Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Análise: Pouca influência de Lula e Bolsonaro nas eleições municipais sinaliza que a bola da vez será do Centro

Por Gabriel Barbosa

14 de novembro de 2020 : 10h12

Por Gabriel Barbosa

Em julho deste ano, conversava com um amigo publicitário, experiente em campanhas políticas, sobre o esgarçamento dos extremos políticos, no sentido das paixões, representados pelo ex-presidente Lula e o atual chefe do executivo, Jair Bolsonaro, e como isso poderia influenciar no pleito municipal.

De praxe, analisamos que figuras políticas que escolhem navegar nos discursos inflamados tendem a se tornar datados, pois sobrevivem apenas do exagero, antagonismo, e ambas as qualidades vão perdendo sentido com o tempo, esgotando os recursos simbólicos e de narrativa. Em outras palavras, isso exaure a cabeça do eleitor que acaba se afastando do ringue.

É claro que em se tratando de luta, carisma e no trato político, o ex-presidente Lula têm mais relevância histórica do que o estreitismo de Bolsonaro, que se elegeu por antagonismo a desmoralização da era Dilma-Temer e a total desorganização das forças tradicionais da política.

Mas o ponto é justamente esse, ser eleito na base do antagonismo cobra seu preço e com 22 meses de governo, Bolsonaro já perdeu o gás nesse sentido, tanto é que algumas candidaturas que receberam seu apoio estão derretendo nas intenções de voto como Delegada Patrícia Domingos (Podemos) em Recife, Marcelo Crivella (Republicanos) no Rio de Janeiro, Celso Russomano (Republicanos) em São Paulo e Bruno Engler (PRTB), em Belo Horizonte.

Além disso, a rejeição de Bolsonaro ultrapassa os 50% em algumas capitais como São Paulo, Fortaleza e Salvador.

No caso de Lula, sua força política como oposição a Bolsonaro está sendo testada nas candidaturas próprias do PT e o resultado não é nada animador. Das 14 capitais com chapa “puro sangue”, o PT só têm reais chances com João Coser em Vitória e Marília Arraes no Recife. Apesar disso, ambas as candidaturas tiveram uma certa resistência em adotar a estratégia sugerida pela cúpula do partido de fazer a defesa de Lula e ressaltar o legado do PT durante a campanha.

Sendo assim, as candidaturas de Centro ocupam um papel estratégico no xadrez político de afastar as arestas do radicalismo e se apresentarem aos eleitores de forma prática, mostrando no concreto suas propostas. O exemplo caricato é Alexandre Kalil que deve ser reeleito por aclamação em Belo Horizonte. Na última pesquisa do Datafolha, o prefeito estava com 63% das intenções de voto, 55 pontos a frente do segundo colocado, João Vitor Xavier (Cidadania) que estava com apenas 8%.

O partido de Kalil, PSD, têm chances de triplicar sua presença nas prefeituras no pleito de 2020. Entre as 95 maiores cidades do país, a legenda comandada por Gilberto Kassab possui quatro prefeituras, podendo saltar para 12. Se a tendência for confirmada, o partido de Centro pode tomar a vice-liderança do PSDB, saindo de 10% para 15%. A cereja do bolo continuará com o MDB que deve eleger 20% dos prefeitos.

Presidido pelo atual prefeito de Salvador, ACM Neto, o DEM não terá um crescimento exponencial como o PSD, mas deve continuar exercendo seu poder de influência em possíveis alianças para 2022, começando pelo estado da Bahia, onde Neto pretende lançar sua candidatura ao Governo Estadual.

Na capital baiana, o candidato Bruno Reis pode se eleger com folga em 1° turno. De acordo com a última pesquisa do Big Data/CNN, o demista têm 56% das intenções de voto, 40 pontos a frente da candidata Major Denice (PT) que aparece com 16%. A militar é apoiada pelo governador Rui Costa.

O fato é que as eleições municipais devem servir de termômetro para quem deseja apresentar um projeto de alternativa ao desmonte patrocinado pelo presidente Jair Bolsonaro e ao atraso retórico, hegemônico e econômico defendido por Lula que insiste no discurso popular, mas que nos bastidores seu partido age em defesa de um projeto liberal como o projeto de autonomia do Banco Central. Vamos aguardar os próximos capítulos!

