Live do Cafezinho: bate papo com o cineasta cearense Wolney Oliveira

Comentários ao relato de Delfim Netto sobre a suposta “traição do PT”

Por Miguel do Rosário

21 de julho de 2020 : 17h38

Em primeiro lugar, Delfim Netto não é o bicho papão que, subitamente, setores da esquerda tentam pintar. Foi super-ministro na ditadura militar, sim, e isso será a eterna, terrível, indelével nódoa em sua biografia.

Entretanto, ele não é só isso. Delfim também é um economista brilhante, e sob seu comando o Brasil cresceu a taxas até hoje insuperáveis. Durantes os anos de 1967 a 1974, quando ocupou a pasta da Fazenda, o Brasil viveu o chamado “milagre econômico”, em função dos pesados investimentos que o Estado fez em infra-estrutura e no fortalecimento da indústria nacional.

Além disso, as relações de Delfim com o PT, e com a esquerda em geral, sempre foram cordiais.

A imprensa costumava apresentá-lo como “conselheiro econômico” de Lula e, em seguida, de Dilma, e ele era, de fato, figura habitué no o Palácio do Planalto. Em 2007, Lula o nomeou como membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. O Conselho foi uma iniciativa muito interessante de Lula para criar um diálogo do governo com o setor empresarial; lamentavelmente, foi praticamente desativado por Dilma Rousseff.

Essa relação cordial se mantém até hoje, como se constata por sua presença no programa de entrevistas de Fernando Haddad, em dezembro do ano passado.

Se você procurar no Google, verá que Delfim Netto continua sendo um dos economistas mais entrevistados do país, e isso tem uma razão. Suas entrevistas são sempre brilhantes, conduzidas com muito humor, leveza e, ao mesmo tempo, erudição incomparável. Na entrevista com Haddad, por exemplo, Delfim, respondendo a uma pergunta do ex-ministro, sobre o crônico problema brasileiro do crédito, lembra que a primeira grande liderança do Ocidente a entender a centralidade da questão foi Sólon, que é considerado ninguém menos do que um dos “pais fundadores” da democracia grega. Sólon escreveu e pôs em prática uma lei que perdoou as dívidas de todos os atenienses, e isso foi o ponto de partida para a reorganização da vida na cidade.

Além de sua presença no programa de Haddad, Delfim Netto foi entrevistado pelo Roda Vida em abril do ano passado, pelo SBT no último domingo (19), pelo UOL há três meses; e a entrevista com Pedro Bial foi ao ar nesta terça-feira 21.

Trago esses fatos para mostrar que Delfim Netto é um comentarista político muito ativo, apesar – ou melhor dizendo, em virtude – de seus 92 anos.

Na entrevista com Bial, o jornalista lhe pergunta se Lula havia lhe pedido conselhos nas eleições de 2018.

Delfim Neto responde que sim. E aí conta a história cuja divulgação enfureceu alguns internautas simpatizantes do PT, sobretudo porque ele acrescenta um severo julgamento pessoal: afirma que o PT “traiu” Ciro, que tinha certeza que Ciro teria ganho as eleições (se o PT houvesse respeitado o acordo de apoiá-lo), e que, portanto, o PT seria o principal responsável pela vitória de Jair Bolsonaro.

Netto repete uma análise bastante chã, que muitos faziam, tanto na época, como ainda hoje: de que interessava a Bolsonaro disputar com o PT, porque o antipetismo era a grande força daquela eleição; e que seria muito mais difícil, para Bolsonaro, vencer uma disputa com Ciro Gomes.

O relato de Delfim Netto não é totalmente novidade, embora a história esteja hoje envolta em confusão e, sobretudo, deturpada pelas paixões e ódios que se movimentam no entorno de Lula e Ciro.

Em abril de 2018, o jornalista Mario Sergio Conti publicou uma matéria na Folha em que traz os principais fatos revelados por Delfim Netto, que aliás, chama em seu testemunho justamente a presença de Conti nas conversas que teve com Haddad, Ciro, Bresser Pereira e Lula (este último indiretamente, pois já estava preso).

