Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

O debate na Globonews e mais erros de Ciro Gomes

Por Miguel do Rosário

27 de setembro de 2021 : 13h24

Nesse domingo, a Globonews ancorou um debate com três nomes da terceira via: Ciro Gomes (PDT), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Alessandro Vieira (Cidadania).

A iniciativa é louvável. Uma pena que seja algo tão rara. Um canal que vem se propondo a ser uma plataforma de jornalismo de oposição ao governo federal deveria organizar debates diários, de preferência mais plurais. 

A presença de representantes de Lula e Bolsonaro (ou os próprios, se eles toparem), por exemplo, é fundamental, até mesmo para os debates ficarem mais animados. 

Desde que saiu do governo, Mandetta tem uma presença pública razoável, e sempre que há um debate desse tipo, envolvendo o conceito de terceira via, ele está presente.  Já assisti a uns três ou quatro debates com ele, sempre com a presença de Ciro Gomes. A propósito, os dois costumam rasgar muita seda um para outro nessas conversas. No debate deste domingo, não foi diferente. 

Mandetta, como de praxe, vomitou um bocado de clichês vazios. É um quadro intelectualmente fraco, que não aparenta estar se preparando, de fato, para os debates de que participa. Ele não identifica os problemas, tampouco sinaliza soluções. Sua estratégia de campanha, pelo jeito, será torcer pelo apoio de seu partido e ganhar parado, herdando os votos dos nem-nem. A âncora do debate lembrou que a fusão DEM X PSL pode ter o dedo do Planalto, mas isso foi rechaçado por Mandetta. Ele disse que, se isso ocorrer, estará fora, mas que até onde ele sabe, os quadros do PSL e DEM mais próximos de Bolsonaro deverão sair do novo partido.  Francamente, não convenceu.

O maior problema de Mandetta é a falta de clareza sobre sua posição. Ele tem feito críticas duras a Bolsonaro, mas não é um nome identificado como oposição. É, no máximo, um dissidente. 

O senador Alessandro Vieira saiu do anonimato com a CPI da Pandemia, na qual tem se destacado, em função de sua experiência como delegado de polícia. Suas intervenções são sempre esperadas com ansiedade pelo público. É um senador sério e estudioso, com uma imagem de político ético e íntegro. Essas qualidades lhe ajudaram a se eleger, e podem ter animado alguns estrategistas políticos de seu partido acerca do potencial de sua candidatura presidencial. Mas a sua participação no debate de ontem deixa claro que Alessandro não tem o carisma necessário para ser um candidato competitivo. Além disso, ele  parece preso a um lavajatismo anacrônico, que não tem mais apoio em lugar nenhum. Essa característica pode lhe valer uns votinhos de setores médios insatisfeitos com Bolsonaro (ou das “viúvas de Moro”). Se Moro for candidato, porém, Vieira desaparece.

Um ponto bom da participação de Vieira foi sua ênfase na necessidade de se aumentar a assistência aos mais pobres, e isso hoje, com urgência, sem cálculo eleitoreiro se isso ajuda ou não o governo. Essa é a única postura digna possível diante do aumento da fome e do desemprego.

Mandetta e Vieira, todavia, são candidatos café-com-leite. São tão inviáveis que não há muita graça em analisar seu desempenho. 

Ciro Gomes aderiu a uma postura excessivamente defensiva em relação ao PT. Ele não parece mais estar na posição orgulhosa e confortável de  “atacante”, como antes do ressurgimento político de Lula.

Hoje, a postura de Ciro – suas palavras, seu tom de voz, sua linguagem corporal –  é de alguém que lamenta, que reclama.  

Em todas as suas falas, Ciro transparece imensa sensibilidade e irritação a qualquer menção ao ex-presidente. No debate de ontem, ele fala mais de Lula do que de qualquer outro tema. 

O pedetista, além disso, tem se repetido demais. Em toda entrevista ou debate, repete as mesmas frases, os mesmos números, e isso gera cansaço no ouvinte que, por acaso, o escuta por mais de uma vez.

Ciro tem uma narrativa ainda confusa sobre alguns pontos. No início da entrevista, a âncora o confronta sobre suas relações com o PT, visto que ele foi ministro de Lula e esteve junto com o PT em todas as lutas políticas decisivas, até 2018 (contra os excessos midiáticos e judiciais no caso do mensalão, contra o golpe, contra a prisão de Lula). 

