Bahia: Refinaria privatizada provoca desabastecimento de Gás de Cozinha

Foto: Adriano Machado/Reuters

Entenda o escândalo que pode derrubar Jair Bolsonaro

Por Gabriel Barbosa

26 de junho de 2021 : 12h30

Os depoimentos dos irmãos Luis Ricardo Miranda, servidor de carreira do Ministério da Saúde, e do deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), à CPI da Pandemia no Senado Federal na noite desta sexta-feira, 25, foram muito impactantes em mais de 60 dias de trabalho da comissão.

Além das irregularidades constantes nos três contratos de compra e nas notas fiscais que foram enviadas ao setor de importação e exportação do Ministério da Saúde, o depoimento também levou a um nome que pode ser, até o momento, a peça chave para o desfecho da investigação, do líder do Governo Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), que será convocado para depor na CPI.

Apesar de ter dito que não foi responsável pela nomeação de Regina Célia Silva Oliveira, o Diário Oficial da União do dia 15 de fevereiro de 2018, ainda no Governo de Michel Temer (MDB), mostra que o então ministro da Saúde, Ricardo Barros, carimbou a nomeação da servidora que na constância do Governo Bolsonaro autorizou a importância do imunizante indiano no valor de US$45 milhões em nome uma offshore.

Além da nomeação, o líder do governo, foi responsável pela emenda proposta na Câmara que permitiu a aquisição da Covaxin que naquele momento não tinha sido aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Naquela altura, outras vacinas já tinham recebido o aval do órgão regulador. Ricardo Barros chegou a dizer em entrevista ao Estadão que iria “enquadrar” a Anvisa para aprovar o imunizante indiano.

“Estou trabalhando. Eu opero com formação de maioria. O que eu apresentar para enquadrar a Anvisa passa aqui (na Câmara) feito um rojão. Eu vou tomar providências, vou agir contra a falta de percepção da Anvisa sobre o momento de emergência que nós vivemos. O problema não está na Saúde, está na Anvisa. Nós vamos enquadrar”, disse.

Outro fator relevante é que ao longo dos últimos meses, o Governo Bolsonaro recusou sumariamente, por exemplo, a aquisição do imunizante da Pfizer que tentou abrir diálogo com o Palácio do Planalto enviando cerca de 53 e-mails e que simplesmente foram ignorados por Jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o então ministro da Saúde, o general da ativa Eduardo Pazuello.

Com isso, o Governo Bolsonaro assina contrato de compra com a empresa indiana com preço unitário de R$80,70, valor extremamente superior as outras vacinas já disponíveis no mercado e com eficácia muito questionada no próprio país de origem, a Índia. Nos países de primeiro mundo, a Covaxin foi recusada, e o embaixador do Brasil na Índia alertou o Palácio do Planalto sobre esse detalhe, mas foi ignorado.

A compra da Covaxin foi intermediada pela Precisa Medicamentos onde o próprio Ricardo Barros é réu em ação de improbidade administrativa enquanto titular da pasta. A sócia da empresa também é alvo de um processo na Justiça.

Em 2017, ela venceu um edital do Ministério da Saúde para a aquisição de medicamentos de alto custo para pacientes com doenças raras. Com isso, a sua empresa recebeu da pasta naquele ano cerca R$ 19,9 milhões, mas até hoje os medicamentos não foram entregues.

Voltando a aquisição da Covaxin, o contrato de compra é assinado e o servidor Luís Ricardo detecta elementos de fraude no invoice (uma espécie de nota fiscal), que previa o pagamento adiantado a uma empresa que não integrava o contrato e tinha como sede em Cingapura, considerado um paraíso fiscal.

Após esse episódio, o deputado federal Luís Miranda da base do governo se reúne presencialmente com Bolsonaro na tarde do dia 20 de março no Palácio do Planalto e o informa da fraude que foi detectada pelo irmão.

De acordo com o depoimento do parlamentar, Bolsonaro responde de prontidão que esse “rolo” é “coisa do deputado federal Ricardo Barros, seu líder na Câmara, e que se mexer nisso vai dar merda”.

