Ministro da Saúde explica chegada do coronavírus ao Brasil

Exclusivo! Importação de fertilizantes explode no Brasil

Por Miguel do Rosário

20 de janeiro de 2020 : 17h19

Um dos piores problemas da economia brasileira é a sua incrível falta de integração.

Um governo com aspirações “liberais” deveria ter, como uma de suas principais preocupações, a construção de um sistema econômico mais interconectado, que permitisse o aumento da produtividade e competitividade da produção nacional. 

Mas não é o que acontece. Aqui o governo não tem um olhar holístico para nada. Suas ações são sempre fragmentárias. 

A decisão da Petrobrás de “hibernar” ou simplesmente fechar importantes fábricas de fertilizantes, como aconteceu há pouco com a unidade do Paraná, vai inteiramente na contramão dos interesses econômicos do maior sócio da estatal, a União.

Na medida em que a economia brasileira se torna cada vez mais dependente do agronegócio, o mínimo que se esperaria de um governo comprometido com o interesse nacional, seria elaborar políticas públicas que visassem assegurar não apenas a manutenção da competitividade internacional do setor, como também sua autonomia e segurança produtiva.

Uma das características mais importantes dos setores modernos do agronegócio brasileiro é o uso intensivo de fertilizantes, porque ele permite elevar a produtividade.

O fertilizante representa, para a planta, o que a ração representa para o boi, e o que a comida representa para o ser humano. Diante da baixa fertilidade das terras brasileiras, os empresários agrícolas, grandes, médios ou familiares, vem apostando cada vez mais no uso de fertilizantes. Tanto é que estes já representam o principal custo de produção no agronegócio.

Diante disso, é absolutamente incompreensível que o governo brasileiro não tenha uma política de fomento à produção nacional de fertilizantes.

Ao contrário, o governo, através da Petrobras, vinha criando deliberadamente dificuldades às suas próprias fábricas de fertilizantes, porque o gás fornecido às unidades era vendido a um preço alto, e não havia uma estratégia comercial inteligente e integrada à política agrícola nacional.

De um lado, o governo Bolsonaro oferece crédito subsidiado de R$ 226 bilhões à agricultura, conforme anunciado em 2019 para o ano-safra de 2020, e de outro fecha fábricas de fertilizantes que poderiam integrar uma estratégia para reduzir os custos de produção do setor. Qual o sentido disso?

Não se trata mais aqui de achar culpados. A crise econômica nacional requer magnanimidade e olhar para o futuro.

Vamos examinar os dados. 

As despesas brasileiras com a importação de fertilizantes atingiu o recorde dos últimos cinco anos, consumindo US$ 9,33 bilhões, alta de mais de 6% sobre o ano anterior, e correspondente a 5% de tudo que o Brasil importou no período.

A importação de fertilizantes só não custou mais que a importação de derivados de petróleo, que nos consumiu US$ 13 bilhões; aliás, essa despesa também poderia ser bastante reduzida se a Petrobras estivesse comprometida com um projeto nacional de reindustrialização do país.

 

Pelo gráfico, pode se ver o aumento dramático das despesas com importação de fertilizantes nos últimos anos. 

Em quantidade, importamos quase 35 milhões de toneladas em 2019, o triplo do que importamos há apenas 10 anos, e um recorde histórico.

Temos duas fontes para esses números.

Uma delas, usada acima, é o sistema Comexstat, o banco de dados público da Secretaria de Comércio Exterior.

Usamos a classificação CUCI grupo, nas categorias 562 (adubos) e 272 (fertilizantes).

A outra fonte é a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), que faz um cálculo baseado no conceito de “fertilizantes intermediários”. 

Segundo a Anda, a produção nacional de fertilizantes atingiu seu MENOR nível em 2019, ao mesmo tempo em que o CONSUMO de fertilizantes (fertilizantes entregues) bateu um recorde histórico. A demanda foi suprida, naturalmente, pela importação.

O Brasil nunca consumiu tanto fertilizante, e nunca produziu tão pouco…

 

Nos gráficos abaixo, podemos verificar a participação dos fertilizantes na composição dos custos de produção dos mais importantes produtos agrícolas produzidos no Brasil.

Soja

No caso da soja, os fertilizantes respondem por 24% do custo total, nos sistemas de precisão, e 22% no sistema convencional, segundo um estudo divulgado pela Embrapa.

