Paris Café: O PT tem um projeto de governo? Qual é?

Igor Felippe: Dez pontos sobre as manifestações de 29M

Por Redação

31 de maio de 2021 : 17h42

Por Igor Felippe

1- As manifestações de 29 de maio foram expressivas, tanto em relação à capilaridade nacional quanto ao número de participantes. Foram registrados atos em todos os estados e DF, em 213 cidades, mobilizando mais de 420 mil pessoas. Os protestos em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília foram mais expressivos, dando ressonância nacional. Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre tiveram atos importantes também.

2- A jornada teve uma repercussão grande nas redes sociais, isolando o campo bolsonarista e anulando a direita liberal. No Twitter, a ação de rede em torno da hashtag #29MForaBolsonaro envolveu 202 mil participantes, com quase 2 milhões de postagens.

3- As manifestações tiveram participação de um contingente de classe média, da juventude estudantil e da militância das organizações da classe trabalhadora. Foi baixa a participação da base da classe trabalhadora e dos camponeses nas capitais, mas teve presença importante nas cidades menores. Em diversos estados, especialmente no Nordeste e mesmo no centro-oeste, teve uma composição social com maior participação popular.

4- Apesar da dificuldade de promover atos de rua evitando aglomerações, houve um esforço de manter a organização, resguardar algum distanciamento e garantir que todos os manifestantes estivessem de máscara. Tanto as aglomerações (especialmente em SP, Rio e BH) como também o esforço com as medidas sanitárias tiveram destaque na mídia empresarial, o que diferenciou dos protestos bolsonaristas.

5- A jornada terá um impacto importante na conjuntura e marcará um novo período da luta política. Assim como foi a crise de Manaus e as carreatas (janeiro), a eleição para a presidência da Câmara (fevereiro), a volta do Lula à cena com direitos políticos (março), a reforma ministerial (abril) e a CPI da Covid no Senado (maio).

6- O desgaste de Bolsonaro aumenta. A retomada dos direitos políticos do Lula já tinha acendido o sinal amarelo para o governo. Depois, a CPI da Covid passou a impor um desgaste permanente em relação às políticas para a pandemia. Agora, com as manifestações de rua, o ex-capitão é afrontado nas ruas, já que a palavra de ordem que unificou a jornada foi Fora Bolsonaro. Paralelamente, tem diminuído a intensidade da atuação das milícias bolsonaristas nas redes sociais. Tanto que não conseguiram manipular o significado dos atos.

7- Diante disso, a fatura do centrão para o governo deve ficar mais cara. Serão cobradas medidas que possam recompor o apoio nas eleições, com o aumento de gastos públicos. O ministro da Economia Paulo Guedes, de acordo com nota de jornal, estaria convencido da necessidade de abrir o cofre. Valdemar da Costa Neto, presidente do PL e conselheiro de Bolsonaro, propôs retomar o auxílio emergencial de 600 reais.

8- A direita não-bolsonarista perde ainda mais espaço. Já estava espremida eleitoralmente entre Lula e Bolsonaro. Agora, vê aumentar o protagonismo da esquerda na oposição ao governo na sociedade. Até agora, a Globo tentava desempenhar esse papel. A direita não bolsonarista terá que aumentar a carga contra Bolsonaro, inclusive colocando o impeachment. Caso contrário, terá dificuldades para suplantar o presidente e viabilizar a 3ª via contra Lula.

9- A esquerda dá uma demonstração de força com os atos. Volta às ruas e expressa na luta de massa as insatisfações crescentes contra o governo. A campanha Fora Bolsonaro ganha referência, especialmente com a capilaridade da jornada, e terá que discutir a realização de novos atos ou formas efetivas de impor desgaste ao governo. No entanto, manter os atos de rua como ações extraordinárias, em meio a uma pandemia, contribui para evitar a banalização da exposição das pessoas dos bolsonaristas.

10- A presença marcante da juventude nos atos, com grande peso por todo o país, demonstra a oportunidade e coloca o desafio de aproveitar esse engajamento político, que muitas vezes brota nas redes sociais. Fomentar a organização mais orgânica da juventude, para além de atos esporádicos, é fundamental para construir uma força social e um novo ciclo de lutas.

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5 comentários

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Ricardo

31 de maio de 2021 às 21h53

Galera, depois do último sábado tá liberado aglomerar!

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Duilio

31 de maio de 2021 às 19h03

Aglomerar com mascara pode entao…? To confuso, tem hora que dizem que nao pode de jeito nenhum, outras que pode..dependede que essa alternancia na opiniao ?

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Efrem Ventura

31 de maio de 2021 às 18h21

O PT e Lula estao associados indissoluvelmente a corrupçào endemica que imperava no Brasil e isso nao se apagarà por muitos anos.

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Willy

31 de maio de 2021 às 18h11

Sò na passeata de moto no Rio tinha o dobro de gente e foi sò para motos, o mesmo na manifestaçào dos agricultores em Brasilia…e foi sò desse setor.

A CPI é uma palhaçada de quarto mundo e Lula faz parte do triste passado politico do Brasil ha mais de 10 anos..

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Ronei

31 de maio de 2021 às 18h08

DE 2018 pra cà nao mudou nada, “ele nao” mudou para “fora bolsonaro”, essa foi a unica mudança.

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