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Governo diz que não pretende privatizar Caixa mas anuncia venda de subsidiária lucrativa do banco

Por Redação

04 de março de 2021 : 12h01

Oferta pública de ações da Caixa Seguridade é confirmada. Subsidiária registrou lucro líquido de R$ 1,8 bilhão em 2020. Apesar deste resultado e de instabilidade do mercado, Executivo insiste em vender parte rentável do banco público. Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) aponta posições contraditórias de integrantes do governo sobre privatização de empresas estratégicas ao país e apoia, nesta quinta-feira, Dia Nacional de Mobilização em Defesa das Estatais e contra a Reforma Administrativa

Brasília, 04/04/2021 — A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e outras entidades sindicais representativas dos bancários apoiam, nesta quinta-feira (4), ações em diferentes locais do país no Dia Nacional de Mobilização em Defesa das Estatais e contra a Reforma Administrativa. Esta semana, a direção da Caixa registrou, em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de um dos braços mais rentáveis do banco: a Caixa Seguridade. Em 2020, apesar das repercussões econômicas da pandemia, esta subsidiária obteve lucro líquido de R$ 1,8 bilhão, o que representa um crescimento de 5,2% em comparação a 2019.

Com um faturamento de R$ 39,1 bilhões ano passado, a Caixa Seguridade mantém a posição de terceiro maior grupo segurador do país, alcançando a liderança na emissão de prêmios dos seguros residencial e prestamista. Mesmo com este desempenho, a direção do banco protocolou pedidos de admissão e de listagem da subsidiária no Novo Mercado da B3 (Bolsa de Valores). Além da Seguridade, os planos do governo incluem a venda de outras áreas rentáveis da Caixa, como Loterias, Cartões, Gestão de Recursos e o ainda nem formalizado Banco Digital, como também outras 24 empresas coligadas.

“A real intenção dessa política de sucateamento e encolhimento é a descapitalização completa da Caixa Econômica, visando a privatização do banco público indutor de desenvolvimento econômico e social”, alerta o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, ao apontar as posições contraditórias de integrantes do governo sobre a privatização de estatais lucrativas e estratégicas para o país, a exemplo da Caixa.

Nesta segunda-feira (1º) — na primeira manifestação pública sobre a mudança no comando da Petrobras, que também vem sendo enfraquecida por meio da venda de subsidiárias — o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “precisa respeitar a opinião do presidente” [Bolsonaro]: “Ele sempre foi muito claro. Disse: olha, Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, eu não estou vendo agora [na lista de privatizações]”.

Contudo, Guedes foi novamente categórico em relação à venda do patrimônio público: “Todo mundo sabe o que eu penso das empresas estatais. Para mim, estatal boa é que foi privatizada”. O ministro ainda reforçou: “Essa opinião eu tenho há muito tempo, antes de eu chegar ao governo. E continuo pensando assim e depois que passei aqui estou mais convencido disso”.

Na última semana, o secretário de Desestatização do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord, afirmou que estão em estudo “cerca de 20 empresas para privatização”. Também na semana passada, o presidente Bolsonaro, confirmando a agenda privatista do governo, entregou ao Congresso Nacional medida provisória e projeto de lei que abrem caminho para a venda da Eletrobras e dos Correios, respectivamente. “Nossa agenda de privatização continua a todo vapor”, disse Bolsonaro, na ocasião da entrega da MP.

Sobre a oferta de ações de estatais ao mercado, como é o caso da Caixa Seguridade, o ministro Paulo Guedes ainda afirmou, nesta segunda-feira: “Uma estatal listada em Bolsa para mim é uma anomalia. Ela não é tatu nem cobra. A estatal listada em Bolsa é uma anomalia, uma farsa. É a minha opinião”.

“A PREÇO DE BANANA” — Esta é a terceira tentativa de abertura do capital da Caixa Seguridade. No último mês de setembro, o banco suspendeu a operação diante das condições adversas do mercado em razão da pandemia da covid-19. O lançamento de ações da subsidiária se arrasta desde 2015, quando um primeiro prospecto preliminar foi enviado à CVM. Em outubro daquele mesmo ano, o processo foi suspenso.