Porém, Bolsonaro chega a dizer para Miranda que vai oficiar imediatamente a Polícia Federal. Contudo, na realidade o presidente da República permaneceu omisso, não há indícios de que ele comunicou a PF sobre as irregularidades e o contrato de compra da Covaxin continua vigente. Em outras palavras, Bolsonaro prevaricou, o que é crime previsto no artigo 319 do Código Penal.

Gabriel Barbosa

É jornalista com passagens pelo Grupo de Comunicação O POVO (Ceará), RedeTV! e Band News FM. Atualmente é Chefe de Redação do Cafezinho e pós-graduando em Marketing Político.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

8 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Marcelo risso

22 de dezembro de 2021 às 16h27

so mesmo aqui no Brasil so mesmo um asno pra votar no Lula. terra de corruptores enqto muitos se contentam com ossos , e os vagabundos ladroes ficam com o filé. bom cada nação tem o governante que merece , pra minha tristeza. Eleitores abram os olhops com essa midia bandida e corrupta. a melhor maneira de nos livrarmos dessa gentalha é vora em politicos de ficha limpa.. pelo amor de Deus Lula não. é preferivel o Tiririca do que esse sen escrupulos e lacio mor .

Responder

Jonathan

26 de junho de 2021 às 23h45

Que caso…essa “bomba” saiu no meio dessa palhaçada de CPI que nasceu morta e precisava fazer um pouco de barulho.

3 meses atrás quando aconteceu o “escândalo” desabe se lá que ninguém falou nada.

E ainda tem alguém que se pergunta porque o Brásil é um país de terceiro mundo….?

Responder

Daniel

26 de junho de 2021 às 23h34

Não cansam de fazer propaganda para o Governo ?

Inventam narrativas acusando o governo de corrupção (convencendo zero pessoas) , meia hora depois é tudo desmentido e quem se sai bem obviamente é próprio Governo.

Como podem ser tão imbecis de não entender isso ?

Responder

Paulo

26 de junho de 2021 às 22h27

Claro que prevaricou. Mas o deputado não conseguirá provar isso…E o PGR agradece, covarde e canalha que é…Até quando, meu Deus!?

Responder

Hilario

26 de junho de 2021 às 18h42

Tentar explicar o que aconteceu omitindo partes…?

Porque nao elevar um pouco o nivél Cafezinho mas ficar presos nesse mundinho esquerdoide ?

Responder

Zulu

26 de junho de 2021 às 13h36

Quem foi vacinado com a Coronavac um dia ou outro terà que tomar algo a mais de ou outra vacina.

Responder

Luan

26 de junho de 2021 às 13h34

Na Europa nao querem saber da Coronavic e Sputnik, essa Covaxin também provalmente.

Responder

Efrem Ventura

26 de junho de 2021 às 13h13

“Voltando a aquisição da Covaxin, o contrato de compra é assinado e o servidor Luís Ricardo detecta elementos de fraude no invoice (uma espécie de nota fiscal), que previa o pagamento adiantado a uma empresa que não integrava o contrato e tinha como sede em Cingapura, considerado um paraíso fiscal.”

Porque esse servidor assinou o contrato mesmo tendo visto essa irregularidade ?

A empresa ja disse que faltava um 0 na invoice tanto que o dia seguinte foi corrigida…como pode um contrato ter 1000% de propina…?

“Com isso, o Governo Bolsonaro assina contrato de compra com a empresa indiana com preço unitário de R$80,70, valor extremamente superior as outras vacinas já disponíveis no mercado.”

O TCU nao viu nenhuma irregularidade no preço dessa vacina que està em media com outras, a farmaceutica indiana também divulgou uma nota confirmando esse valor da dose (mais fréte e seguro).

Bolsonaro nao fez nenhuma denuncia na PF porque sabe que esse Miranda é um pilantra de profissao em busca de visibilidade.

OBS: a vacina que o primeiro mundo nao usa é a Coronavac devido ao que aconteceu no Chile.

Qual a proxina narrativa inutil ?
Qual a proxima perda de tempo ?
Porque dar palanque a idiotas como esses dois iramos ?
Acham realmente que fazer oposiçào politica é isso…tentar enganar o eleitor com narrativas ?
Acham que os brasilerios sao idiotas ao par de vcs ?

Responder

Deixe um comentário para Efrem Ventura