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PT, PSOL e PCdoB acusam prefeito do Rio de adotar “políticas de austeridade fiscal e choque de ordem”

Por Redação

01 de maio de 2021 : 18h41

A unidade da esquerda parece avançar no Rio de Janeiro. Em nota conjunta, PT, PSOL e PCdoB, além de PCB e UP, publicaram neste sábado (01/05) uma nota pública em que acusam o prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), de adotar “políticas de austeridade fiscal e choque de ordem”.

O documento sustenta que as medidas implementadas por Paes nos primeiros 100 dias de governo “só contribuem para o agravamento dos problemas vividos na cidade”.

Entre os pontos criticados pelos partidos de esquerda estão a reforma da Previdência e o armamento da Guarda Municipal. A gestão de Paes, diz a nota, “precariza os serviços públicos, retira direitos trabalhistas e agrava a repressão sobre os desempregados e trabalhadores informais”.

PT, PSOL e PCdoB defendem a imediata criação da renda Básica Carioca e o fechamento total da cidade (Lockdown) por 21 dias, além da suspensão da revisão do Plano Diretor e a proibição de despejos na cidade durante a pandemia.

Leia a nota na íntegra:

CARTA EM DEFESA DA VIDA E CONTRA A RETIRADA DE DIREITOS DOS CARIOCAS

Diante do desastre sem precedentes que o Rio de Janeiro está vivendo, em meio a uma pandemia que já tirou a vida de mais de 20 mil cariocas, os partidos que subscrevem esse documento decidiram unificar suas ações para enfrentar a gravíssima crise municipal.

Esta crise reflete a gestão desastrosa e genocida do governo Bolsonaro, que continua dificultando a aquisição de vacinas e propagando o negacionismo, ao mesmo tempo em que avança com uma agenda econômica de austeridade e de privatizações, além de colocar em risco as liberdades e direitos democráticos. Os resultados disso são: mais de 400 mil mortos, mais de 14 milhões de desempregados e mais de 125 milhões de brasileiros que não sabem se terão comida no prato no dia seguinte. Além da covid-19, o país está diante de uma pandemia de fome e desemprego. Neste cenário, a cidade do Rio ainda vive sob os efeitos do desmonte do serviço público, da retirada de direitos da classe trabalhadora e da completa ausência de uma política de assistência à população durante a pandemia.

Estamos certos de que essa crise só será superada com a defesa de um SUS universal, público, gratuito e de qualidade, com a garantia de vacina para todas e todos, e com a promoção de políticas emergenciais de emprego e renda. Mais do que nunca, medidas que assegurem uma vida com dignidade para todas as pessoas devem ser a prioridade.

Não sairemos da crise jogando o fardo do desastre nas costas dos trabalhadores e trabalhadoras, que já enfrentam a realidade de uma cidade em que cresce a miséria, o desemprego e a violência, onde falta água e saneamento básico, e que vive há anos um desmonte dos serviços básicos de saúde. Neste sentido, as políticas de austeridade fiscal e choque de ordem propostas pelo prefeito Eduardo Paes nos primeiros 100 dias de seu governo só contribuem para o agravamento dos problemas vividos na cidade. Medidas como a Contra-reforma da Previdência e o armamento da Guarda Municipal precarizam os serviços públicos, retiram direitos trabalhistas e agravam a repressão sobre os desempregados e trabalhadores informais. Essa política deve ser derrotada!

É preciso superar os erros que nos trouxeram até aqui: o negacionismo, a política do ódio e a manutenção dos privilégios que aprofundam a desigualdade social. Face ao abismo que assombra o Rio, a solidariedade é a bandeira que nos une no caminho para uma sociedade com vida digna e humanidade plena para todos e todas. Em um momento de crise tão grave, a unidade entre os partidos de esquerda, os movimentos sociais e a sociedade civil organizada é ainda mais necessária, para construirmos um programa e um caminho de superação concreta que faça do Rio de Janeiro uma cidade verdadeiramente justa e igualitária.

Os partidos que assinam este documento se comprometem a:

1. Trabalhar em conjunto para pressionar a prefeitura a regulamentar a lei nº 6.746, de 15 de junho de 2020, que cria a Renda Básica Carioca, com o objetivo de garantir uma política permanente de auxílio emergencial para os trabalhadores da cidade;

2. Defender uma Parada Pela Vida, com o fechamento completo da cidade durante 21 dias para reduzir a proliferação do vírus na cidade;

3. Defender a proibição de despejos na cidade durante a pandemia e lutar por políticas de moradia digna;

4. Defender a suspensão da revisão do Plano Diretor, bem como qualquer alteração nas regras urbanísticas da cidade ou de seus bairros, enquanto não houver segurança sanitária para garantir a devida participação popular com audiências públicas presenciais em todas as regiões da cidade;

5. Barrar a proposta de armar a Guarda Municipal apresentada pela prefeitura e qualquer política que aumente a circulação de armas e a militarização da cidade;

6. Lutar contra as medidas que reduzem salários dos servidores e precarizam os serviços públicos, como a Contrarreforma da Previdência Municipal defendida pela prefeitura;

7. Denunciar a crise hídrica, defender a água como direito universal e lutar por uma CEDAE pública e de qualidade;

8. Ter como política central o apoio às iniciativas de solidariedade dos movimentos sociais e da sociedade civil para amenizar o impacto da pandemia e fortalecer as redes de apoio coletivas e comunitárias.