“A área de seguros é estratégica para o banco e vem tendo resultados positivos consecutivos, não existindo, portanto, justificativa para privatizar”, argumenta a representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano. Ela também chama a atenção para a instabilidade no mercado e ao contexto de incertezas tanto na questão sanitária quanto no aspecto econômico: “Não podemos aceitar que o governo venda a Caixa Seguridade a preço de banana, como fez com outras subsidiárias”.

O presidente da Fenae reforça que a privatização fatiada da Caixa atinge pilares da empresa e enfraquece o papel social do banco, comprometendo investimentos públicos e o desenvolvimento regional. “Se a Caixa Econômica for vendida aos pedaços, a presença da instituição em 97% dos 5.570 municípios estará sob forte ameaça, prejudicando ações sociais para quem mais precisa”, afirma.

MOBILIZAÇÃO NACIONAL — As ações de hoje — Dia Nacional de Mobilização em Defesa das Estatais e contra a Reforma Administrativa — são organizadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e apoiadas por diferentes representações sindicais, a exemplo da Fenae.

Os atos pela preservação das estatais, por uma política adequada de preços de combustíveis, pelo restabelecimento do auxílio emergencial e por um plano coordenado de ampla vacinação contra a covid-19 estão programados para ocorrer em pelo menos 12 estados. A orientação é que sejam respeitados os protocolos de segurança e prevenção ao coronavírus, como distanciamento social e uso de máscaras.

OPINIÃO PÚBLICA — Diferentes pesquisas de opinião apontam que os brasileiros são contrários à privatização da Caixa Econômica Federal. Na última semana de fevereiro, levantamento feito pelo Instituto MDA, contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostrou que chega a 59,8% o índice de cidadãos que rejeitam a venda do banco para a iniciativa privada. A Caixa também lidera a relação de empresas públicas que a sociedade menos quer ver privatizada, conforme afirmaram 30,1% dos entrevistados.

No início do mês passado, outra pesquisa de opinião reforçou que a privatização da Caixa Econômica, do Banco do Brasil e da Petrobras encontra resistência entre os brasileiros. De acordo com o levantamento realizado pelo movimento liberal Livres — que encomendou o estudo ao Instituto Ideia Big Data — a venda de estatais deve ser avaliada caso a caso. Para 45% dos entrevistados, a privatização deveria depender do setor e considerar também se a empresa em análise fecha as contas no azul ou no vermelho.

“Mais do que em nenhum outro momento, a conjuntura e a relevância da Caixa Econômica para o país comprovam que o caminho não é vender este patrimônio. Ao contrário. É preciso fortalecer a estatal e melhorar ainda mais o suporte à sociedade”, defende o presidente da Fenae, Sergio Takemoto.

Em setembro, pesquisa realizada pela revista Exame apontou que 49% dos entrevistados disseram ser contra a privatização da Caixa, enquanto 22% se declararam a favor, 19% ficaram neutros e 9% não souberam opinar.

Em outro levantamento, desta vez realizado pela revista Fórum entre os dias 14 e 17 de julho, 60,6% dos participantes se posicionaram contrários à privatização do banco público. A empresa que teve a maior rejeição social à privatização foi a Caixa Econômica Federal.

Em agosto de 2019, quando o governo Bolsonaro divulgou a lista de estatais que poderiam ser privatizadas nos próximos anos, o Datafolha apontou que 67% dos entrevistados eram contra a venda dessas empresas.

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9 comentários

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Nelson

04 de março de 2021 às 22h37

Bem, mais uma prova de que as privatizações nada têm a ver com a necessidade dos governos de reduzirem suas dívidas. Já aconteceu isso um sem número de vezes com outros governos e o governo do “Brasil acima de tudo” está a fazer o mesmo.

Um patrimônio que rende receitas ao governo federal, governo que estaria altamente endividado, está para ser entregue a um grande grupo privado. Como a Caixa Econômica Federal ainda é 100% estatal, todo o lucro que a empresa obtém, excetuando-se a parte da PLR, a ser paga aos funcionários, vai parar nos cofres do governo federal.