 

Um outro estudo, da Conab, mais recente, estima que os fertilizantes respondem por quase 30% do custo de produção da soja. 

Trigo

No caso do trigo, um produto fundamental para a cesta básica do brasileiro, por ser a matéria prima do pão e da farinha de trigo, os fertilizantes correspondem a 30% das despesas de custeio da lavoura. A produção brasileira de trigo tem patinado na produtividade, e sua rentabilidade ficou negativa em alguns anos. 

Segundo um estudo da Conab, a produtividade da triticultura brasileira é uma das menores do mundo: uma média de 2,4 mil toneladas por hectare, contra 8,7 mil toneladas na Nova Zelândia e 6,8 mil toneladas na Zâmbia. O aumento da produtividade só poderia ser alcançado com uso intensivo de fertilizantes, o que apenas poderia ocorrer caso houvesse uma política governamental para reduzir o seu preço.

Café

No caso do café, que ainda é uma das culturas agrícolas que mais emprega no país, até porque suas características dificultam a mecanização total, como ocorre com a soja e o milho, os fertilizantes também compõem o principal custo. Em Luis Eduardo Magalhẽs, no oeste baiano, que tem uma cafeicultura bastante avançada, os fertilizantes corresponderam a 19% em 2016, mas o custo oscilou muito ao longo dos anos, justamente por causa de seu vínculo com dólar; em 2011, por exemplo, o custo do fertilizante chegou a 34%.

Milho

No caso do milho, os fertilizantes chegam a 41% do custo de produção, segundo estudo da Conab referente ao ano-safra 2013/14. Para efeito de comparação, o custo dos agrotóxicos foi de apenas 5,5%, o de sementes 10%, e operação com máquinas 8,6%.

 

       

Conclusão

Os fertilizantes compõem um elemento altamente estratégico e essencial no custo de produção do agronegócio brasileiro.

É importante entender que a produção agrícola nacional é pujante, mas nem sempre a situação econômica dos produtores é confortável, justamente porque seus custos de produção também costumam ser muito elevados, de maneira que eles obtém margens de lucro apertadas, não raro até mesmo negativas, razão pela qual existe uma demanda enorme, por parte do setor, por créditos bilionários do governo. 

Se o custo de produção fosse menor, e mais estável, menos atrelado às oscilações do câmbio e do mercado internacional de fertilizantes, o produtor brasileiro teria mais renda, o governo, menos ônus, e os brasileiros, menos impostos. 

Num eventual projeto nacional de desenvolvimento que vise modernizar e industrializar o nosso setor rural, é importante levar em conta a necessidade de reduzirmos a dependência externa num item absolutamente estratégico como o de fertilizantes. 

A Petrobrás, como estatal, como empresa cujo sócio majoritário é o povo brasileiro, poderia integrar um projeto inteligente, moderno, para elevar a produção nacional de fertilizantes.

Para isso, naturalmente, não podemos fechar as poucas fábricas que temos no Brasil!

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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29 comentários

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marcos

25 de janeiro de 2020 às 10h25

esse fechamento de fabrica da Petrobras acredito q foi só uma migraçao para nova fabrica gigante e moderna fabricada no centroeste.

Responder

eliene

24 de janeiro de 2020 às 18h28

Uma pena que o governo do PT tenha destruido nao so a petrobras, mas tambem suas subsidiarias.
As fabricas de fertilizantes da Petrobras, de tao sugadas pelo governo, pelos seus funcionarios e pelos politicos eram um grande sumidouro de dinheiro e nao tinham preços para competir com o fertilizante importado nem com a taxacao da importacao, sinal da nossa incompetencia em ser eficientes.
Enquanto todos acharem que a petrobras é da viuva e que todos podem levar vantagens em cima dela, nao ha como ser competitiva.
Quem sabe agora, com o arrendamento a inciativa privada, passamos a ser competitivos na producao de fertilizantes. Temos tudo pra isso, desde que a turma que quer levar vantagem aceite a construcao de uma empresa competitiva.

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Glória Miller

24 de janeiro de 2020 às 09h54

Miguel, concordo com vc que está havendo desmonte de indústria no Brasil .O atual governo está entregando as riquezas do Brasil ao CAPITAL INYERNACIONAL. Inclusive as que deveriam garantir nossa soberania,como as refinarias que foram desativadas, as usinas de energia , águas, saneamento casa da moeda…… É o atual governo diz , em nome de Deus, defender a nação.!!!!!!
Que tipo de vida a maioria da população Brasília terá????? Dependendo de importação e da variação do DOLAR???????
O AGRO NEGOCIO é o que menos me preocupa, porque 70 % do que comemos é produzido pelos pequenos e médios agricultores. O agronegócio produz comodites , com pouca mão de obra, muito veneno e muito veneno, poluindo o meio ambiente e enriquecendo meia dúzia de empresas. Foram os que mais lucraram em 2019 !!!!!!!!!!!!!

