Live do Cafezinho: bate papo com o cineasta cearense Wolney Oliveira

Um governo desorientado

Por Miguel do Rosário

23 de maio de 2020 : 01h10

Observando a repercussão nas redes, vejo que as pessoas ainda não conseguiram assimilar direito o conteúdo grotesco do vídeo divulgado da reunião ministerial hoje pelo STF.

Eu gostaria apenas de salientar um ponto: o vídeo mostra um governo completamente desorganizado.

A truculência de Bolsonaro, e de alguns outros ministros, é um subterfúrgio emocional barato para disfarçar a impotência, o desespero, a perplexidade, a desorientação.

Braga Neto apresenta um power point sem sentido.

Paulo Guedes dá um esporro no Braga Neto e diz que aquele projeto deveria ir para o lixo.

Bolsonaro pede a palavra e dá um chilique contra a ciência e contra os governadores.

O ministro da Saúde fala quase pedindo desculpa por estar ali e ter de abordar um assunto tão aborrecido, como é a Covid-19. Nenhum outro ministro faz nenhum tipo de interação em sua fala, perguntando se podiam ajudar em alguma coisa. Tampouco o presidente parece se interessar. É um dos discursos mais vazios da reunião.

O ministro da Educação não apresenta um projeto. Sua fala é a de um fracassado ressentido e vitimista, que apela para a violência típica de um impotente (por mim, prendia esses vagabundos, a começar pelo STF). É patético.

A Damares se mostra realmente uma bandida. Repete três ou quatro vezes que vai “prender” os governadores e prefeitos, apenas porque estes estão seguindo recomendações que o MUNDO INTEIRO está adotando, e impondo medidas de isolamento social em seus estados e municípios. O lado esquizofrênico dessa perseguição aos governadores é que eles seguem inclusive a orientação do próprio ministério da Saúde do governo Bolsonaro.

O presidente da Caixa pede a palavra apenas para puxar o saco do presidente.

Moro é um covarde que assistiu a tudo calado, sem fazer um contraponto às loucuras ditas ali. Quando Weintraub fala em prender ministro do STF, Moro deveria ter a decência de repreendê-lo imediatamente. Ele não era juiz? Ele não queria ser ministro do STF?

Eu fiz dois vídeos para analisar essa reunião. Um curtinho, com menos de 2 minutos, você pode ver no twitter:

E um outro maior, com 10 minutos, no youtube:

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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7 comentários

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Nelson

23 de maio de 2020 às 21h33

Nada do que dizes em tua análise tem a menor importância, Rosário, por quê? Porque, acredito, piamente, como uma montoeira de minions, que Deus está no comando. Então, se os membros desse desgoverno apresentam total falta de coordenação, para dizer o mínimo, no final um ente superior os guiará no sentido de garantirem para nós um futuro sorridente.

Só levando na ironia mesmo para “guentar” mais um espetáculo dantesco que nos é oferecido em nosso país. O quadro em que estamos metidos, com a esquerda esfacelada por completo, os movimentos sociais e sindicatos desmobilizados e sem força, é de dar desespero.

Então, só mesmo a misericórdia divina pode nos trazer esperança de que tenhamos algum alívio na demolição, destruição total do Brasil que é o projeto que vem sendo aplicado desde o início do segundo mandato da Dilma. Projeto este acelerado com o golpe de quatro anos atrás que a Bolsonaro foi dada a tarefa de concluir.

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Kleiton

23 de maio de 2020 às 15h01

Um Presidente defendendo a liberdade
dos direitos do povo em reunião fechada nunca se viu antes na história do Brasil.

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    Nelson

    23 de maio de 2020 às 21h37

    Saudade enorme dos programas de humor das décadas de 1980 e 1990 (Chico Anísio, Jô Soares, Agildo Ribeiro, etc). Contudo, mesmo os humorísticos mais pobres que temos na TV brasileira atualmente conseguem apresentar piadas mais engraçadas do que essa tua Kleiton. Apresenta outra que essa aí não colou.

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Alexandre Neres

23 de maio de 2020 às 11h07

Acho que está faltando um choque de realidade. A declaração ontem do General Heleno foi muito grave. Bolsonaro defendendo o armamento da população e a formação de milícias. As instituições são omissas e lenientes, nem o acampamento dos 300 é retirado. Bolsonaro diz que não entrega o celular nem a pau. Os militares, mesmo veladamente, estão apoiando Bolsonaro e engajados em todo este processo, sentindo-se injustiçados. O vídeo não trouxe a bala de prata, em si não prova o que Moro disse, do jeito que está não leva a crime de responsabilidade, mas tem o condão de unir o gado em torno de uma causa. Fica aberta uma via para uma ditadura, como disse o bozo é fácil implantar uma em nosso país, pois não se oferece resistência. Como esses grupos paramilitares estão sendo insuflados, se houver eleição em 2022, eles não irão de forma alguma aceitar que seja eleito alguém de esquerda. Nesse ínterim, a oposição fica digladiando. Seria lindo se Ciro Gomes tivesse exercendo seu direito legítimo de criticar Lula e o PT, mas o fato é que assesta todas as suas baterias contra o seu inimigo figadal, enquanto a batalha política transcorre em outro front. Só agora as liberdades estão sendo devolvidas ao povo, ao passo que na novilíngua a esquerda é associada à ditadura, porém quem dá passos nessa direção é o capitão.

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Everaldo

23 de maio de 2020 às 10h49

Só lembrando que quem ajudou a eleger esses malucos foi a campanha de ódio anti petista propagados pela mídia corporativa.

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Anderson

23 de maio de 2020 às 10h01

Um desgoverno de BANDIDOS.

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Paulo Souza

23 de maio de 2020 às 08h28

Para quem trabalhou por 35 anos em empresas privadas, participando na condução de projetos em centenas de reuniões, fiquei chocado com o primarismo, a falta de conhecimentos e a falta profissionalismo de uma equipe que deveria ser de alto nível.

Aquilo foi uma reunião de uma quadrilha tosca e despreparada.

#FORABOZO & #PAUNOGUEDES ….

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