9. Defender a criação de programa de incentivo e crédito a juro zero para pequenas e médias empresas, tendo como contrapartida a garantia da manutenção de emprego, da renda e dos direitos trabalhistas.

Rio de Janeiro, 1 de maio de 2021.

Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)

Partido dos Trabalhadores (PT)

Unidade Popular (UP)

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3 comentários

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Paulo

01 de maio de 2021 às 21h55

O discurso da esquerda é sempre bonito. Quem é contra? Mas a realidade futura desse discurso pode ser a Venezuela ou até Cuba. A América do Sul vive momento muito difícil, com a Argentina, Venezuela, Bolívia, e, possivelmente, Peru, se bandeando para o lado escuro da existência. O Brasil corre o sério risco de ser o último guardião da defesa da democracia no Subcontinente. Talvez, até, a questão se militarize e passemos a enfrentar pressão crescente em nossas fronteiras. Mas a resistência não se pode dar sob Bolsonaro. Temos que encontrar alguém decente…

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    Alexndre Neres

    02 de maio de 2021 às 14h26

    Nessa altura do campeonato, é duro ler uma coisa dessas. Eis que o Paulo aduz que “A América do Sul vive momento muito difícil, com a Argentina, Venezuela, Bolívia, e, possivelmente, Peru, se bandeando para o lado escuro da existência.” Não vou mencionar a Venezuela pra turba não surtar. Gostaria de saber qual o problema do governante democraticamente eleito da Argentina, Alberto Fernandez. E da Bolívia então? Há pouco houve um golpe de estado e um governo ilegítimo tomou de assalto o poder. O que o Paulo disse? Nada. Ou seja, o Paulo ataca governos legítimos e se abstém de comentar sobre golpistas. Paulo deixa entrever que o problema é ser eleito algum governo no espectro da esquerda, para ele representa o lado negro da força e provavelmente deveria ser abatido de plano. Não demonstra o menor apreço pela soberania popular. O discurso do Paulo em pleno século XXI parece tratar do perigo comunista. Mas não fica só nisso, vai adiante. Para o Paulo, o Brasil de Bolsonaro vai ser o guardião da democracia do subcontinente. Como? Por meio de intervenção militar? Fechando o STF? Impedindo a circulação de vacinas chinesas e russas? Enquanto para o renomado sociólogo espanhol Manurl Castells o Brasil não pode ser considerado mais uma democracia, para o Paulo o Brasil representa o bastião da democracia na América do Sul, a resistência. Infelizmente no Brasil é avis rara encontrar um liberal, um conservador, aqui só há reacionários e rematados golpistas. Em meio ao pandemônio que estamos enfrentando, vejam que as pessoas ainda se dão ao luxo de fazer discursos coniventes com o desgoverno, colocando-o numa missão messiânica que os tresloucados como Ernesto Araújo adoram se autoatribuir, qual seja, a de defensor intransigente da democracia. Não por acaso estamos nessa draga.

    Quanto ao tema, é bom para deixar claro o quanto é difícil para nós da esquerda (PT, PCdoB e PSOL) nos aliarmos a neoliberais como Paes, a conta não fecha. Mostra que a proposta de frente ampla do Freixo restringirá nossa atuação, impedindo de tomar medidas mais consentâneas para enfrentar o estado atual de coisas. Não bastasse o que está passando diariamente a população desassistida carioca, o Paes quer armar mais uma corporação para ampliar a violação dos direitos, na linha da corrida armamentista proposta por Bolsonaro. Como bem disse o jurista Silvio Almeida, estamos sob os desmandos do centauro, metade bolsominion, metade neoliberal. Os dois se completam e formam um só corpo.

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      Renato

      03 de maio de 2021 às 13h33

      ahahah . Pra quem já se alinhou a Fernando Collor, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Geddel Vieira, Renan Calheiros, Jader Barbalho……se alinhar a Eduardo Paes ( PCdoB já se alinhou…Jandira foi secretária de cultura de Paes em 2009) vai molezinha. É só ele oferecer uns carguinhos, que a esquerda cai de boca ! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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