciro:

“Um líder dinâmico como Ciro Gomes poderia muito bem organizar, liderar e desenvolver uma coalizão de centro-esquerda para fazer uma oposição poderosa às políticas perigosas do governo Bolsonaro”, disse.

No Estadão

Dependência do PT levou oposição à apatia, afirma Noam Chomsky

Para linguista norte-americano, partido ficou desgastado e Ciro é ‘líder dinâmico’ capaz de liderar centro-esquerda

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2019 | 08h00

Em entrevista ao Estado concedida na noite de segunda-feira, 2, quando participou do ato de lançamento de um movimento de oposição ao governo Jair Bolsonaro, em São Paulo, o linguista norte-americano Noam Chomsky, de 90 anos, disse que a dependência excessiva do PT, hoje desgastado, levou a oposição a uma situação de apatia diante das políticas “perigosas” do governo.

Chomsky, que é considerado uma das principais referências acadêmicas da esquerda mundial, disse que o ex-ministro e candidato derrotado à Presidência pelo PDT em 2018, Ciro Gomes, é um “líder dinâmico” com boas condições de encabeçar uma frente de centro-esquerda capaz de se contrapor a Bolsonaro.

Segundo o linguista, a falta de eficácia da oposição em relação às pautas do governo é uma consequência da centralidade que o PT ocupou nos últimos anos.

“Infelizmente, o componente central da esquerda é o PT e o partido ficou desacreditado, parte por motivos certos, parte por má propaganda e campanhas ultrajantes nas redes sociais das quais não se recuperou”, disse Chomsky.

O partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, tem a maior bancada entre os partidos de oposição na Câmara, com 54 deputados, além de quatro governadores e o segundo colocado na eleição presidencial do ano passado, Fernando Haddad, que teve 47 milhões de votos, mas tem colecionado derrotas nas votações de medidas importantes como a reforma da Previdência e se isolado em relação a setores da oposição que rejeitam a pauta do ‘Lula Livre’.

Para Chomsky, o foco da oposição deve ser o combate às políticas de Bolsonaro, mas a esquerda não pode deixar de lado a defesa da liberdade de Lula que, segundo ele, é hoje o “mais importante preso político do mundo”.

“O papel da oposição é combater políticas muito perigosas, como a destruição da Previdência. O PT não teve uma posição forte e unitária e faltou explicar isso à população. Isso deveria ser complementar ao esforço de libertar Lula, que é o prisioneiro político mais importante do mundo”, disse o norte-americano.

Perguntado sobre quem estaria em condições hoje de liderar uma oposição mais eficaz, Chomsky disse que Ciro reúne as condições necessárias para compor uma frente de centro-esquerda.

“Um líder dinâmico como Ciro Gomes poderia muito bem organizar, liderar e desenvolver uma coalizão de centro-esquerda para fazer uma oposição poderosa às políticas perigosas do governo Bolsonaro”, disse.

Na semana passada, Chomsky visitou Lula na cadeia, em Curitiba. Na segunda-feira, no entanto, ele chegou ao ato de lançamento do movimento Direitos Já, que reuniu dezenas de lideranças de 16 partidos num arco que ia do PCdoB ao PL. O evento teve como mote a defesa da democracia e contra “ameaças de retrocesso” do governo Jair Bolsonaro. O PT não enviou suas principais lideranças.

No ato, o linguista fez um discurso voltado para as turbulências pelas quais passam várias democracias ao redor do mundo lembrando que duas das mais fortes e antigas delas, os EUA e o Reino Unido, estão sob controle de líderes populistas de direita, Donald Trump e Boris Johnson. “O fato de que duas das democracias mais antigas e estáveis do mundo estão sob ameaça não é nada trivial. Há muito a se dizer sobre a se dizer sobre ameaças à democracia ao redor do mundo, inclusive o Brasil, que fazem com que aquele relógio que marca a sobrevivência das espécies esteja marcando hoje, dois minutos para a meia-noite”, disse Chomsky.

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10 comentários

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Alan C

04 de setembro de 2019 às 19h12

Acho uma bobagem essa coisa de líder disso ou daquilo.

Ciro é uma liderança natural pelo que é, simples assim, mas evidentemente não é a única, nem no progressismo, nem do outro lado do espectro político.