Ciro tem dificuldade para explicar sua mudança. Uma hora ele diz que Lula fez um bom governo. Em outra que Lula é um “vendedor de ilusões”.

Nesse debate, ele pegou leve, porque os ataques de Ciro a Lula tem sido bem mais pesados, às vezes beirando o caricatural. 

A tese econômica de Ciro também vem sendo apresentada de maneira repetitiva. Ele lembra que o Brasil cresceu muito dos anos 30 aos 80. E que depois disso o país perdeu o passo, sobretudo na participação industrial. Esse fenômeno, no entanto, é global. A indústria perdeu participação em quase todo o mundo (com exceção da China), em virtude da importância relativa que os serviços tecnológicos adquiriram. No caso do Brasil, o crescimento do agronegócio também explica, em parte, o decréscimo da participação industrial no PIB. 

A desindustrialização, todavia, é um fato, e um grave problema econômico. Mas não faz sentido elogiar o período que se estende de 1930 a 1980, sem lembrar que a parte mais recente se deu sob o tacão da ditadura, que tinha um projeto industrial absolutamente concentrador, com produção voltada exclusivamente para os setores médios. A indústria do regime militar nunca olhou para a massa, e por isso, quando a democracia política empoderou as classes trabalhadoras, dando-lhes mais poder de barganha salarial, a inflação explodiu. Não dá para elogiar o período “desenvolvimentista” sem fazer essa ponderação.  

Sua análise dos problemas econômicos testemunhados no segundo mandato de Dilma Rousseff é parcial e injusta. A sabotagem que Dilma experimentou não teve igual na história brasileira. Não foi propriamente, portanto, um problema de doutrina econômica. Apesar da escolha infeliz de Joaquim Levy como ministro da Fazenda no início do segundo mandato, Dilma Rousseff havia apostado, em seu primeiro governo, num audacioso projeto de desenvolvimento, embora aparentemente cheio de falhas e contradições. No segundo mandato, não se pode esquecer que Levy foi substituído por Nelson Barbosa, que prometia (embora nunca tenha cumprido, por falta de tempo) dar uma guinada desenvolvimentista.  O problema principal de Dilma foi de ordem política, e seu governo foi vítima de um golpe de Estado pós-moderno, do qual a sabotagem de sua administração, em todos os níveis, foi parte essencial. Omitir a Lava Jato e o golpe como fatores fundamentais para explicar a crise econômica daquela época não nos ajuda a entender o que aconteceu. 

As invectivas de Ciro contra as sondagens de intenção de voto, dizendo que elas “custam milhões de reais”, são uma tolice. As pesquisas não custam tudo isso. A tecnologia, ao contrário, tem baixado expressivamente os custos de pesquisa. Quando fala esse tipo de coisa, Ciro fere sua própria reputação, de “amigo dos números”. O pior, no entanto, é passar a imagem de que não gosta das pesquisas apenas porque elas não oferecem resultado positivo para si. Isso é uma espécie de negacionismo.

Os três pré-candidatos  concentraram a maior parte de suas críticas em Lula, o candidato da oposição que lidera as pesquisas.

Isso me parece um erro. O problema do Brasil hoje, definitivamente, não é Lula.

Não basta “xingar” Bolsonaro, porém, como faz Ciro apressadamente. As críticas ao governo federal precisam ser elaboradas, construídas, explicadas didaticamente. 

Bolsonaro é o antipetista por essência. O antipetista identitário, por assim dizer. Doria e Leite, pré-candidatos pelo PSDB, também já sinalizaram que sua estratégia de campanha terá uma pegada mais antipetista do que antibolsonaro. 

O antipetismo já está amplamente servido, portanto. Claro, há o antipetismo pela esquerda, que é aquele no qual o PSOL surfou durante os anos em que o PT esteve no poder. Esse antipetismo de esquerda, hoje, não tem a força de antes, e sobretudo não tem apelo eleitoral expressivo. 

O espaço que existia para Ciro (hoje não sei mais se existe) era o de um candidato verdadeiramente de centro, com muito diálogo com os setores liberais, e uma grande abertura para o campo progressista insatisfeito com o PT. 

A importância de Tábata Amaral nessa construção era óbvia. Entretanto, como Lula ainda estava preso, o PDT calculou – equivocadamente – que poderia substituir o PT na esquerda. Forçou a barra no debate sobre a Previdência, e o resultado foi desastroso: afastou os liberais e partidos de centro, e perdeu parlamentares importantes. Ao cabo, os ataques exagerados ao PT, com alfinetadas no PSOL, no PCdoB e nos movimentos sociais, angariaram, como seria óbvio, forte animosidade de grande parte da esquerda. 

