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Comentários sobre a entrevista de Ciro ao Conexão Xangai

Por Miguel do Rosário

07 de junho de 2021 : 14h03

Fazer um comentário imparcial sobre uma liderança política requer um cuidado muito grande, por causa das paixões e ódios inevitáveis que despertam.

Se fazemos um elogio, será considerado bajulação pelos adversários do político. Se fazemos uma crítica, será visto como um ataque “desonesto” por seus apoiadores.

Essas dificuldades fazem com que uma quantidade enorme de pessoas simplesmente não mencione ou não discuta o desempenho das lideranças, como maneira de garantir sua própria paz de espírito. Isso acaba se tornando um estorvo ao debate democrático.

Não precisamos fazer como Suetônio que, em sua biografia de Julio César, ocupa a metade inicial do livro descrevendo-o como um político profundamente corrupto, desonesto, desleal e tirânico, e a outra metade fazendo exatamente o contrário, pintando Cesar como o mais brilhante, generoso, criativo e democrático líder político de Roma Antiga. Mas devemos buscar um ponto de equilíbrio. Vou tentar fazer isso.

A entrevista de Ciro Gomes para o Conexão Xangai, programa tocado pelos economistas Andre Roncaglia, Paulo Gala, Uallace Moreira e Elias Jabbour, foi seguramente uma de suas melhores dos últimos tempos.

Nela, vemos um Ciro extremamente preocupado em defender a sua doutrina de economia política, baseada num projeto nacional de desenvolvimento cujo ponto fulcral seria uma grande aposta na reindustrialização do país, começando por setores nos quais temos instrumentos, espaço e vantagens comparativas para fazer isso, como o complexo nacional da saúde, da defesa, do agronegócio e da cadeia de petróleo e gás.

Também nos reencontramos com um Ciro Gomes que conhece a realidade profunda do Brasil, e que tenta desenvolver uma ideia holística, conjuntural, sobre os grandes problemas nacionais, mas sem esquecer que o principal desafio é trazer soluções práticas para a ponta final, para a família brasileira, pobre ou de classe média, rural ou urbana.

Mas a entrevista também evidencia algumas das dificuldades de Ciro Gomes para furar as duas grandes bolhas onde estão o grosso do eleitorado.

O discurso de Ciro continua acadêmico demais para chegar à maior “bolha” de todas, a bolha popular. Ciro tem alguns vícios de linguagem dos quais deveria ter se livrado há tempos, porque são simplesmente excessos.

Ele usa adjetivos demais, advérbios demais, expressões em inglês ou definições técnicas que poucos conhecem, vocabulário rebuscado, frases longas. Algumas dessas expressões não podem sequer ser justificadas como “linguagem culta”. São apenas vícios de linguagem, de um tipo bastante cafona, que é quando o sujeito tenta “parecer” inteligente. Demonstra antes insegurança do que confiança em si mesmo. Em português temos uma palavra muito objetiva e brutal para definir esse vício de estilo: pernóstico.

Tudo bem, era uma conversa entre economistas. Mas Ciro não é economista. Ele é um pré-candidato a presidência da república numa democracia com 150 milhões de eleitores, então toda e qualquer participação sua deveria ter uma linguagem padrão, simples e popular, mesmo abordando temas complicados, como economia política.

Além desse desafio linguístico, que não pode ser subestimado, há um outro, de ordem política, no caminho de suas aspirações eleitorais, que é a sua ideia de formar uma “nova hegemonia moral” no país.

Na entrevista, ele repete essa expressão, chegando a brincar com Elias Jabbour – um economista assumidamente marxista, especialista em China e dirigente nacional do PCdoB – que essa era uma lição de Gramsci, um dos maiores pensadores marxistas do século XX. O pensador italiano escreveu muito sobre a função da cultura, dos intelectuais e dos partidos, na construção de uma hegemonia moral que, paulatinamente, se transformaria em poder político.

Ciro sempre fala em Gramsci e em hegemonia moral, mas nunca me pareceu empenhado em colocar em prática essa teoria.