A novidade é que Delfim hoje enfatiza que a articulação de uma chapa com Ciro Gomes na cabeça contava com apoio do próprio Lula.

Existe um pouco de confusão em torno dessa história porque a proposta do PT (e essa seria a “traição” de que fala Delfim) teria mudado. Se antes havia o acordo (segundo Delfim) de que o PT não lançaria candidato, e apoiaria Ciro, o que foi proposto efetivamente em seguida foi muito diferente. Em entrevistas recentes, Haddad e Ciro contam que Lula teria proposto a Ciro o lugar de seu vice. A proposta de Lula teria sido feita após Ciro ter registrado sua própria candidatura. Quando houvesse a decisão do TSE, anulando sua candidatura, Ciro assumiria a cabeça de chapa. Ciro não aceitou a proposta, considerando-a um insulto.

O resto é história.

O vídeo do relato de Delfim Netto:

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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19 comentários

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antipaneleiro

06 de agosto de 2020 às 15h55

Bolsonaro teria levado de qualquer jeito. Com apoio do Exército e das inovações jurídicas do Barroso, não há como perder uma eleição. E se quiserem montar uma chapa com Pelé-Garrincha-Ronaldo-Rivelino e toda a seleção de 82, ainda assim perderão a eleição, tal como se deu em Honduras. A possibilidade de redemocratização do Brasil depende de outros fatores, para além da eleição. Ou alguém aqui é ingênuo e acha que os militares apostaram tanto para entregar o poder aos civis de modo tão fácil.

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dcruz

23 de julho de 2020 às 09h42

O bozo caminha celeremente para a reeleição. Cada dia que passa isso se desenha indelével com essa tática cirista descaradamente chupada do bozo e suas fake news: incrementar o ódio ao PT. Vale tudo, até desencaixotar uma figura grotesca, cujo namoro com a ditadura assemelhava-se ao namoro do bozo com o Trump, se bem que no caso do Delfim configurou-se, não ficou nesse platonismo por parte do louraço americano ( a propósito, será que o Trump vai topar uma troca da cloroquina que ele doou ao bozo por algumas vacinas que ele, o Tump, está estocando?). Depois perdem a eleição mais uma vez e a conclusão de sempre: a culpa é do PT, o Lula está acabado, só pensa nele e as sandices de sempre. Aquela velha história lá do futebol, a dos “antis”, quem não é Flamengo, odeia o Flamengo. Resta saber se o Ciro numa possibilidade remota ainda for para um segundo turno, vai mendigar que o candidato petista não o deixe na mão, não vá para Paris, por exemplo.

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Renata

22 de julho de 2020 às 18h05

Miguel, todos nós forçamos a barra às vezes para defender nossas teses, nesse clima de polarização. E para trazer de novo essa ainda cheia de versões e obscura história Ciro-PT, PT-Ciro e defender a sua tese, não precisava elogiar tanto o Delfim Netto para respaldar sua opinião. “Em primeiro lugar, Delfim Netto não é o bicho papão que, subitamente, setores da esquerda tentam pintar” – subitamente? Todos da esquerda sabem da importância do Delfim Netto mas nunca, em momento algum, a esquerda deixou de criticar essa figura bastante afinada com a ditadura militar cujo milagre econômico foi bom só para uma parte da população e não teve sustentabilidade alguma, visto o que restou no final da ditadura. Na minha visão teria sido melhor você começar o texto dizendo o que pensa do rolo Ciro-PT e aí dizer que Delfim Netto corrobora a sua visão, sem precisar fazer um preâmbulo tão grande incensando o velho economista para terminar no mesmo de sempre.