Então, trata-se de uma empresa rentável que ajuda o governo a cumprir seus compromissos, principalmente com o povo brasileiro em geral, ao mesmo tempo em que ajuda também na amortização da dívida.

Pois, ao entregá-la para a iniciativa privada, Bolsonaro vai fazer a alegria do dono e/ou acionistas do grande grupo privado que abiscoitar a Caixa Seguridade.

Ou seja, um pequeno punhado de pessoas vai se fartar em lucros, às custas de 200 milhões de brasileiros que verão minguar o retorno que uma estatal deve garantir ao povo como um todo. Uns poucos ganham, uma montanha de gente perde. Esse é o resultado de qualquer privatização.

Responder

    Jetulio

    07 de março de 2021 às 10h15

    Essa ideia de q por ser estatal é melhor para as pessoas do que se for privado não faz o menor sentido. Tudo o q o governo faz via Caixa pode fazer via qualquer banco. E as pessoas nao ganham NADA do banco por ele ser estatal. Pelo contrário: a Caixa sendo o único dos 5 grandes sem capital aberto na Bolsa não permite a quem quisesse se associar para participar dos lucros, ao contrário do que fazem os outros 4 e diversos bancos menores.
    E só pra constar, na Caixa eu pago cesta de serviços e manutenção de conta, ja no Bradesco, onde tbm tenho conta, não pago nada e meu dinheiro ainda rende uns centavinhos por mês.
    Estatal não tá com nada.

    Responder

      Nelson

      07 de março de 2021 às 21h50

      “Tudo o q o governo faz via Caixa pode fazer via qualquer banco. E as pessoas não ganham NADA do banco por ele ser estatal”.
      Tens certeza? Então, te convido a ler as linhas a seguir.

      De tudo o que a Caixa Econômica Federal arrecadava, através da Lotex e suas loterias, o governo federal destinava até 48% para programas sociais que beneficiavam o povo brasileiro como um todo.

      No edital de privatização da subsidiária, o desgoverno de MiShell Temer baixou esse percentual para 16%, um terço do que era repartido com o povo. Por que Temer não manteve o mesmo percentual, meu chapa?

      Simples. Se mantivesse os 48%, o grande “investidor” privado não “compraria” a subsidiária, pois o lucro seria muito baixo

      Ou seja, dezenas e dezenas de milhões de brasileiros tinham que perder o apoio do Estado, via programas sociais proporcionados pelas loterias da Caixa, para que os donos e/ou acionistas da empresa “compradora” da Lotex, um ínfimo punhado de pessoas, passassem o obter lucros.

      Então, a conclusão é também simples. Essa operação é só mais uma que deixa evidente aquilo que vivo a repetir: a grande maioria do povo, 99%, nada ganha com as privatizações. Bem ao contrário, só tem a perder com a entrega daquilo que é de todos nós às mãos de uns poucos.

      Responder

      Nelson

      07 de março de 2021 às 21h51

      “A Caixa sendo o único dos 5 grandes sem capital aberto na Bolsa não permite a quem quisesse se associar para participar dos lucros, ao contrário do que fazem os outros 4 e diversos bancos menores”.

      Bem, no comentário acima já mostrei que estás equivocado. Bastante equivocado, pois, através dos programas sociais, a Caixa Econômica Federal beneficia a uma quantidade de brasileiros muitas vezes maior do que a que seria beneficiada se tivesse ações em bolsa como tu queres.

      Se dezenas e dezenas de milhões de brasileiros não têm renda nem para se alimentar adequadamente, teriam para comprar ações? Segundo estudo do IBGE, divulgado em outubro de 2019, nada menos de 104 milhões de brasileiros sobreviviam com até R$ 413 por mês. Detalhe. Com a pandemia, esses dados devem ter piorado ainda mais.

      Por fim, meu caro, sugiro que deixes desse teu pensar estritamente individualista e passes a olhar as coisas de uma forma mais abrangente. A Caixa sendo 100% pública não vai te dar os dividendos que tu dizes que ganharias se ela tivesse ações na bolsa. Porém, imagine quanto a nossa estatal está te dando indiretamente.