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wendel arruda campos

21 de janeiro de 2020 às 11h02

Abdel, no momento não se trata de ser mais barato importar, mas sim de ser a única opção, porém já existe “benevolentes” propostas de compras pra essas fábricas paradas e “falidas”. Que sorte a nossa vivermos num mundo sem interesses escusos e sabotagens, podemos sempre contar com a caridade vinda de fora para nos salvar. KKKKKKKKK!!!!! e o controle nos preços dos fertilizantes não dá poder nenhum aos filantropos de fora, afinal eles jamais usariam o controle do preço dos alimentos/comodites
pra exercer pressão política, afinal eles só querem o bem estar do povo KKKKKK!!!!!! tens uma receita pra conseguir ser assim? deve ser bom.

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Alan C

20 de janeiro de 2020 às 20h10

“E agora è tarde, o Brasil morreu”

O sonho de todo bolsotrouxa né camundongo kkkk

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wendel arruda campos

20 de janeiro de 2020 às 19h23

coxinha é raça de víboras mesmo, falar que importar é mais barato tá de brincadeira e ainda mais com o dólar em alta e tendo o Brasil as principais matérias primas. Com a paralisação das estatais, o aumento estimado pra este ano é de 38%. Vide site especializado https://blog.aegro.com.br/preco-de-adubo-de-soja-2019-20/

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    Abdel Romenia

    20 de janeiro de 2020 às 20h07

    Ainda assim é mais barato, o que tem de complicado para vc nao entender…?
    Importam porque aqui é mais caro e quase nào tem, nao sò isso nào tem nada alèm de arroz e feijao.
    Novelas por contra tem um monte o dia inteiro passando na tv….

    Ou voce è outro que quer abrir uma fabrica de adubo ou relevar a que quebrou da Petrobras…?

    Eu nao sei se vcs nao enchergam a realidade mesmo, ou precisam defender algo ou alguem por tara ideologica de terçeiro mundo tentando culpar sempre os outros…isso è uma coisa de gente minimamente seria ?

    O Brasil quebrou, morreu, foi destruido completamente, nao tem 1 centavo para nada, nem para algodao nos hospitais e sò alguem de fora pode fazer alguma coisa por caridade ou bondade divina (mas nao tem as minimas condiçoes)…onde està a dificuldade de entender isso…?

    Responder

chichano goncalvez

20 de janeiro de 2020 às 18h31

Enquanto os paises desenvolvidos, buscam diminuir a dependencia externa, de produtos, sementes, combustiveis, etc, o nosso faz exatamente ao contrario, tenta diminuir o maximo a industria nacional, são os maiores entreguistas , pagaremos muito caro , diga-se os pobres e honestos, quanto aos ricos sonegadores, vão para Suiça, Miami, Paris e seus bisnetos viverão a custa do povo brasileiro. Porque o povinho vota nessa gente ? Acho que são analfabetos politicos, por vontade propria ! Olha que eu vim da zona rural e me atualizei .

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Abdel Romenia

20 de janeiro de 2020 às 18h14

E a Abreu e Lima…?

Firme e forte nas mãos de Lula, Mantega e Ciro Gomes…? Kkkkkkkkk

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    Bozonaro

    20 de janeiro de 2020 às 18h23

    E o Pato Donald?

    Firme e forte nas mão do Huguinho, Zezinho e Luizinho?? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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      Abdel Romenia

      20 de janeiro de 2020 às 19h12

      E’ sò subsidiar o diesel, deixa com a gente que tà resolvido o problema…Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Falando serio, eu acho que tem a mào dos Raelianos em tudo isso….

      Responder

        Bozonaro

        20 de janeiro de 2020 às 20h08

        Falando serio, eu acho que tem Jesus na goiabeira em tudo isso talkey

        Responder

          Abdel Romenia

          20 de janeiro de 2020 às 20h18

          Apòs a enesima sesso de estupro….vé se conecta esse seu cerebro animalesco antes de abrir a fuça de quadrupede.