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    Ermelinda Maria Dias

    25 de julho de 2020 às 10h43

    Muito bem dito Renata. Delfim Neto e, todas/os que advogam a mesma causa, que não é e não foi a de Ciro. Desde inicio de 2018 ficou muito claro, através de noticias da mídia, que ele queria ser o destinatário dos votos do PT, sem levar “a pecha” de ser aliado, na velha lógica de impor aos petistas a obrigação de votar no “menos ruim”, sob a responsabilidade de eleger o péssimo, desconsiderando os votos deste. Partem de um pressuposto que não tem qualquer comprovação fática, o “se”. Fatos não ocorridos permitem ilações de todos os tipos, inclusive “a certeza” delfinista. Se Ciro venceria como cabeça de chapa, no 2º turno, porque não teve melhor desempenho no 1º turno? Porque oscilou tão pouco durante toda a campanha, e mesmo agora, em seus 13%??? Que lógica mais maluca é esta? . Em suma, pela mídia sempre foi ventilada a existência de um diálogo. Haddad, inclusive, nunca o negou. Agora, as respostas dadas àqueles comentários públicos, pelo Ciro, foram arrogantes e afrontosos. E, não é de agora! Candidato a presidente em 2002, vinha se projetando bem, até responder com afronta uma pergunta sobre atuação de Patricia Pillar, em sua campanha. A resposta lhe custou a estagnação, apesar da atuação da Patrícia como bombeira e cabo eleitoral – importância que lhe foi grosseiramente negada pelo candidato na resposta. Apurados os votos obteve 11,972% dos votos válidos, e não apreendeu o significado! Repetiu em 2018, com o PT. A cada notícia de possibilidade de diálogo e entendimento publicada na mídia, respondia com epítetos mais ofensivos e agressivos. A cada resultado de pesquisa suas palavras dirigidas aos possíveis candidato, aliados e eleitores do PT se tornavam mais viperinos. Ele, como a direita, queria a destruição total do partido, da proposta política cuja construção custou a vida – literalmente – de centenas de militantes, e ainda custa. Como se “tem certeza” da eleição de Ciro em 2018, se o candidato saiu menor – 8,57% do votos – do que em 2002 – 11,972% dos votos – , e perdeu votos durante a campanha?? Porque Alckmim foi, naquela época considerado um candidato que “não deslanchava” e substituído na preferência do eleitorado por bolsonaro, e NINGUÉM