E aí entra a segunda grande bolha, a ideológica, que apesar de ser numericamente pequena, é imensamente influente nas redes sociais, e pode levantar ou destruir uma candidatura. No caso de Ciro, a sua bolha ideológica, em virtude de seu histórico e suas ideias, é a da esquerda.

Desde sua ida ao estrangeiro no segundo turno das eleições, decisão que acabou por se transformar numa poderosa peça de propaganda política contra si, até sua falta de delicadeza no trato com uma militância petista profundamente ferida pela injustiça praticada contra seu líder (injustiça que o próprio Ciro tantas vezes denunciou), além de uma sucessão de outras trapalhadas, essas ações acabaram por criar muitas dificuldades políticas pra Ciro dentro do campo progressista.

Ciro é tratado como radical de esquerda pela direita, e como radical de direita pela esquerda. Isso não se mostrou uma fórmula inteligente para capturar o centro, porque o centro não gosta de radicalismo nem de esquerda nem de direita.

E por que é assim? Por que Ciro é tratado como radical, sendo que não é?

Ciro é obviamente um político de esquerda. Na entrevista ao Conexão Xangai, esse é um do fatos mais claros, a começar pelo clima de cumplicidade que se estabelece desde o início entre os economistas, alguns dos quais, como já falamos, são marxistas declarados, como Jabbour (embora Jabbour esteja muito longe de ser um ortodoxo ou sectário; ao contrário, em suas próprias intervenções na entrevista, Jabbour faz questão de se apresentar como um marxista que defende parcerias entre Estado e empresas privadas, bem ao estilo pragmático e dialético da China contemporânea).

O fato, porém, é que Ciro Gomes se sente à vontade na esquerda. Esse é seu mundo.  Ter um lado e se manter fiel a ele é uma qualidade, mas também nos oferece algumas armadilhas. Ao se sentir tão à vontade entre seus “amigos de esquerda”, Ciro acaba incorporando alguns vícios esquerdistas bobos, como o de insultar os economistas liberais e fazer pouco caso de seus valores e ideias, usando a mesma linguagem de “militante da UNE” que ele aponta em seus concorrentes do mesmo campo. Ao se referir às organizações de classe da indústria nacional, como Fiesp e CNI, Ciro diz que se tornaram antros de industriais falidos, e ataca pessoalmente Paulo Skaf, presidente da primeira e Robson Andrade, presidente da segunda.

Os entrevistadores riem dos insultos, porque são de esquerda, mas um observador da grande cena política percebe que a fala de Ciro apenas cria mais alguns inimigos poderosos, sem agregar ninguém novo. Por mais críticas que tenhamos a essas figuras, o momento é de produzir condições para o diálogo, e não de explodir mais pontes.

Ao agir assim, Ciro acabou se tornando um dos alvos preferidos dos liberais brasileiros, e os liberais, mesmo não sendo bons de voto, sempre foram bons de mídia. Ah, a solução seria se submeter aos liberais? Não. É preciso enfrentar os liberais brasileiros, que historicamente sempre foram os liberais mais falsos, cínicos e até mesmo os menos liberais do planeta. Apoiaram a escravidão, apoiaram a ditadura militar, apoiaram Bolsonaro. Depois que Inês é morta e seus bolsos ficam cheios, eles se arrependem. Mesmo assim, é preciso evitar a generalização.

A história do desenvolvimentismo moderno sempre foi uma história de luta contra os liberais ortodoxos, a começar por John Maynard Keynes, que lhes aplicou uma marretada tão forte na cabeça em 1936, com a publicação de seu clássico, Teoria Geral, que eles demoraram quase 40 anos para se recuperar e contra-atacar, com Milton Friedman. Keynes sabia morder, e se cercava de gente que também sabia, mas sempre entendeu que o grande desafio era convencer e seduzir, através do respeito à ciência econômica, a lógica dos fatos, a solidez de seus argumentos. E atacava também por dentro, pois era do Partido Liberal, e sua nova doutrina oferecia a única fórmula para combater o crescimento do prestígio do socialismo soviético.