          Bozonaro

          20 de janeiro de 2020 às 20h57

          Depois do estupro ela sangrou e saiu vc.

Wellington

20 de janeiro de 2020 às 17h41

Qual seria a exclusividade…?

Custa menos que produzir aqui nas estatais aparelhadas e quebradas após 20 anos de parassitagem política, sindical, etc.

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    El Bartho

    20 de janeiro de 2020 às 18h36

    Quanta ingenuidade… por pior que fosse (caso a ser analisado, vide auditoria no BNDS) o dinheiro fica no país. Importar significa saída de divisas, por que todos os países tentam exportar tudo o que podem? Todo mundo pratica subsidio ou acha que os outros paises são bobos ,só um tolo ou mal importa o que ó que produzir.

    Responder

      El Bartho

      20 de janeiro de 2020 às 18h45

      digo seria “mal intencionado”

      Responder

        Wellington

        20 de janeiro de 2020 às 19h08

        Subsidio com o dinheiro que Lula, Palocci e Dirceu deixaram nos cofres publicos…? Kkkkkkkkkkkkkkk

        Eu acho que Vc. nao tem bem presente o que aconteceu no Brasil nos ultimos 20anos ou finge que nao entende…

        Responder

          El Bartho

          20 de janeiro de 2020 às 19h34

          Primeiro pq o kkkkk (seria refestelo de ignorância)? pelo que eu sei o governo do PT governou por 13 anos e não 20. deixando quase US 400 bilhões aplicados no tesouro americano. O que aconteceu nos últimos 20 anos que eu não entendo? Como eu não sou tão bem informado quanto o sr. poderia informar-me com numeros (creio que o senhor está falando sobre economia entre outros), dispenso comentários tipo zap face que são para pessoas mediocres TALQUEI!

          Andressa

          20 de janeiro de 2020 às 20h36

          Se voce nao entendeu o que aconteceu nos ultimos 20 anos ao seu redor è um problema cognitivo seu do qual eu infelizmente nao tenho as competencias para resolver, sugiro consulte um profissional medico da area.

          Quem fez o nome do PT…?
          Mesmo assim, pelo que a gente sabe o tal de Temer era vice da Dilma por tanto se presume que faça parte da mesma “equipe fantasmagorica”; foi escolhido e convidado por alguem para ser vice…? se encontraram e conversaram antes de escolher…? ele comunicou que aceitava o cargo e concordaram as competencias de cada um…? ou foi por sorteio no bingo…? ou pegaram o primeiro que passava na rampa de Brasilia o dia da posse…? Um minimo de seriedade é sempre necessaria.

      El Bartho

      20 de janeiro de 2020 às 19h03

      “o que pode produzir”

      Responder

Alan C

20 de janeiro de 2020 às 17h26

E outro dia fecharam uma fábrica de fertilizantes.

Nada na bozolândia é por acaso…

Responder

    El Bartho

    20 de janeiro de 2020 às 17h58

    Seria a raposa tomando conta do galinheiro?

    Responder

      Andressa

      20 de janeiro de 2020 às 18h04

      Sim,

      a facção petista que tomou conta das empresas estatais por 20 anos, tá aí o resultado.

      Responder

        Alan C

        20 de janeiro de 2020 às 18h17

        E agora a facção da bozolândia obedece o patrão e vende tudo pra agradar o Deus Mercado e o tio Trump, taí o resultado.

        Responder

          Andressa

          20 de janeiro de 2020 às 19h15

          E agora è tarde, o Brasil morreu….mais uma vitima na conta e Viva la Revolucion !!

          Alan C

          20 de janeiro de 2020 às 20h10

          “E agora è tarde, o Brasil morreu”

          O sonho de todo bolsotrouxa né camundongo kkkkkkk

          Evandro Garcia

          21 de janeiro de 2020 às 07h12

          Vende nada, quem dera se alguém comprasse esse lixão todo de uma vez, mas ninguém quer pois teriam de ir os brasileiros juntos no negócio, o problema é esse.

        El Bartho

        20 de janeiro de 2020 às 18h43

        Desculpe mas a sra. está com dificuldade em aritimética de 2003 até 2015 não são 20 anos. Agora após 4 anos sem o PT a industria foi fechada. Por favor indique-me nos balanços da empresa em quais periodos ela deu prejuizo, gostaria muito de ver, para analisar qual gestão causou prejuizo.

        Responder

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