Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

(foto: GAZETA DO POVO/REPRODUÇÃO)

A esquerda precisa se preparar para que atos não virem erros

Por Tadeu Porto

31 de maio de 2020 : 14h35

Assuntos apaixonantes como estratégias de guerra tentem a ser polêmicos. Por isso, gostaria de deixar registrado logo no começo desse texto que meu interesse não é impor um ponto de vista, mas apenas contribuir para o debate.

Primeiramente, vamos partir da premissa que estamos inseridos numa guerra híbrida e que estamos perdendo. Os confrontos entre as partes em disputa se dá em todos locais possíveis, inclusive (e sobretudo) no mundo virtual.

E nosso histórico nesse campo não é bom.

O desastre das eleições em 2018 já foi muito doído, mas não foi pior que a derrota de não conseguirmos cumprir o isolamento social por aqui, mesmo com diversos exemplos espalhados pelo mundo, como o adiamento das Olimpíadas ou o Vaticano vazio.

Ou seja, na fatia “remota” da guerra híbrida podemos dizer que teremos enormes dificuldades para um grande confronto, como derrubar o presidente. 

Em segundo lugar, vale lembrar que a disputa institucional pelo poder hoje é majoritariamente disputada pela direita neoliberal (Dória e Maia) contra a direita fascista (Bolsonaro). Na possível queda da familícia, a esquerda é apenas coadjuvante no campo institucional.

Ou seja, corremos o risco de colocar nosso exército na rua, certamente arriscando as vidas, para deixar Maia receber as batatas da vitória. E nós, enfraquecidos pela disputa contra sociopatas e um vírus mortal, não teríamos pernas para enfrentar a pauta neoliberal logo no momento de reconstrução de uma cultura econômica que pode durar décadas.

A União Soviética derrotou o Nazismo, mas com décadas de organização e trabalho. Já o Brasil parece estar mais perto de ser a próxima Bolívia do que ser o próximo Chile ou EUA.

Alguns cenários para ajudar na reflexão

Vamos pensar aqui algumas situações factíveis e como as enfrentaríamos.

Se a extrema direita colocar uma pessoa infiltrada nos atos da esquerda (vai estar todo mundo de máscara, né?) com Covid19 para infectar as pessoas, ou mesmo para explodir alguma coisa, como vamos trabalhar a narrativa dos nossos atos?

Vale considerar que estamos falando de uma direita que está acostumada a inventar falsos atentados pra nos culpar (Riocentro, foto do texto) e tem a máquina de inteligência institucional do país na mão.

Se morrer alguém por Covid19 que tenha pegado o vírus nos protestos da esquerda, o governo assumirá uma postura de comparação e irá tentar se livrar da responsabilidade pelo genocídio que criou (sem falar que perderíamos a vida de um(a) militante, né?).

Além disso, um ato violento localizado pode fazer um grande estrago na nossa narrativa. Basta lembrar que o ato mais lindo dos últimos anos, o Ele Não, foi totalmente desvirtuados e serviu de combustível para a pauta conservadora que nos derrotou nas eleições.

(Um adendo aqui: acho que o valor do Ele Não é histórico, por isso não se mede com derrota eleitoral. No longo prazo, o ato terá sido um dos grandes momentos da nossa história, portanto, foi bem necessário).

Não perco essa guerra por nada

Estou há dias chorando a morte de companheiros, petroleiros que morreram no trabalho pois o país não pode parar. Hoje, meu grande amigo e mentor na vida sindical perdeu um sobrinho de 29 anos e a dor tomou conta do meu corpo (meus pêsames, Bredinha. Você é um grande exemplo pra mim).

Quero muito derrotar esses genocidas psicopatas que tomaram conta do país.

Contudo, reafirmo que nossas ações também precisam contemplar o comportamento da esquerda no campo virtual. E isso, podemos fazer em quarentena e começar agora, enquanto acompanhamos o cenário do vírus.

Bom, Pensamentos são abstratos e a realidade material pode ser outra, por isso essa é apenas uma contribuição para o debate. A única certeza que eu tenho é que enquanto eu tiver 1 Joule de energia eu vou dedicar a combater o fascismo.