Voltando a Ciro e a sua ideia de formação de uma nova hegemonia moral no país, outra divergência entre as boas ideias do pedetista e a sua prática, é – repito – o problemão que ele acabou criando junto a amplos setores da esquerda brasileira. É contraditório falar em construir uma nova hegemonia moral no país, pretender ser o líder dessa hegemonia, ter ideias fortemente identificadas como progressistas, e ao mesmo tempo ser tão hostilizado por parte crescente da esquerda. Alguma coisa está errada!

Já disse que acho um absurdo considerar Ciro um quadro da direita, mas ao mesmo tempo é preciso entender porque existe um movimento de crescente hostilidade a Ciro dentro da esquerda.

Na entrevista ao Conexão Xangai, Ciro não atacou o PT nem Lula. Fez críticas inteligentes, mas deixou de lado os insultos às vezes grosseiros que costuma fazer, e que naturalmente são a causa principal de seu “cancelamento” junto a muita gente do campo progressista.

Um amigo cirista reagiu a entrevista no Conexão com entusiasmo, dizendo que Ciro finalmente não havia caído em “pegadinha”, nem cometido nenhum “deslize” verbal que fizesesse com que um vídeo de 2 horas e 30 minutos fosse julgado por uma observação brutal de 10 segundos sobre o Lula.

No entanto, esse “alívio” da militância cirista, que de fato se empolgou com essa entrevista, é também um sinal de alerta. Quando uma das grandes preocupações da militância política é que seu líder não trabalhe para desestabilizar a sua própria campanha, é porque existe desde já uma dissonância política grave na relação entre o líder e a militância.

Há pouco tempo, em entrevista ao Globo em abril de 2021, Ciro disse que “viajaria a Paris no 2o turno com mais convicção”.  Ora, Ciro, isso não é, definitivamente, uma frase gramsciana de alguém preocupado em construir uma “nova hegemonia moral”! Juntamente com outras manifestações do pedetista, elas tem gerado um movimento preocupante de isolamento do candidato junto ao campo progressista, e não se observa nenhuma estratégia para neutralizar isso. Ao contrário, como vimos no debate em torno do voto impresso, parte da militância cirista parece ter abandonado a preocupação de se distanciar de Bolsonaro, na ilusão, tola e perigosa, de que pode capturar parte desses eleitores. O bolsonarismo tem que ser esmagado. E a estratégia para fazer o bolsonarista parar de votar em Bolsonaro é mostrando o quanto o presidente é ridículo, incluindo sua defesa do voto impresso, pauta hoje totalmente vinculada ao bolsonarismo. Não adianta esconder a palavra impresso e falar em “voto auditável”. Auditável, o voto já é. E auditar usando papel é o cúmulo do atraso. Auditoria de voto eletrônico tem que ser eletrônica também, por questões de agilidade, segurança e cruzamento dos dados.

Voltando a entrevista analisada, ela mostra um candidato afiado para as questões econômicas, e que certamente irá contribuir muito para puxar o debate eleitoral em 2022 para o que, de fato, importa, que é a discussão de um projeto nacional para tirar o Brasil do buraco e superar o subdesenvolvimento.

Enquanto liderança política, todavia, Ciro enfrenta hoje muita resistência contra o seu nome, tanto entre progressistas quanto entre liberais, e muitas dessas resistências foram criadas por ele mesmo.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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19 comentários

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Joceli da Rosa.

09 de junho de 2021 às 13h48

Considero CIRO GOMES o candidato mais PREPARADO para presidir o país e nos liderar rumo ao PROGRESSO. Contudo, o fato de Lula ser candidato dificulta muito a vida do Ciro, tendo em vista que para boa parte do campo progressista Lula é um DEUS, concordo que Ciro deve bater um Lula com mais ELEGÂNCIA, mas o pior seria ele não bater.

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João Alexandre

08 de junho de 2021 às 20h09

O Ciro na minha opinião é o melhor candidato para fazer o país crescer. Sei de algumas falhas dele, mas quem não falha ou não tem defeitos? Então, vejo nele muito mais qualidades diferentemente dos outros candidatos, principalmente Lula com sua corrupção sistêmica e crise que começou no governo petista e Bolsonaro despreparado. Muda Brasil em 2022.