A impressão que tenho é que Ciro esticou demais uma corda, que se rompeu. Ainda existe um setor social marcado por insatisfações com o PT, mas a comparação com Bolsonaro mudou a química.

As famílias de baixa renda estão aderindo em peso a candidatura de Lula. O antipetismo desses setores evaporou. 

A classe média antipetista, por sua vez, se fragmentou. Uma parte dela se radicalizou no bolsonarismo, talvez por orgulho, e aderiu ao “vitória ou morte” de Bolsonaro. A tendência é que isso reflua, porém, porque é um preço demasiado alto. Ninguém vai arriscar sua vida por um governo considerado incompetente pela maioria.

Uma parcela mais progressista da classe média aderiu a Ciro e a outros candidatos da terceira via. Mas o preço cobrado por Ciro,  essa radicalização antipetista, também tem sido excessivo. O pedetista teria obtido melhores resultados se apostasse numa retórica mais propositiva. Podia reduzir o uso de números decorados, e enveredar mais para o campo dos projetos, sonhos, utopias.

A classe média sempre foi afeita a essas abstrações, e Bolsonaro tem explorado muito essa característica, vide seu apelo constante à “liberdade”, ao “anticomunismo”.

Esse antipetismo progressista não é tão radical, não tem raízes profundas. Temos visto essa classe média, em nome do mal menor, aderindo, aos poucos, à candidatura de Lula. Isso explica os 6% de Ciro na última pesquisa Ipec. 

Para assistir ao debate, clique no link abaixo.  

https://globosatplay.globo.com/globonews/v/9894298/

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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25 comentários

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Batista

29 de setembro de 2021 às 16h11

Enquanto isso, mais acerto cirúrgico e bem humorado de Lula:

“A mídia conservadora está fazendo “vestibular de candidato” a presidente.”

Referindo-se ao ‘debate’ promovido pela GloboNews com Mandetta, Ciro Gomes e Alessandro Vieira, candidatos a candidato da chamada “terceira via”, derradeira tentativa da classe dominante em viabilizar candidato que possa chamar de seu, que tire Bolsonaro da disputa, para poder disputar com ele.

Com Narciro ‘vestibulando’, só mesmo rindo!

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Cezar

28 de setembro de 2021 às 19h02

Miguel, seu maior equívoco é generalizar o “antipetismo” . É uma falácia das mais baixas, e só serve para petistas convictos de classe média, esses sim, chegados ao abstracionismo humanista. O fato é que o Lula e o PT mudaram nesses último anos! Criticar o Lula querendo se reeleger indefinidamente é totalmente diferente do discurso de ódio contra a Dilma. Essa generalização é uma mentira tenebrosa, resta saber se você a reproduz conscientemente ou não.

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cezar

28 de setembro de 2021 às 18h55

Me dá certa tristeza ver o Miguel com essa expressão sorumbática , defendendo de forma tão servil a esquerda tradicional, ou a ex-querda tradicional… enfim, mas é isso, cada um com seus dilemas… Pior é ver os tapinhas nas costas nos comentários do blog : “não te aturava em 2018, mas agora vc se endireitou!” putz, nesse caso, a patrulha venceu o pensamento crítico.

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Pedro

28 de setembro de 2021 às 17h09

Ciro erra mas é honesto, único sem rabo preso! Assim fala muitas verdades….o resto é papagaio de banqueiros

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Sip

28 de setembro de 2021 às 10h03

É incrível como a defesa do Lula é gritante. Ciro deveria fazer o que? Abrir mão da candidatura pela “união” da “esquerda”? Esquerda neo-liberal é só no Brasil mesmo.

Vamos todos dar as mãos e se abraçar junto com todo mundo de sempre! Vamos fazer mais 4 anos de governo onde o pobre pode comer picanha e tomar cerveja! Sabiam que o “voto picanha” foi criado pelo Miguel Falabella no Toma Lá Dá Cá na Globo? Uma candidata corrupta na história vendia votos por espetos de picanha em churrasco na história, enquanto isso por aqui a “esquerda” defende basicamente a mesma coisa.