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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11 comentários

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donato

01 de junho de 2020 às 11h55

A manifestaçào dos camisas pretas tupiniquim foi linda ontem hein esquerdetes …

Responder

JULIO CESAR DA SILVA

01 de junho de 2020 às 09h34

Concordo com o TADEU, não podemos ir às ruas para ser massa de manobra do DEM e PSDB. A esquerda é a protagonista de combate a esse governo de fascistas. Governo este, colocado pelo PSDB e o DEM. Sendo assim, nossa luta deve ser de forma inteligente e principalmente virtual. Vamos evitar as aglomerações e confrontos físicos. Vamos deixar a irresponsabilidade de fomentar o COVID-19 de promover o show de horrores e barbaridades por conta do gado bolsonarista. Caso contrário, corremos um sério risco ter a mesma conduta da barbárie que grassa hoje nas ruas.

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Delta

01 de junho de 2020 às 08h30

Quais manifestações sem o dinheiro sotraido por decadas aos cofres públicos ?

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Kleiton

01 de junho de 2020 às 08h27

A primeira ocasião já erraram.

Tentando imitar as depredações e o terrorismo que a gente viu nos EUA esses dias colocaram na rua o que a de pior das torcidas organizadas do Brasil (que são entre as mais violentas do Mundo), o estrume do estrume. Bandidos mascarados vestidos de preto, com facas democráticas, paus republicanos, e foguetes estadistas se autodeclarando anti-fascisatas e lançando pedras contra a Polícia e pais de família. Todos os fim de semana há normais manifestações na Paulista e nunca teve problemas, a primeira ocasião que os “defensores da democracia” resolveram se manifestar em todo o esplendor deu uma palhaçada ridicula de vomitar.
Continuem assim que dá certo…

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Ioiô de Iaiá

01 de junho de 2020 às 01h27

Perfeito, Tadeu.
Eles querem que o mar pegue fogo para comer sardinhas assadas. Ou mais claramente, justificar medidas antidemocráticas.
Já deu para perceber que a polícia escolta e em quem a polícia bate.
Pessoalmente, acho que a justiça eleitoral pode e deve invalidar a chapa deles.
Agora é hora de ter a cabeça fria nesse momento quente.

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José de Souza

01 de junho de 2020 às 00h31

Pois é. Embora desalentador, o articulista problematiza perigos reais.
O fascismo vai tentar capitalizar o confronto para si. Fabricar os incendios no reischstag sempre foi a especialidade dele. A questão que se coloca é: sob o risco da ação de infiltrados não fazemos nada? E olha que eu até sou daqueles que acham que quem pariu matheus que o embale.
A esquerda foi colocada de lado do jogo político e está sem capacidade de mobilização. Mas a opção de ficar na plateia não existe. O problema é que falta estratégia para a ação. Os velhos manuais não nos adiantam de muita coisa.
Por outro lado, o fascismo está louco pra prender torturar, matar. Farão isso com um prazer quase orgástico.
Não tenho respostas, nem conheço quem as tenha. Mas o rapaz aí levantou umas lebres certeiras.
Vai ser muito dificil sair dessa crise sem vidas perdidas, e isso é algo que dói na alma antes mesmo de acontecer.
Faço uma provocação adicional: O fascismo vai cair pela mão do capital, não pelo da classe trabalhadora. Eles não suportam perder dinheiro. Nossa sorte é que os fascistas brasileiros são muito burros.
A esquerda só entrará no jogo no segundo tempo. Que saiba jogar.

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Favorido

31 de maio de 2020 às 16h56

Andei lendo esse monte de besteiras e só quando cheguei no final vi o nome do autor. Tá tudo explicado.

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    Ioiô de Iaiá

    01 de junho de 2020 às 01h29

    Leu mesmo?
    Se acha alguma besteira, contra-argumente, em vez de fazer crítica ad hominen.

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      Favorido

      02 de junho de 2020 às 18h12

      Meu argumento é que a grande maioria dos brasileiros não é de esquerda e sem os bilhões roubados para financiamento dos partidos, movimentos, sindicatos, Globo, bloguizinhos como esse, suco de groselha quente, eccetera…a esquerda morreu. Os brasileiros votavam para esquerda por tudo menos que para as pseudo pautas esquerdistas.
      Nem vocês são de esquerda mas foram simplismente doutrinados.

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Roberto Teixeira

31 de maio de 2020 às 16h35

Essa guerra não nos pertence. Deixemos que direita e extrema direita se combatam, se consumam e se destruam. Enquanto isso, vamos recuperar nossas forças, fortalecer nossas tropas, sarar nossas feridas. Sobretudo, construir programas e propostas para a imprensa, a justiça, a educação, o país novo que queremos. Ao final do combate, já que seria sonhar demais a destruição dos dois combatentes, iremos a luta com o que restar de pé da luta fraticida no Reino da direita.

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Robson

31 de maio de 2020 às 16h34

Retroescavadeira, pode?

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