Bahia: Refinaria privatizada provoca desabastecimento de Gás de Cozinha

Crédito: Eduardo Anizelli/Folhapres

Maringoni: Militares criaram um problemaço e não podem mais desembarcar

Por Redação

11 de julho de 2021 : 08h29

Por Gilberto Maringoni

A semana termina muito mal para Bolsonaro, com a saraivada de notícias que recebeu da realidade, pautada agora pelo andar da carruagem da CPI. A descoberta de duas quadrilhas concorrentes na saúde – uma do centrão e outra dos militares – torna a coalizão governamental quase inadmistrável. E sua imagem derrete, segundo as pesquisas.

O presidente não tem a menor condição de arbitrar essa briga de gangues, ambas pilastras estruturais de sua gestão. Se optar por um lado, perde outro. E o centrão dá mostras de ter começado a trincar, por obra e graça da provocação montada pelas Forças Armadas contra o Senado. A reação de Rodrigo Pacheco, na sexta, é prova viva do imbróglio. É coisa que contrasta com o capachismo ainda esperto de Arthur Lira.

As Forcas se meteram em camisa de onze varas. Não há notícias de uma desmoralização tão corrosiva como a enfrentada nesses dias.

A nota de quarta e a caricata entrevista do chefe da Força Aérea ao Globo, na sexta, 9, apenas coroam a perigosa opção feita pela mais destrambelhada cúpula fardada da República. E olhem que a concorrência é acirrada.

Se a partidarizacao dos quartéis já era pedra cantada desde o tuíte do general Vilas Boas, há três anos, a entrada de seis mil militares no governo desmontou a idéia da farda como instituição de Estado.

A condescendência do alto comando com a indisciplina do general Pazuello e o segredo de cem anos dos autos de seu processo levou os oficiais a uma viagem sem volta ao perigoso terreno da galhofa, imortal expressão de Stanislaw Ponte Preta.

Os militares criaram um problemaço institucional. Queimaram pontes e navios com a sociedade e não têm como e nem por onde desembarcar do governo. As FFAA deixaram de ser uma instituição e se tornaram um bando – por não seguirem disciplina alguma – a soldo de um governo rejeitado pela sociedade.

Nós estertores da ditadura, elas tiveram problema semelhante. Por serem governo, também não tinham como desembarcar. A partir da queda da ditadura, viveram um desgaste de três décadas. Só recuperaram prestígio político quando designados para a absurda missão ao Haiti, em 2004.

Pensemos no dia seguinte do bolsonarismo. Como gente que despreza e ameaça explicitamente a democracia poderá conviver com um governo democrático? Como poderão voltar a ser uma instituição de Estado depois dos arreganhos da semana? Como gente que alega ter uma moral inquebrantável conviverá com a percepção de que não passa de uma malta de larápios rastaquera?

O tuite de Felipe Neto ao comandante da FAB – “Vai ameaçar a puta que o pariu, babaca” – é a resposta direta ao grosseiro recado de Vilas Boas ao STF. É mil vezes mais educado do que a chantagem que levou a maioria de seus ministros a se borrar nas calças.

Militares hábeis criam situações de avanço e recuo medindo a realidade, o terreno, o contingente inimigo, seu próprio efetivo e o timing da tomada de decisões.

Sempre me lembro da magistral descrição da batalha de Austerlitz feita por Tolstoi em “Guerra e paz”. Por quase cem páginas, ele narra como Napoleão enfrentou em 1805 dois exércitos associados – o austríaco e o russo – com inferioridade de forças, mas com uso do elemento surpresa elevado à categoria de arte. Não lançou nota de ameaça, mas foi às vias de fato. Tolstoi estudou detalhadamente as condições do enfrentamento e passou dias no local, cinquenta anos depois, para compreender o que se passara.

Os altos oficiais brasileiros, dois séculos mais tarde, não conseguem entender sequer a direção do vento. Filhotes de Sylvio Frota, expoente da linha dura do regime ditatorial, perderam o calendário. Pensam estar em 1964 e arrotam uma força que não têm.

A hora do desembarque da nau bolsonarista passou. Seguramente tentarão radicalizar o tom da mazorca nas próximas semanas. Ameaçarão, rosnarão e falarão grosso. Mas não conseguirão esconder a opção feita. Trocaram de livre e espontânea vontade o slogan “Braço forte, mão amiga” por “Caguei”. A conta a ser paga será alta.

Como sempre repete meu amigo Cid Benjamin , citando provérbio chileno, “Del ridículo no hay vuelta”.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

4 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Humberto de Oliveira

11 de julho de 2021 às 19h35

Excelente análise! Os milicos estão no atoleiro

Responder

Ronei

11 de julho de 2021 às 10h10

Jà que Lula ganha no primeiro turno eu quero é ver as Forças Armadas aceitar o Pilantra Maximo como Chefe Supremo delas, quero sò ver….kkkkkkkkkkkkkkkk

Responder

    Vladimir

    12 de julho de 2021 às 09h51

    O choro é livre…

    Responder

    Marcos Borges

    12 de julho de 2021 às 14h03

    Não temos poder moderador e os militares não são donos da república. O voto popular é soberano. Creio que depois de provocarem tantos estragos, tanto para o país como para as FFAA, os militares deveriam voltar – quietos – para a caserna e de lá não saírem por mais uns 30 anos. Ninguém vai sentir falta!

    Responder

Deixe um comentário para Marcos Borges