Gabriel Barbosa

Jornalista com passagens pelo Grupo de Comunicação O POVO (Ceará), RedeTV! e Band News FM. Pós-graduando em Comunicação e Marketing Político.

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15 comentários

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Kleiton

14 de novembro de 2020 às 16h38

Até 2018 as partes em campo eram PT e PSDB que fingiam de brigar mas faziam negócios ilícitos sem se encomodar um com o outro; são a mesma imundícia dentro de sacos do lixo de cores diferentes, nada mais.
Lula e o PT não existem mais por tanto essa dicotomia não existe.

Em 2018 os brasileiros escolheram a terceira via e continuarão na mesma em 2022.

De um lado será o Bolsonaro com certeza ao segundo turno e do outro lado qualquer candidato de esquerda (Huck, Maia, Doria…) que chegue ao segundo turno em 2022 perderá…basta ter mais de 15 anos e saber andar de bicicleta para perceber isso.

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Pedro Silva

14 de novembro de 2020 às 15h45

Somente quem pode eleger o PT é o Bolsonaro, assim como o Bolsonaro somente terá chance de vencer contra o PT. Qualquer candidato que for para o segundo turno contra o PT ou contra o Bolsonaro vencerá. Assim PT e Bolsonaro pelo poder estão vinculados. Se o PT tivesse um projeto de país, não de poder, faria uma frente ampla aonde não seria nem cabeça de chapa e nem vice, mas participaria do governo. Essa visão mesquinha do PT de poder, me faz ter tanta aversão ao partido quanto tenho ao Bolsonaro.

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dcruz

14 de novembro de 2020 às 15h35

O que estarrece e nos deixa no chamado mato sem cachorro é que a gente pensa em votar no Eduardo Paes, não por morrer de amor por ele, mas para se livrar do Crivella e por tabela do genocida bozo e aí vem o EPaes deixar nas entrelinhas que se aliará ao bozo, caso eleito, não acha nada demais essa associação macabra. Votar na Benedita, mesmo com restrições, é uma solução, mas está claro que ela perderá. Será que não há jeito de se livrar desse maldito bozo, homicida de milhares de brasileiros?

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Bruno Aguiar

14 de novembro de 2020 às 14h19

Texto sem nenhum nexo. Bolsonaro é de extrema direita e Lula não é de extrema esquerda. Ao mesmo tempo, o DEM e PSD, que estão crescendo nas capitais, são de centro Direita. Então, não existe “fuga dos extremos para o centro”.

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NeoTupi

14 de novembro de 2020 às 13h03

Centro coisa nenhuma. Bozo é extrema-direita e os citados como “centro” são direita, direitaça. O que define isso é como votam as bancadas no Congresso, sobretudo nas pautas econômicas e contrárias aos direitos dos trabalhadores e classes mais pobres.
PSD é direita, inclusive apoia o governo Bozo, tendo até o Ministro das Comunicações. PSDB é direita neoliberal, assim como o DEM, e tem ministros no gov Bozo (Rogerio Marinho-PSDB, Teresa Cristina-DEM e Onix Lorenzoni-DEM). PMDB também tornou-se neoliberal (ou alguém acha que o golpe para implantar o “ponte para o futuro” é centro?).
Enquanto PT, PSOL e PCdoB é esquerda e não extrema-esquerda (que é PSTU, UP, PCB, PCO).
Aliás está cada vez mais difícil falar em centro na política brasileira. Olhe as votações das pautas no Congresso que há uma clara divisão entre esquerda e direita.
O que mais se aproxima de “centro” são partidos rachados, onde parte vota em pautas da esquerda e parte em pautas da direita, como REDE, PSB e PDT.

Quanto a influências de líderes nacionais, óbvio que é pequeno em eleições municipais e sempre foi assim. Marta Suplicy, com apoio de Lula com alta popularidade, perdeu em sampa em 2004 e 2008, entretanto Lula foi reeleito em 2006 e elegeu Dilma em 2010.

