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Os erros na condução da audiência com Allan dos Santos, na CPI das Fake News

Por Redação

05 de novembro de 2019 : 19h42

No vídeo abaixo, você poderá assistir ao depoimento de Allan dos Santos, editor do site Terça Livre, na CPI das Fake News.

Em minha modesta opinião, até onde pude assistir (não peguei o Tulio Gadelha, deputado do PDT, por exemplo, que foi a última intervenção), a performance dos deputados petistas deixou muito a desejar.

Dos Santos é uma figura absolutamente bizarra. Às vezes, dá a impressão de um indivíduo fronteiriço, que não sabe distinguir a diferença entre mentira e verdade.

Ou então é um mau caráter dotado de uma capacidade teatral realmente admirável. Não é fácil fingir acreditar em tanta alucinação.

Foi um erro crasso dar palanque a um cara como esse.

O deputado Rui Falcão (PT-SP) foi assustador. Ficou cobrando nome de todos os assinantes, inscritos e doadores do site, e pedindo informações sobre mecanismos de financiamento do mesmo, em tom incriminatório, que acabaram convertendo o vilão em heroi.

Outro erro incompreensível de Falcão foi deixar de lado as acusações objetivas de fake news e tentar criminalizar a “militância” de Allan dos Santos, que se saiu facilmente, batendo no peito e dizendo que apoiava, sim, o presidente Bolsonaro.

A abordagem de Falcão foi reacionária, equivocada, vide que há muito tempo o jornalismo contemporâneo, sobretudo esse que opera na internet, de maneira autônoma, independente, superou essas dicotomias, tão caras à imprensa convencional, entre jornalismo e militância.

A diferença é que o jornalismo militante precisa estar fundamentado, muito mais do que o jornalismo convencional, na mais profunda ética em relação à busca da verdade, pois, em caso contrário, ele se torna uma caricatura, aí sim, um jornalista “miliciano” e não mais um “militante” político.

O jornalista pode militar por várias causas: meio ambiente, justiça social, autonomia indígena, reforma agrária, anti-imperialismo, pode ser partidário, suprapartidário, antipartidário, conservador, revolucionário ou “isentão”. O que não pode é mentir.

A deputada Luizianne Lins (PT-CE) foi ainda pior. Começou dando uma carteirada desnecessária, dizendo-se formada e doutoranda, o que apenas soou arrogante, dando mais pontos para o vilão. Em seguida, ela insistiu nessa toada de “militante”, usando o termo como sinônimo de uma condição degradante, ofendendo toda a tradição de luta de ideias, que está na raíz da própria história do jornalismo político.

O senador Humberto Costa ficou nervoso demais. Um quadro de sua qualidade, e um senador da república, jamais poderia se rebaixar diante de um ser tão desprezível como esse editor do Terça Livre, que acabou se beneficiando com a imagem de alguém que enfrenta os “poderosos”, enquanto a verdade é o oposto: o problema de Allan dos Santos, além de ser um mentiroso compulsivo, tratando a notícia como mero instrumento do mais vulgar fanatismo ideológico, é que ele representa o que há de mais subserviente ao poder, no caso, ao poder instalado hoje na presidência da república.

Lamentável.

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