Live do Cafezinho: balanço dos partidos de esquerda

Bolsonaro nomeou coronel para assumir ‘Abin paralela’

Por Gabriel Barbosa

27 de julho de 2020 : 11h48

Após a divulgação do tenebroso vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, o país conheceu a verdadeira face do governo Bolsonaro. Na prática, o núcleo da gestão é comandada por militares, basta checar as atuações do vice-presidente Hamilton Mourão na Amazônia e Eduardo Pazuello com sua “tropa” de 23 militares a frente do Ministério da Saúde. Para completar a ópera governista dos verde-oliva, Bolsonaro colocou em seu círculo o coronel Gilson Libório de Oliveira Mendes.

Libório foi nomeado por Bolsonaro para assumir a Diretoria de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas (Seopi), órgão que está na alçada do Ministério da Justiça. Na última sexta-feira (24), o repórter Ruben Valente do UOL revelou que a pasta chefiada por André Mendonça estaria articulando ações sigilosas contra 579 policiais federais e civis considerados “inimigos” do governo por participarem de movimentos antifascistas. De inicio, André Mendonça teria em seu poder um dossiê com identificação, fotografias e endereços de perfis destes servidores. Além dos policiais, a ação também mira dois professores universitários, um deles é Paulo Sérgio Pinheiro.

Ex-secretário de Direitos Humanos do governo FHC (PSDB), Pinheiro já foi nomeado relator pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1995 para atuar em Burundi, após o massacre genocida ocorrido em Ruanda. Após essa missão, o professor foi exercer o mesmo cargo na Comissão internacional Independente de Inquérito sobre a guerra civil na Síria, trabalho esse que gerou um relatório tenebroso que Pinheiro entregou ao Conselho de Segurança da ONU. Pois bem, o extenso currículo de Paulo Sérgio Pinheiro não impediu que o professor entrasse no rol de cidadãos que supostamente possam ser “potenciais ou reais ameaças” no seu próprio país.

O papel de Libório na “missão” dada por Bolsonaro  é de “elaborar estudos e pesquisas para o aprimoramento das atividades de inteligência de segurança pública e de enfrentamento ao crime organizado” para a Seopi, chefiada pelo delegado Jeferson Lisboa Gimenes. O coronel Libório é formado pela turma de 1982 da Academia Militar das Agulhas Negras como Oficial da Arma de Infantaria e já trabalhou como major na Casa Militar em 1998. Quando foi promovido a tenente-coronel, Libório foi trabalhar no gabinete do comandante do Exército, atuando no Centro de Informações e da Comunicação Social e nas assessorias jurídicas, finanças do comandante e parlamentar.

Após a saída de Sérgio Moro do ministério da Justiça, houve mudanças drásticas na Seopi, se transformando numa espécie de ‘Abin paralela’ de Bolsonaro.  Antes da saída de Moro, a secretaria integrava “operações policiais contra crime organizado, pedofilia, homicidas e crimes cibernéticos”. Para a Comissão Arns, a Seopi afronta os princípios constitucionais por “ações insidiosas contra o Estado de Direito e os que o defendem”.  Em 24 de abril, Sérgio Moro usou como justificativa para seu pedido de demissão a interferência política na Polícia Federal por parte de Bolsonaro.

Gabriel Barbosa

Jornalista com passagens pelo Grupo de Comunicação O POVO (Ceará), RedeTV! e Band News FM.

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6 comentários

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Paulo

27 de julho de 2020 às 19h40

Mais um crime do Capetão. Alô, senhor Aras! Por onde andas que não te vejo?

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Fragolino

27 de julho de 2020 às 17h18

Os “anti-fascistas” são os mesmos que mataram um jornalista soltando um rojão na cara dele poucos anos atras ?

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Edgar

27 de julho de 2020 às 16h15

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alexandre scarpa

27 de julho de 2020 às 15h03

Isso é perigoso hein? Assunto de segurança nacional?????

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Jerson7

27 de julho de 2020 às 11h59

Otimo,

conheçemos bem esses “movimentos antifascistas”, o que aprontam, o que pregam, quais partidos tem atràs deles, ecetera…

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    Jerson87

    27 de julho de 2020 às 18h29

    Tá sumido comundongo! O governo não tem ajudado muito né…rsr

    Vê se nao some!

    Responder

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