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O PCdoB e a tese dos dois partidos

Por Theo Rodrigues

02 de março de 2020 : 14h21

Por Theófilo Rodrigues

A ideia de que o Partido Comunista do Brasil poderá trocar seu nome vem ganhando corpo na esfera pública. Um primeiro aceno nessa direção partiu do deputado federal Orlando Silva que, em entrevista para a Revista Forum, sugeriu a troca da foice e do martelo por um chip como símbolo da atual luta dos trabalhadores. Ontem foi a vez do governador do Maranhão, Flávio Dino, defender a atualização do nome do partido em uma entrevista para o SBT.

A proposta é polêmica. O PCdoB mantém o mesmo nome desde 1922. Em 2022, portanto, completará seu centenário. Ao longo desses 98 anos o nome foi mantido, não obstante a mudança da sigla PCB para PCdoB em 1962. Por essa razão sua militância está em alvoroço.

Os defensores da troca argumentam que, para vencer as eleições presidenciais de 2022, o Partido precisaria ter um nome mais palatável na opinião pública. De fato, pesquisas mostram que uma parcela considerável do eleitorado brasileiro tem uma imagem negativa do movimento comunista. Trata-se de uma vitória da ditadura militar, que foi derrotada politicamente em 1985, mas que teve essa vitória duradoura no campo simbólico.

Os críticos da mudança sustentam, em geral, três argumentos: (1) o exemplo italiano em que o PCI sumiu do mapa político do país após mudar de nome; (2) o exemplo brasileiro em que o PCB, após mudar para PPS, mudou também de programa em direção ao projeto liberal de terceira via; (3) por fim, a ideia de que a mudança de nome acarretaria no fim do ator político responsável por ser o guardião da memória e da tradição comunista no Brasil. Lideranças importantes do partido, Jandira Feghali e Luciana Santos já deixaram claro publicamente que o partido não deve mudar seu nome.

Em meio a essa polêmica pública e a essa disputa interna, surge uma solução que parece ser a mais viável e menos conflitiva: a tese dos dois partidos.

Sem precedentes no cenário internacional, a tese dos dois partidos aponta para a manutenção do PCdoB como guardião do movimento comunista no Brasil, ao mesmo tempo em que é criado um novo partido que tenha como centralidade política a disputa eleitoral.

Os dois partidos teriam táticas distintas, mas fariam parte do mesmo objetivo estrategico, com afinidade programática e alinhamento político. Se assim desejar, Flavio Dino e outras lideranças políticas poderiam disputar a eleição de 2022 por esse partido, em coligação com o PCdoB, mas sem ter o suposto ônus eleitoral de carregar a foice e o martelo.

Em tempos de Fundo Eleitoral público, a tese dos dois partidos teria ainda a vantagem de trazer mais recursos para a candidatura presidencial de 2022.

Numa conjuntura de autoritarismo, em que a unidade é a mais importante ferramenta que a esquerda pode ter, a tese dos dois partidos parece ser a melhor forma de impedir uma luta fratricida no seio do movimento comunista do Brasil ao mesmo tempo em que joga pela vitória presidencial em 2022.

Theófilo Rodrigues é cientista político.

Theo Rodrigues

Theo Rodrigues é sociólogo e cientista político.

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8 comentários

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Gabriel de Evanders

03 de março de 2020 às 15h34

Ideia maravilhosa! Apaguem a foice e o martelo, coloquem um tucano ou a cara do Luciano Huck (perdão pela redundância) usando uma coleira escrita “Globo+Itaú” no lugar. Não esqueçam de trocar o “Comunista” pelo “NOVO”.

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Volin Rabáh

03 de março de 2020 às 12h02

OU seja os comunista (de Iphone ) estão querendo enganar a população? estão querendo criar um partido pra dizer para população que não comunistas ( de Iphone), mas que na verdade são comunistas (de Iphone) disfarçado kkkkkkkkkkkkkk. só rindo rindo mesmo deste babaca da esquerda…. Alguém avisa esses imbecís do PCdoB, que ou eles são comunistas, ou não são, o comunismo não é a solução para os problemas do mundo e do Brasil? então por essas amebas comunistas estão querendo esconder que são cominustas (de Iphone)?… ou o comunismo que esses amebas pregam não é tão bom quanto parece ?

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    Luiz Schmitz

    03 de março de 2020 às 12h51

    Não sei por que comunista não pode ter iphone. Que frescura!

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John

02 de março de 2020 às 23h53

“onus eleitoral”
É isso ai minha gente, os eleitoreiros estão escondendo o comunismo, na verdade eu vou ficar bem grato de não ter essa turma de farsantes manchando o nome do comunismo com seu oportunismo habitual, precisamos criar organizações comunista de verdade e abandonar essa corja de safados.

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Paulo

02 de março de 2020 às 19h32

Mas se manter um já está difícil como poderá se dividir? Não que eu tenha algo com isso…

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Andressa

02 de março de 2020 às 18h43

O cachorrinho de Lula tà sendo criado a macarrào e torresmo…?!?! kkkkkkkkkkkkk

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Garcez

02 de março de 2020 às 18h06

Não creio que esta tática seja uma invencão ou novidade no cenario mundial.
Na colombia temos a União Patriotica, no BRasil já tivemos o Bloco Operario Campones, na Bulgaria a propria experiencia de Frente ampla (era um partido). Enfim, há varias formas de andar com dois partidos.
Um abraço!

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Evandro Garcia

02 de março de 2020 às 14h36

Me engana que eu gosto.

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