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EdsonLuiz.

08 de junho de 2021 às 18h17

Liberalismo é uma matriz de ideias que permeia todo o setor democrático do espectro político, ficando excluídos de sua influência apenas os dois extremos.

A Extrema-esquerda e a Extrema-direita não sofrem nenhuma influência do liberalismo, suas visões são informadas por outras matrizes.

No sabor Esquerda a influência liberal é minoritåria ao marxismo; já no sabor Direita a influência liberal é minoritária ao conservadorismo de corte positivista modernizado.

Nas duas forças que ocupam o centro do espectro, a Centro-direita e a Centro-esquerda, o liberalismo tem hegemonia, com influência do conservadorismo na Centro-direita e influência do marxismo na Centro-esquerda.

Observe-se que, de forma pura, o liberalismo não é encontrado em nenhum sabor. Seria até uma contradição se alguma força política baseada nas ideias liberais, que são ideias abertas e arejadas, se fechasse apenas em sua matriz liberal, não aceitando ser influenciada por aspectos de outros olhares que considerassem possíveis e em algum grau benéficos.

Também não seria nada de liberal se uma força política, ao constatar que as possibilidades que considerassem benéficas não estivessem compensando a ameaça a valores liberais mais fundamentais, essa força política mantivesse o grau parcial de apoio que estivesse emprestando a algum poder.

O Partido Novo, pela coerência que tem mantido, tanto quando apoia como quando deixa de apoiar, tem merecido de mim todo o respeito. Em minha vida adulta, o Partido Novo é o primeiro partido de direita que conheço. É um partido nascente e não sei se vai conseguir se estabelecer. Tomara que sim.

Já na esquerda, o único partido coerente que vi foi o PSOL, também ele um partido nascente e que eu torso (vou corrigir. Vai que algum linguísta fascista reclame: TORÇO) para que também consiga se estabelecer no quadro partidário.

Eu mesmo, que me identifico como de Centro-esquerda, gostaria muito que fosse construído um partido político deste sabor a partir dos fragmentos que temos e que, separados, não são viáveis, o PSB, o Rede, o PDT, o Cidadania, o PV, e os social-democratas que estão no PCdoB, no PSDB, no PT e em outros partidos.

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m

08 de junho de 2021 às 10h41

Adoro suas análise, creio que o CIRO também deveria lê-las. Mas é preciso ponderar que o Ciro vem adotando um discurso mais moderado, melhorando a forma como fala e sua inserção nas redes. Por mais que se queira derrotar Bolsonaro, o Ciro não vai tirar mais votos do Lula, sua base é de esquerda, os 6% que ele tem são eleitores de esquerda. e ele precisa falar para sua militância.

Mas, concordo plenamente, as fala direcionadas aos liberais, a pessoas influentes de instituições como a CNI e FIESP nao acrescentam em nada, ai para mim fica evidente um ponto que precisa ser melhorado rapidamente. essa mania de buscar alguém para criticar. Problema existem aos monte no pais, pessoas incompetentes e desprezíveis também, mas não dá pra fica a toda entrevista trazendo mais personagens pra essa historia quando o foco deve ser ELE, LULA e BOZO ou seu PND e o projeto atual representando por lula/bozo.

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Erasmo Guterres silva

08 de junho de 2021 às 08h24

A pergunta que fica
Queremos um presidente que tenha valor moral e capacidade técnica para governar ou aquele hábil em articulação política( leia-se eleitoral) Ah dirão mas precisa ser eleito. Como serão se pessoas ditas pensantes o desconstrói olhando apenas a capacidade de construir alianças como única análise negativa?Ou estou enganado sobre sua análise?

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Rogério

08 de junho de 2021 às 06h56

Hummmmmm! Artigo interessante! Pena que esse o 247 e o DCM não reproduzirão.

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    João Alexandre

    08 de junho de 2021 às 20h03

    O 247 e o DCM trabalham para o Lula e jamais fariam uma análise que não fosse de ataque ao Ciro, tanto é que nem leio mais nada deles.