      Vejamos. Pense um pouco e imagine quantos brasileiros conseguiram escapar de se tornarem reféns do crime organizado por terem recebido o amparo dos programas sociais da Caixa?

      Sem esse amparo, onde esses brasileiros iriam conseguir recursos para tocarem suas vidas ainda que de forma precária? Se o Estado começa a se esquivar de cumprir as suas obrigações constitucionais, de garantir o mínimo para que cada brasileiro(a) possa viver uma digna, as necessidades do povo não se evaporam.

      E é aí que o crime organizado, o narcotraficante, encontra um campo vasto para se expandir e ganhar ainda mais aliados nos crimes que comete. Ao oferecer ajuda a um brasileiro desamparado pelo Estado – existem aos milhões -, o traficante o torna refém.

      Um exemplo. Anos atrás, eu me perguntava, ao ouvir a notícia de que um cidadão tinha sido preso jogando celulares para dentro do presídio aqui da minha cidade: “Mas, esse imbecil não tem cabeça, não tá vendo que vai ser pego? Como é que ele faz uma coisa dessas?”

      Foi só lendo e ouvindo os estudiosos da questão que comecei a me dar conta do motivo. Simples. Esse cidadão sabe que vai ser preso, mas, como acabou se tornando refém do narcotráfico, se ele não jogar o celular no presídio, o traficante vai matá-lo.

      Para terminar. O que é que eu quero dizer com tudo o que escrevi?

      Quero dizer que, com seus programas sociais que amparam muitos brasileiros, a nossa estatal Caixa Econômica Federal não está distribuindo dividendos para ti e outros acionistas, mas está garantindo que a segurança pública no Brasil seja um pouco menos ruim do que é hoje. Algo muito bom para todos nós, ainda que indiretamente.

      Procures sair da redoma de individualismo extremado em que a vastíssima propaganda ideológica procura jogar a cada um de nós e passe a pensar maior mais grande passarás a ver a imensa importância que têm as empresas estatais para o nosso Brasil.

      Continua

      Responder

      Neson

      07 de março de 2021 às 21h52

      Continuação

      Na verdade, as empresas estatais são importantes também nos países ricos, países CAPITALISTAS. A seguir, reproduzo comentário que publiquei neste sítio no dia 24 de janeiro. Assistas aos dois vídeos que estou sugerindo e tu te darás conta da importância das estatais para nosso país.

      “Em entrevista concedida ao jornalista Silio Boccanera, o economista sul-coreano, Ha-Joon Chang, mostra como os países ricos chegaram onde estão hoje.

      Um pequeno trecho da entrevista, que diz muito e deita por terra os dogmas liberais e neoliberais que pregam o Estado mínimo, pode ser assistido no vídeo “Ha Joon Chang O MITO DO ESTADO MÍNIMO” que pode ser acessado no endereço
      https://youtu.be/WKNC1VnxQis

      Em abril de 2019, pouco tempo antes de falecer, o jornalista Paulo Henrique Amorim recebeu o professor Alessandro Octaviani para uma entrevista.

      O professor publicou naquele mesmo mês um livro chamado “Estatais”. Nele, expõe a grande importância que as empresas estatais têm para a economia dos países ricos, CAPITALISTAS, friso outra vez.

      São apenas 26 minutos de entrevista em que Octaviani mostra o quanto a mídia hegemônica e seus comentaristas, supostos especialistas em tudo, mentem reiteradamente para o povo brasileiro no que tange às empresas estatais e à participação do Estado na economia.

      O professor Octaviani mostra também o quanto mente um grande grupo de acadêmicos, denotando toda a sua desonestidade intelectual, para dizer o menos.

      Uma verdadeira aula, que mistura história e economia política, a entrevista do professor Alessandro Octaviani está disponível em
      https://www.conversaafiada.com.br/tv-afiada/sem-estatal-o-brasil-nao-vai-crescer.”

      Responder

User

04 de março de 2021 às 19h04

Ultimamente o que NÃO tem funcionado é o internet banking da Caixa. Pensa numa coisa que tá irritando.