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      Ermelinda Maria Dias

      25 de julho de 2020 às 11h44

      Desculpas, publiquei sem concluir. Porque Alckmim perdeu eleitores para Bolsonaro, e NINGUÉM O CULPA PELA ELEIÇÃO DE BOLSONARO???? Porque o PT que tinha maior intenção de votos, um candidato mais bem aceito, devia abrir mão de tudo isso para indicar um candidato que além de não conseguir agregar votos ainda o insultava diuturnamente e, PRINCIPALMENTE, AOS SEUS ELEITORES???? E, também importante, QUAIS PROPOSTAS PETISTAS O CIRO ESTAVA DISPOSTO A AGREGAR AO SEU PROGRAMA???? Como ele tratava as propostas petistas, que refletiam o que aqueles eleitores, cujos votos ele queria mas a quem detestava, afrontava, insultava, e NÃO ERA PESSOALMENTE, ERA POLITICAMENTE. Delfim pode entender de transferência de votos da direita. Mas, acho que seu curso de economia, e as milhares de entrevistas que concede, não o capacitam a dizer COMO E PARA ONDE VAI O MEU VOTO, mesmo com a indicação do PT. Votei no Haddad. Se estivessem Requião, Haddad, Manuela, Boulos e Lula, meu voto obedeceria esta ordem. Jamais votaria em Ciro, apesar de apreciar algumas de suas propostas de governo. Mas, já naquela epóca, ANTES DE PARIS, ele não inspirava muita confiança. Agora, após o pronunciamento sobre o marco do saneamento básico ele não GOZA, de minha parte, NENHUMA CONFIABILIDADE. Propostas NÃO SÃO AÇÕES, EXECUÇÕES…. então…..! Mas, não posso me esquivar de retornar ao Delfim e à louvação que se faz dele aqui. Oh! Realmente, Delfim foi o ministro do “milagre brasileiro”, e sempre dizia que os brasileiros deviam aguentar, porque o “bolo tinha que crescer” para “ser dividido”. Milhares acreditaram, e quando foi ver o resultado o “bolo” “já havia sido comido por poucos, “amigos”, ” o resto dos brasileiros passou e passa fome…. ficaram fora da “partição”. GRANDE ECONOMISTA, COMO O GUEDES…..!!!! Outra do Delfim é que, quando ministro, houve uma alta dos índices inflacionários, e ele culpou o PREÇO DO CHUCHU por ela!!!!!! Já pensou quão “eficiente e competente era esta gestão” do Delfim, que a subida sazonal do preço do CHUCHU ocasionou um resultado inflacionário em toda a economia brasileira????????? Ainda. sobre seu relacionamento com Lula – que me parece se dá através de Belluzo, Mino e a Carta Capital da qual ele era articulista -. Naqueles tempos, Lula quando inquirido sobre a possibilidade de Delfim vir a compor seu ministério, com suas idéias, respondeu mais ou menos assim, SE NOMEASSE DELFIM, AINDA ASSIM O PRESIDENTE SERIA ELE, LULA, E A POLÍTICA A SER EXECUTADA A QUE ELE DETERMINASSE. Sobre a nomeação para o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, “iniciativa muito interessante de Lula para criar UM DIÁLOGO COM O SETOR EMPRESARIAL” não constitui uma “aliança”, mas o reconhecimento de que, mesmo levando em consideração a relevância do chuchu, ele era/é (?) um quadro reconhecido e escolhido por parte do setor empresarial brasileiro, que OBRIGATORIAMENTE deveria estar contemplado no Conselho, senão não haveria “diálogo” somente opinião única, e não seriam atingidos os objetivos propostos. Sem paradoxo, sem indicativo de “intimidade”. Ademais, Lula sempre deixou claro que eleito, era para gerir o Brasil, para toda/os os brasileiros. “Essa relação cordial se mantém até hoje, como se constata por sua presença no programa de entrevistas de Fernando Haddad”, felizmente! Haddad TAMBÉM reconhece que o Brasil é plural, e tem que ser governado PARA TODAS/OS, porque o contrário é justamente um dos reclamos sobre bolsonaro. Mas, esta matéria aqui, PARECE querer dar folego e consistência, veracidade à insanidade do Ascânio Seleme. Então, pelo MEU VOTO EM HADDAD, QUERO DIZER QUE NÃO PEDI, NÃO ACEITO O PERDÃO “MAGNÂNIMO”, NÃO PRECISO DA LICENÇA PARA FAZER POLÍTICA, NÃO QUERO A INSERÇÃO NESSA DISCUSSÃO COM OS PARCEIROS INDICADOS, NÃO APRESENTAM E REPRESENTAM AS PROPOSTAS QUE DEFENDO E ACHO NECESSÁRIAS PARA O BRASIL. COMO NÃO CONSIDERO QUE O PREÇO DO XUXU SEJA DETERMINANTE PARA OS ÍNDICES INFLACIONÁRIOS, NÃO CONCORDO “QUE O BOLO DEVA CRESCER PARA SER DISTRIBUÍDO”, E COMO AS PROPOSTAS DE ENTÃO E DE AGORA DO DELFIM NÃO SÃO AS QUE DEFENDO PARA O BRASIL, SUAS OPINIÕES SOBRE A ELEIÇÃO DE 2018 SÃO TOTAL E COMPLETAMENTE IRRELEVANTES E INÚTEIS. E, VOTAREI DE NOVO – EM 2022 – EM CANDIDATO QUE APRESENTE AS PROPOSTAS QUE CONSIDERO BOAS. CHEGA DE PROPOSTA “MENOS RUIM”!!!!!!! CONTINUO VOTANDO NAQUELA QUE ACHO BOA!!!!!!! ELEGE O RUIM QUEM VOTA NELE, E NÃO QUEM VOTA EM PROPOSTA CONTRÁRIA A DELE. A LÓGICA QUE TENTAM “VENDER”, PARA MIM, NÃO FUNCIONA! E, no CIRO SEQUER COGITO EM VOTAR. Quem faz este papel aqui em casa é o meu genro! Estou com REQUIÃO – QUE MERDA É ESTA????!!!!! -; com Lindberg – “COM A FACA NOS DENTES” -, e, com Zé Abreu – “TENHO MEUS COMPANHEIROS DE BARREIRA” -. ! É isto!