    Responder

Renato

08 de junho de 2021 às 04h03

Não acredito q o Ciro seja de esquerda. Senão não fustigaria tanto o maior partido da esquerda atual no Brasil, o PT. Como o ser político além de ser “bom” tem q ter carisma, Ciro Gomes não passa de um FHC melhorado. Mas tbm vai dizer pra esquecer tudo o q disse ou escreveu. SE pra esquerda popular ele é arrogante e falastrão, pra direita popular ele não é confiável.

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Alexandre Neres

08 de junho de 2021 às 01h46

Acho que a postura crítica do Miguel contribui sobremaneira com o Ciro. É fundamental ter gente no entorno que fale a verdade, por mais dolorosa que ela seja, pois puxa-saco pra dizer amém nunca falta.

Algumas observações foram extremamente percucientes, como a quem se destina o discurso. O comentário sobre os nossos liberais da boca pra fora foi irretocável. Sonho em encontrar um liberal de verdade por essas plagas, este é o meu real adversário com quem gostaria de debater, mas até hoje não encontrei um. Vide o caso do Novo que o EdsonLuis não cansa de enaltecer, autoproclama-se liberal e foi aliado do Bozo de primeira hora até outro dia, alguns ainda permanecem fiéis à causa.

Parece que às vezes o Ciro dá umas mancadas e depois tenta reparar o erro. Que nem um árbitro que comete um equívoco pra um time e depois quer compensar. Ao fim, ficam dois erros pra contar a história.

Temos que arrumar um jeito pra trazer o Ciro de volta e deixá-lo à vontade entre os progressistas, seu hábitat natural. Quem sabe no período pós-eleitoral? Não podemos prescindir de um homem público assim em meio a tantas nulidades.

Tenho a impressão de que o bruxo tá pondo tudo a perder.

Hoje, por exemplo, li no Estadão que Ciro quer escolher a palavra exata para definir Bolsonero: traidor!
Deve ter toda uma estratégia do bruxo por trás disso. Porém, se tem coisa que ele num é é traidor, Bolsonero é autêntico, está cumprindo à risca o que prometera, destruindo as instituições, à exceção da pandemia que não era prevista, mesmo assim ele age dentro de uma lógica previsível e tosca.

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Julius

08 de junho de 2021 às 00h06

Veja o nível de doença deste país. Um candidato não pode mais criticar o outro, porque isso desagradaria os eleitores do adversário. Quando, na verdade, desagrada um seita de fanáticos, de lunáticos, lacradores e sectários. E só.

Tenho lido essas análises e esses prognósticos políticos e eles estão cada dia piores.

O que Miguel sugere é que, em relação à corrupção, Ciro fique caladinho. Veja, Palocci devolveu 100 milhões. Isto é ou não um fato político relevante? Miguel sugere uma espécie de culto ao homem Lula e neutralidade em relação ao assunto da corrupção. Pior, sugere fazer o joguinho desses liberais fodidos, também para não ofendê-los. Não seja estúpido, Miguel. Esses caras não se ofendem com palavras, eles se ofendem com a possibilidade de tributação de dividendos, essas coisas.

E convenhamos que você não é nenhum Maquiavel dando conselhos ao príncipe, você simplesmente não sabe como vencer uma eleição neste país. É arrogante essa crítica.

Em resumo, você sugere que Ciro ajuste seu discurso para algo raso, simplório, quer que ele repita o mantra do aeroporto/picanha. Não vai acontecer.

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Patrice L

07 de junho de 2021 às 23h59

Pensei que Redação já tinha jogado a toalha. Só que não.

Esforços editoriais quase que circenses (malabarismos, contorcionismos, ilusionismos) para passar ao distinto público que Ciro é liderança (popular é que não é), ainda por cima de esquerda e que estava empenhado na libertação do Lula.