Nego fica dando importância pra cada coisinha…

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NeoTupi

04 de setembro de 2019 às 19h04

Gosto muito da crítica “democracia redux” do Chonsky, mas é meio contraditório essa proposta de buscar um líder da oposição personalista, quando seria bem mais razoável propor uma fusão de partidos de esquerda em uma frente ampla revitalizada, se o diagnóstico é o desgaste dos partidos.
Até porque se Haddad ou Ciro fossem eleitos sem base partidária no Congresso, não teriam vida fácil. Tão ou mais difícil do que Dilma teve com a Câmara controlada por Cunha. Então o problema não é só viabilizar um presidenciável vitorioso em 2022, mas também crescer bancadas menos hostis a políticas progressistas.
Um líder como Lula (se livre podendo se movimentar à vontade) ou como foi Brizola tem capacidade de mobilizar massas em grande escala nacional, mas hoje, nem Ciro, nem Haddad, nem Dino, nem Boulos, e nenhum outro líder de oposição tem. Então o razoável é cada um usar a liderança que tem em seu nicho para formar uma frente de oposição forte capaz de levantar o povo em quantidade suficiente para formar massa crítica que barre o desmonte nacional. Inclusive todos devem respeitar a própria liderança de Lula, que continua sendo força motriz para um enorme contingente popular.
Para isso é preciso esquecer 2022 por hora, proibir birras (Ciro fica proibido de falar mal de Lula e do PT, e os petistas proibidos de falar para Ciro ir fazer oposição em Paris com o Macron), e pensar no hoje, no que está sendo votado no Congresso, no STF, ou rifado pelo Guedes.

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Netho

04 de setembro de 2019 às 17h48

O PT e o anti-petismo estão marcados para perder diante de qualquer candidatura de direita, centro-direita e extrema-direita.
As eleições de 2018 e as pesquisas mais recentes demonstram a inviabilidade de uma oposição à Era Beócia com alguma perspectiva de êxito.
Até um cego via e vê tal realidade como ela é; exceto o lulo-petismo delirante e sebastianista.
Chomsky, como diria Saramago no Ensaio sobre a Cegueira, simplesmente “olha e vê”.
Se a nova liderança indispensável à outra hegemonia possível, sem o protagonismo desmoralizado do lulo-petismo, seria ou não a do sobralense, isso são outros quinhentos.
O certo é que com o PT e o lulo-petismo, não há outro resultado eleitoral possível que não seja uma vitória da direita, do centro-direita e da extrema-direita.

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04 de setembro de 2019 às 13h51

Ah nem….
Esse blog faz campanha pra Ciro até hoje?
O mochileiro-candidato, não consegue liderar nem o minúsculo PDT e quer liderar oposição?
Ofende a memória de Brizola ao viajar pra Europa em plena campanha, ofende a todos da oposição, principalmente ofende o maior líder do país, quer liderar ofendendo os companheiros?
Vá plantar batatas em Sobral que é mais útil tanto pra ele mesmo quanto pro país, que ficará aliviado da versão bozzo, verborragica, do Ceará.

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    Miguel do Rosário

    04 de setembro de 2019 às 14h06

    Reclama com o Chomsky, amigo. Eu só dei a notícia.

    Responder

      04 de setembro de 2019 às 14h11

      Prezado blogueiro, Chomsky provavelmente não conhece Ciro tão bem quanto seus ex-eleitores.

      Responder

        Miguel do Rosário

        04 de setembro de 2019 às 14h46

        Sim, Chomsky também defende muito enfaticamente a liberdade de Lula.

        Responder

          Marcio

          04 de setembro de 2019 às 15h03

          Você imagina o nível de civilização do sujeito…

          Que dia o Brasil vai largar essas ideologias podres de vencidas…?

          Que di o Brasil vai parar de fazer apologia da própria desgraça…?

          Estamos em 2019.

Marcio

04 de setembro de 2019 às 13h27

OBS: os brasileiros descobriram quem é o Cirolipa nos debates entre candidatos do ano passado…a hapoteose do ridículo, a sublimação do nada.

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Marcio

04 de setembro de 2019 às 13h25

Não precisava desse barbudo para saber quem será o novo poste de Lula em 2022.

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