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Justiceiro

22 de julho de 2020 às 11h38

O incrível disso tudo, Miguel, é o coronel não trazer esse fato a público. Ciro prefere ser acusado de ter abandonado o segundo turno e, com isso, ter impedido a vitória do kit gay.

Até os dólares que Lula tem no exterior – e não são poucos – sabem que com Ciro aqui ou em Paris, a porrada seria certa, como foi.

Agora, se Ciro fosse o cabeça de chapa desde o início, talvez a história fosse outra. Mas imagine que Lula iria alimentar uma liderança na esquerda sem ser ele próprio?

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    Ismail

    22 de julho de 2020 às 18h16

    Incrível que para atacar o PT vale tudo: até exaltar um sujeito que aceitou calado o AI5, aumentou em 15 vezes a dívida externa e tomou empréstimos ao FMI a juros flutuantes, condenados pela Convenção de Viena!! Pô, até os burros já sabem que o “milagre econômico” se deu graças à política de substituição das importações e ao consumo vertical. Os pobres não ganharam nada com a política econômica da ditadura empresarial-militar.
    Ou seja, segundo essa lógica, todo mundo presta, menos o PT; ninguém errou, só o PT. Miguel, gente como vc vai manter Bolsonaro no poder até depois de 2030!!

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Alexandre Neres

22 de julho de 2020 às 08h24

Esse assunto não é novo, é um café requentado, tal qual a delação do Palocci à véspera das eleições. Por que está sendo repetido à exaustão?

Instigado por Bial, do Instituto Millenium, veio à tona de novo. Por que o biógrafo do Roberto Marinho tocou no assunto? Delfim, por sua vez, contou uma história sem pé nem cabeça. Não estou nem afirmando que nada tenha existo, só que não faz sentido o quê disse. A ideia está mal concatenada.

Delfim estava presente na reunião da instauração do AI-5 e não deu um pio, diferentemente do vice-presidente conservador Pedro Aleixo que se postou contra. Desde que me entendo por gente, Delfim é lobista do setor exportador, de modo que é uma personagem incontornável em nosso país. Todos os governantes têm de conversar com ele, pois representa um segmento importante.

Delfim é a cara das nossas elites. Liberal da boca pra fora, mas sempre cuidando dos seus interesses de classe e conivente com tudo que é barbaridade.

O trágico disso tudo é que estamos ante um desgoverno filofascista, que precisava da união de todos para enfrentá-lo, enquanto PT e PDT vivem às turras. Em vez de encarar o boçal-ignaro, o campo progressista bate cabeça. Bolsonaro agradece. Parabéns, Miguel do Rosário, o senhor está conseguindo atingir o seu objetivo.

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Paulo Cesar Cabelo

22 de julho de 2020 às 05h52

Você mesmo admite que Ciro recusou ser vice mesmo sabendo que ele seria alçado a cabeça da chapa , ou seja , Ciro é o responsável.
Defender a candidatura de Lula até o fim era obrigação de todo democrata , até Reinaldo Azevedo admite isso.
Não sei se Lula é inocente mas tenho certeza que o processo contra ele foi ilegal , isso parece não importar para Ciro e Miguel.
Também sabemos que Ciro não venceria , é só somar os votos de Bolsonaro Amoedo e Alckmin para ver que a eleição foi perdida no primeiro turno.
Espero que o partido do Dino dê certo , para a esquerda ter chance de vitória é essencial tirar votos de Ciro.
Entre PT e Moro , por exemplo , Ciro apoiaria Moro.