Responder

    Nelson

    04 de março de 2021 às 22h24

    Caro amigo.

    A tática não é exatamente nova. Já foi usada por outros governos privatistas e entreguistas como Fernando Henrique Cardoso e Antônio Britto [Rio Grande do Sul] na década de 1990, só para citar esses dois.

    O governante comprometido com os interesses do grande capital passa a cortar recursos, cortar pessoal. Assim, impede a estatal de se atualizar e de melhorar continuamente a qualidade dos serviços que presta ao povo. A função primeira de uma estatal não é dar lucro contábil; o lucro de uma estatal é atender às necessidades do povo sempre da melhor maneira possível.

    Vendo a qualidade dos serviços piorarem e envenenada pela propaganda midiática exaustiva e insistente, que só denigre a imagem da estatal, o povo vai começar a acreditar que será melhor privatizá-la.

    Pronto: estarão criadas as chamadas condições políticas favoráveis à privatização. Ou seja, opinião pública a favor; o povo passa a apoiar a entrega daquilo que é seu para um ou outro grande grupo privado se empaturre de lucros, às custas do próprio povo.

    Os governantes privatistas e os grandes grupos privados que estão de olho na estatal sabem que será essa a reação da grande maioria do povo. E, mesmo que a estatal seja entregue quase de graça, como fez com várias delas o governo mais corrupto e deletério que já tivemos, o de FHC, o povo vai aplaudir, tal é a dose de veneno que a ele foi inoculada pela propaganda pró-privatizações.

    Responder

      User

      05 de março de 2021 às 10h27

      Independente disso, sou favorável a privatização por questão de princípio.

      Responder

        Nelson

        07 de março de 2021 às 22h46

        Bem, meu caro.

        Além da réplica que fiz a teu comentário, publiquei também um comentário e uma longa réplica ao comentário do senhor Jetúlio. Sugiro que tu leias o que escrevi para ele e passes a refletir um pouco mais sobre a importância das estatais para o nosso país e nosso povo.

        Ao assistir aos vídeos que sugeri ao senhor Jetúlio, tu te darás conta disso. Não é à toa que, por meio das condicionalidades exigidas pelo duo FMI/Banco Mundial, os países ricos, Estados Unidos à frente, impõem as privatizações e a redução do tamanho do Estado de países como o nosso.

        Os países ricos não desejam que Brasil, Argentina, México, Venezuela, Colômbia e outros países pobres possuidores de imensa riqueza se desenvolvam, nos termos capitalistas, veja bem, porque vão se tornar competidores deles.

        E, como comprova o economista Ha-Joon Chang e também o professor Alessando Octaviani, o caminho para o desenvolvimento passa, inevitavelmente, por um Estado forte e empresas estatais.

        Até a década de 1960, as maiores empresas de petróleo do planeta eram privadas. Constituíam o grupo que era chamado de “as sete irmãs do petróleo”. Então, ao se darem conta da importância ultraestratégica do petróleo para a economia mundial, os países mais dotados em recursos petrolíferos passaram a colocá-lo sob o controle estrito de seus Estados.

        Resultado disso, hoje, das 25 maiores petrolíferas do planeta, 19 são estatais. E o que é que temos feito com a montanha de petróleo que descobrimos nos últimos 15 anos [Pré-Sal]? O que é que temos feito com a nossa Petrobras?

        Ao invés de colocarmos sob estrito controle do Estado brasileiro, esse petróleo, que poderia ser um passaporte para a melhora de vida de todo o povo brasileiro, seu legítimo dono, está sendo privatizado. A nossa Petrobras está sendo privatizada, desmantelada, destruída.

        Com a privatização, a montanha de petróleo do Pré-Sal vai se transformar em suculentos dividendos para os acionistas de um pequeno punhado de grandes empresas privadas – a imensa maioria nem brasileiro é – enquanto nós e mais de 200 milhões de compatriotas nossos continuaremos esperando pelo desenvolvimento do nosso país e uma melhora significativa em nossas vidas

        Responder

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