O “Lula tá preso, seu babaca!” não está lá no final da campanha, não. Está desde o começo, quando Ciro procurava ambiguidades nas palavras para, por puro calculismo eleitoral, chegar na fórmula esperta de que a prisão era injusta, porém legal. Hã, como assim? A finalidade do Ciro era obter simpatias ao condenar, mas também emplacar uma desculpa qualquer – qualquer uma, mesmo que falsa, contraditória! – pra ainda assim deixar o Lula preso e o caminho livre pra si.

A honestidade impõe dizer isso, Redação!

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marco

07 de junho de 2021 às 20h09

Cada vez mais difícil os apoiadores de Ciro Gomes votar no “encantador de serpentes”.
Quem viver verá !

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Maicon Rosa

07 de junho de 2021 às 19h06

Ciro tem e terá meu voto, com ou sem Lula, preferencialmente, sem Lula, mas terá meu voto. A esquerda não pertence ao PT, aliás, convenhamos, nunca neste país banqueiros enriqueceram tanto quanto no governo Lula. Ciro é o mais preparado e experiente. Mas concordo que chegou a hora dele esquecer a existência do Lula e ser mais inteligente na construção de seu pleito.

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Getúlio

07 de junho de 2021 às 18h17

Uma análise irretocável. Desenha Ciro Gomes, com todos os seus predicados como planejador de um Brasil para o desenvolvimento,e ao mesmo tempo, mostra o Ciro Gomes que aos pouco se inviabiliza politicamente. Daí os seus minguados 5%, infelizmente.

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CezarR

07 de junho de 2021 às 15h37

Se o PT e o Lula levarem 2022, creio que o PT se encerrará em si mesmo para, por muito tempo, deixar de ser essa máquina de disputa eleitoral que se tornou. O Lula possivelmente vai pegar uma onda de commodities, vai fazer a economia girar e reativar um dos motores fundamentais do desenvolvimento, mas o segundo e terceiros movimentos necessários ele não fará, logo, será uma recuperação efêmera que se diluirá no tempo. No fim, vai ser uma frustração que deixará a população mercê da antipolítica.

Responder

CézarR

07 de junho de 2021 às 15h28

Miguel, suas críticas são bem-vindas e sempre procuram construir e não destruir. Ciro realmente tem um problema sério de falar só para as classes médias letradas, apesar de ter um potencial intrínseco enorme para falar com o povão, isso o acompanha desde que comecei a prestar atenção nele ainda na década de 90. Quanto a trazer os ódios da militância petista, francamente, é um fato dado e imutável. Ciro sempre esteve ao lado do PT e mesmo tendo defendido veementemente o Lula na lava-jato e mensalão, quando levanta criticas factuais é dilacerado por essa mesma militância, então não há nada de bom ou ruim que possa fazer neste quesito. Se, por hipótese, Ciro fosse ao segundo turno com o Bolsonaro ou qualquer outro candidato da centro-direita, boa parte dessa mesma militância votaria nele, muito embora uma boa e relevante parte dessa mesma militância defenderia e praticaria o voto nulo ou até mesmo o voto no candidato do outro lado, apenas para manter a hegemonia da esquerda.

Responder

Rony Lopes Lunguinho

07 de junho de 2021 às 14h42

Miguel

Existem plateias diferentes. Que o Ciro tem que adequar seu discurso as massas e chover no molhado. Então nenhuma novidade em sua análise.
No caso desta entrevista tem que enfatizar sim a platéia. Ele falava com economistas sobre projeto de desenvolvimento para o país. Você não queria ali que ele falasse: “Pão é trigo e trigo é dólar”. Ele falou :”A indexição da taxa da câmbio comprime os preços dos produtos”.
Devagar com a dor.
Quando ele falar a CNN, Globonews, algum canal mais difundido a camadas populares seu artigo fará mais sentido.

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FABIO MAIA

07 de junho de 2021 às 14h38

Rosário?!!!! Será que você começa a acordar de um sono PROFUNDO!!!!?

Responder

    O Demolidor

    08 de junho de 2021 às 00h37

    Tá descobrindo um sujeito que sempre foi assim na vida…..um tucano que cresceu longe do ninho…..o próprio já disse não ser um puxadinho do PT….deve se achar uma mansão com 5% das intenções de voto…

    Responder

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