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    Redação

    22 de julho de 2020 às 10h39

    Difícil, hein.

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Gustavo

22 de julho de 2020 às 03h10

A pergunta que paira, PT se elege num segundo turno com Bolsonaro ou Moro?

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Patrice L

22 de julho de 2020 às 00h07

Tachar

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Marcos Videira

21 de julho de 2020 às 22h05

Penso que em 2018 o sectarismo dos dirigentes do PT chegou ao seu ápice. Lembro que Valter Pomar, dirigente do PT Nacional, escrevia artigos no 247 expressando todo o seu sectarismo. Um de seus artigos defendia o seguinte: se algum partido desejar se aliar ao PT, tem que aceitar duas condições: (1) o candidato a presidente é do PT; (2) o candidato a vice também é do PT.
Foi isso o que ocorreu: Lula – Presidente; Haddad – Vice. Chantageado, o PCdoB aceitou participar da fraude (Lula era inelegível) e colocou Manuela na inacreditável condição de vice do vice.
E deu no que deu…

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Karla

21 de julho de 2020 às 20h32

Acrobacias aéreas delirantes para justificações trapezistas carpadas que só param em pé de ponta cabeça. Delfim é o pai do endividamento nacional e mãe do arrocho salarial. Quem dá ouvidos à Delfim acaba encrencado judicialmente ou na cadeia e enriquecendo o Brasil de Cima cada vez mais.

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    Roberto de Oliveira

    22 de julho de 2020 às 02h38

    O “carteiro” – Delfim Neto – traz a carta: “Fui consultado pelo Lula e… Se o PT não tivesse traído o Ciro Gomes…”
    Análise petista: “Não leia a carta e mate o carteiro”!!!

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    Marco Vitis

    22 de julho de 2020 às 16h20

    KARLA: Delfim Neto sempre foi um consultor econômico de Lula. Foi considerando isso que você fez a seguinte afirmação ?
    “Quem dá ouvidos à Delfim acaba encrencado judicialmente ou na cadeia e enriquecendo o Brasil de Cima cada vez mais”

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Paulo

21 de julho de 2020 às 19h52

Por que cargas d”agua O Cafezinho fica elogiando um ministro da ditadura, que sabia das torturas e desaparições forçadas, assassinatos e acho que era o certo?

Delfim Neto sabia muito, mas não abriu a boca durante as audiências da Comissão da Verdade.

Foi cúmplice.

“Suas entrevistas são sempre brilhantes, conduzidas com muito humor, leveza e, ao mesmo tempo, erudição incomparável…” Lamentável ler isso em uma matéria do Cafezinho.

Tem uma mentalidade econômica da década de 60/70 e não de 20 do Século 21.

Auto-crítica da esquerda, por favor!

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Fábio maia

21 de julho de 2020 às 18h36

Insulto e taxar a luta irresignada de um idoso por sua liberdade traição. Rosário e ciristas, a postura de vcs a mesma da esquerda armada que achava traição a entrega do aparelho (estrutura clandestina da resistencia) por quadros capturados que passavam semanas sob o jugo da tortura. Um sentimento que deveria nos unir e solidariedade. E, isto definitivamente na tiveram

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    Patrice L

    22 de julho de 2020 às 00h05

    Exato, Fábio, uma vergonha taxar essa luta de traição.
    E digo mais: Ciro fêz campanha com base em vergonhoso cálculo político: a prisão do Lula. Só que ali estava presa também a Democracia. O sofisma criado pelo Ciro pra justificar-se em sua inação pela liberdade do Lula é um primor de mau caratismo: a prisão é injusta, porém legal – disse ele. Hã??

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