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Orlando Silva (PCdoB-SP). Foto: reprodução.

Orlando Silva: “quero governar São Paulo inspirado em Flávio Dino”

Por Redação

12 de agosto de 2020 : 17h02

Em entrevista à Folha de São Paulo, o deputado federal e pré-candidato à prefeitura de São Paulo pelo PCdoB, Orlando Silva, falou sobre sua candidatura e o futuro das esquerdas.

Orlando Silva mencionou também os candidatos Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Jilmar Tatto (PT-SP), adiantando que se solidarizará com o petista caso surjam mais declarações de petistas “como Haddad ou Dilma” apoiando Boulos, repetindo o gesto de Celso Amorim.

Leia alguns trechos abaixo:

Pretende fazer uma campanha voltada a questões locais ou mais nacionalizada, com ênfase na oposição ao presidente Jair Bolsonaro? 

São Paulo é uma cidade-estado, o maior colégio eleitoral do país, o que faz com que o interesse nacional repercuta sobre a vida do município, e vice-versa. Isso dá dimensão nacional à disputa, mas há que se fazer um enfrentamento levando em conta a realidade local.

E o que a realidade local apresenta? 

Decidi que meu partido deveria ter candidato no segundo turno da eleição de 2018, quando vi Mano Brown falar que, se [um partido] deixou de entender o povão, já era. Se não falar a língua do povo, vai perder de novo. Ali passei a refletir: temos que aprender com o povo. A esquerda precisa ser mais humilde. Perceber que derrotas, quando nós as sofremos, deixam lições. É preciso se reconectar com o povão.

Como essas pautas podem se converter também em apoio da classe média, da elite? 

Em estratos médios e mesmo nos altos, quem tem capacidade crítica se comove com o drama da realidade na periferia e se mobiliza para apoiar um projeto que coloque foco em ajudar primeiro quem mais precisa.

É um discurso próximo do de Jilmar Tatto (PT) e Guilherme Boulos (PSOL), ambos do campo da esquerda. 

O Tatto e o Boulos são amigos [meus]. Pode haver identidades porque compomos o mesmo campo. Mas uma liderança política negra enfrentar o racismo estrutural é diferente de uma que ouve dizer o que é o racismo.

Como pretende se diferenciar dos dois? 

O PT é parte do passado. E o PSOL é uma espécie de PT retrô, dos anos 1980. Vou, com a minha experiência de vida e pessoal, valorizar a minha condição de negro e debater a representatividade na política. Não serão os brancos que vão romper com o racismo estrutural.

Como será fazer campanha por um partido que tem no nome o comunismo, demonizado por Bolsonaro e a direita? 

Olha, pelo Bolsonaro, 80% do Brasil é formado por comunista. A minha perspectiva sempre foi a de construir uma sociedade justa, com igualdade de oportunidades e comunhão. Um governo comunista é como o do Maranhão, que o Flávio Dino (PCdoB) faz. Quero governar São Paulo inspirado em Flávio Dino.

O sr. também cita a China, outro “bicho-papão”. 

A China, que é um país onde estive três vezes, é uma experiência comunista, com muito desenvolvimento, e que pode ser um local de muitas parcerias para a nossa gestão.​

Existe chance de retirada da sua candidatura? 

Nenhuma.

A inédita ausência do PT em uma campanha do PC do B na capital enfraquece ou fortalece seu nome? 

Apresentar um projeto para a cidade é o nosso desafio. Tenho muitos amigos no Partido dos Trabalhadores, o Lula foi um extraordinário presidente, mas nós temos que olhar para a frente.

O que motivou a cisão? 

Nós, do PCdoB, entendemos que é necessário estruturar um projeto político para a cidade de São Paulo que não será feito à sombra do PT e que precisa de um líder. Foi-se o tempo em que São Paulo melhor seria governada por um gerente. Aliás, tem gente que se agarrou a esse conceito de ser gerente e teve um péssimo resultado, inclusive eleitoral.

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4 comentários

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Jerson7

13 de agosto de 2020 às 10h26

Querer se inspirar no Flavio Dino tudo bem mas pelo menos que nao declare isso em publico se ele quiser ganhar as eleiçoes….caso contrario a gente acha que nao està qurendo ser eleito.

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Miramar

13 de agosto de 2020 às 00h08

O respeitável Orlando Silva parece fazer parte da ala do PC do B que está cansada do Bolsolulismo. Parece pouco mas se levarmos os últimos trinta anos veremos que já é um começo. É nenhum incêndio começa grande.

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Paulo Cesar Cassin

12 de agosto de 2020 às 18h31

Seria louvável se após fragorosa derrota o mesmo não retornasse ao cargo de Deputado Federal. Explico: Esses são políticos profissionais, de carreira e fazem leis em benefício próprio. Se afastam de seus cargos, nesse caso, o de deputado federal, se ganhar as eleições para cargo superior ao seu entra seu suplente, se perde retorna ao seu cargo anterior. A maioria desses políticos arrecadam fortunas R$$$ por onde passam para se elegerem a cargos públicos de invejável remuneração sem mexer com seu dinheiro próprio. Fazem centenas de aliados nas prefeituras espalhadas pelo estado e em conluio com prefeitos distribuem milhares de cargos para seus correligionários em troca de favores que vão desde os repasses das opolutas Emendas Parlamentares a cargos comissionados e de confiança. Além disso, no seus partidos, não permitem concorrência… querem se eternizar no controle partidário e de seus benefícios e mordomias digno de congressistas brasileiro, onde a maioria são picaretas, todos nós sabemos disso. Falta a sociedade por um fim nisso, quando? quando Deus quiser!!!

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Mancini

12 de agosto de 2020 às 17h32

“O PT é parte do passado. E o PSOL é uma espécie de PT retrô, dos anos 1980.” Pisou na bola! Irão ficar eternamente se digladiando. E a direita aproveita. http://refazenda2010.blogspot.com/

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