Lula ainda tem capital político que atrai um nicho de votos mesmo nas eleições municipais e candidatos do PT se interessam em exibir seu apoio. Mas, muito além disso, o PT tem interesse em demarcar sua imagem permanente daquilo que representa para seu eleitorado, mesmo em eleições locais. Isso traz vitórias políticas mesmo diante de derrotas eleitorais.
Bozo também tem seu nicho de extrema-direita (cada vez menor, mas tem, mesmo com elevada rejeição nos demais segmentos).
E não vejo candidatos do PDT usarem muito a imagem de Ciro os apoiando (deve existir no Ceará). Do REDE não se utilizam da Marina Silva. Já Dória é escondido em SP para não atrapalhar Covas.

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    Miramar

    14 de novembro de 2020 às 14h55

    É interessante lembrar que Lula perdeu em São Paulo em 2006 e Dilma perdeu em 2010.

    Quanto ao Ciro, sua imagem aparece muito mais nas candidaturas para vereador do que para prefeito. Por incrível que pareça, Fortaleza é onde aparece menos. Pelo menos, as inserções na televisão só aconteceram essa semana. Quanto ao material impresso, acho bem equilibrada, pelo menos nos dois que vi: Goura e Juliana Brizola.

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Efrem Ventura

14 de novembro de 2020 às 12h50

Somente as eleiçoes estaduais tem algo a ver com a presidencial, as locais zero.

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Batista

14 de novembro de 2020 às 12h41

“O fato é que as eleições municipais devem servir de termômetro para quem deseja apresentar um projeto de alternativa ao desmonte patrocinado pelo presidente Jair Bolsonaro e ao atraso retórico, hegemônico e econômico defendido por Lula que insiste no discurso popular, mas que nos bastidores seu partido age em defesa de um projeto liberal como o projeto de autonomia do Banco Central. Vamos aguardar os próximos capítulos [assim que o ‘Chefe’ libera-los]!”

Quando será que o jornalista Gabigol ci…arense irá entender que desde o tempo do voto à lenha as eleições municipais não servem de termômetro às federais?

Que tal verificar no ‘tio Gugol’ como foram as eleições municipais em 2016 e as federais em 2018?

Que partido foi trucidado nas municipais de 2016 e qual partido, mesmo sofrendo incessante ação persecutória jurídico-midiática, desde março de 2014, jamais antes vista na história política do Brasil, disputou em 2018 o segundo turno presidencial e elegeu a maior bancada de deputados federais, o segundo maior número de deputados estaduais, no país, e o maior número de governadores?

Gabigol…

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Guaporé

14 de novembro de 2020 às 11h50

Esperto é o PMDB, que não tá nem aí pra presidência da república mas controla a cena política em uma infinidade de municípios pelo país, o que os ajuda a terem grande influência no congresso nacional.

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Alexandre Neres

14 de novembro de 2020 às 11h42

Em primeiro lugar, é mister deixar claro que esse papo de falar em extremos políticos, colocando Bolsonaro de um lado e Lula do outro, não faz o menor sentido. Essa tal polaridade simétrica foi inventada por Merval e quejandos para tentar esconder seu lado golpista. Inda se dão ao luxo de dizer que o que ocorre no Peru é golpe e o Trump é golpista nos EUA. Então tá. Eleições municipais têm pouquíssima influência em eleições nacionais, pois aqueles têm uma dinâmica local e se movem por questões paroquiais. Por fim, mas não menos relevante, DEM e PSD não são partidos de Centro nem aqui nem na China, são partidos do Centrão. Além disso, são golpistas e têm queda por ditaduras.

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Alan C

14 de novembro de 2020 às 11h14

O antibolsonarismo se junto ao antipetismo como força (negativa) dominante.

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Alan

14 de novembro de 2020 às 10h54

Realmente esse blog ACABOU. Usar a nesma estratégia de ‘extremos equivalentes’ entre Lula e Bolsonaro é desonestidade intelectual. Igual k Estadão faz. E desonestidade vem à tona. Destrói a reputação do mentiroso um dia. A história não perdoará. E não adianta vir com seu discurso radical-bolsonarista de que o comentarista é petista. Triste ver o ocaso de um canal que no passado até já assinei.

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Hilario

14 de novembro de 2020 às 10h43

Nao é nenhuma novidae que as eleiçoes municipais absolutamente nada tenham a ver com as presidenciais, sò as estaduais sofrem da influencia do voto para presidencia da republica…basta um minimo de vivencia e conexao com o mundo real para saber disso e nao perder tempo com materias inuteis.

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