A culpa do país estar virado no desastre tem uma boa parte no PT sim. Tem no PSDB também, tem na ladroagem também, tem no neo-liberalismo, tem na falta de política econômica decente e tem nessa incansável defesa de um cara que já não é de esquerda faz 15 anos, de um partido que não fez um governo de esquerda nem na primeira, nem na segunda, nem na terceira e nem na quarta vez. Quer defender o Lula? Defenda, não tem problema, mas agora não venha dizer que é erro criticar ele.

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carlos

28 de setembro de 2021 às 09h58

Eu acho que qualquer um candidato, que tenha um projeto micro, será melhor que o governo atual, eu por exemplo vejo esse nobre senador Alexandro Vieira um bom nome para uma terceira via, pois é honesto basta estudar um projeto de pais para o Brasil, não um projeto mínimo mas iniciar educação, saúde, economia, e etc…

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eu

28 de setembro de 2021 às 09h43

PUTZ NÃO DESEMBARCA DO SEU APOIO FERRENHO AO CIRO DE DIREITA DISFARÇADO DE ESQUERDA POIS ISSO SERÁ MUITO FEIOOOO !

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José Ricardo Romero

28 de setembro de 2021 às 07h58

A globo ou a globonews continua insuportável de se ver. Os âncoras, jornalistas e entrevistadores falam mais do que os entrevistados ao perguntarem. Chamam isso pelo enjoativo neologismo jornalístico de contextualização que significa duas coisas: uma ofensa ao telespectador porque o considera de antemão burro e desinformado e, pior porque mais sutil, doutrinário.

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Alexandre Neres

28 de setembro de 2021 às 02h45

Pois bem, abstive-me de comentar sobre Ciro Gomes, já que não é ele quem eu combato, mas dada a insistência dos cirominions, vou meter o meu pitaco.

O programa não é novo. Típico da GloboNews, onde não há pluralidade nem que a vaca tussa. Chamam lá todos os que pertencem à mesma terceira via, para, em vez de apresentarem suas ideias ou mesmo atacar quem desgoverna o país, investirem contra quem não está lá nem nunca teve voz por ali e é o líder das pesquisas. A mesma emissora que incensou a Lava Jato e de quebra propiciou as condições para que Bolsonaro fosse eleito, sem ser incomodado, sem ter sua placa em uma cadeira não ocupada, pois o debate nem sequer existiu em razão do despreparo do mitômano.

Dentre os terceiros-viistas, todos ou votaram em Bolsonero, como Alessandro Vieira e Mandetta, ou foram para Paris. Ao que tudo indica, mesmo depois da hecatombe que representou o desgoverno do boçal-ignaro, farão o mesmo novamente.

Ciro participou dos governos do PT do princípio ao fim, ou de cabo a r… (essa palavra não é aceita, desconfio que o blogue é pudico). Depois daquela estratégia imbecil de querer levar Lula para uma embaixada (alguém consegue imaginar Sócrates ou Mandela escapulindo para uma embaixada?), foi para cima do PT com cobras e lagartos. Participou o tempo todo do governo e depois é que descobriu que tinha coisa errada. Um homem tão sabido não percebeu nada durante tanto tempo? Estranho, não?

Vamos deixar de ser hipócritas. Ciro Gomes acreditou naquela onda verde-amarela que grassou no país e espertamente (e de forma antiética) cresceu o olho para cima do legado de Lula que havia sido preso injustamente e foi vítima de lawfare. Hoje é cediço, à época, aproveitando-se do fato de Lula estar preso e decerto acreditar que fosse mofar na cadeia, armou uma razia para acometer o território do ex-aliado. Isso não é atitude de homem, mas, sim, de um rato. Resultado: levou uma surra de um poste.

Agora que a farsa a jato foi desmontada e Lula teve restituídos seus direitos políticos, inclusive graças à imprensa mundial, não resta a Ciro Gomes senão ficar com cara de mané e cometer um erro atrás do outro. Está a anos-luz de distância do que tanto almejou, a cobiça foi tão grande que o fez meter os pés pelas mãos. Para quem gosta de literatura, Ciro Gomes me fez lembrar com esse afã desmedido o Sr. Clubin dos Trabalhadores do Mar de Victor Hugo.

Ciro é um homem datado, do século passado, representante legítimo dessa nossa elite perversa e decadente, formada por velhos brancos, sem noção, arrogantes e poderosos. Como nas suas diatribes contra Lula, a quem responsabiliza pelos desmandos de Bolsonaro. Nada mais natural para um sinhôzinho do que acusar a vítima por ter sido usurpada pelo aparato policial-jurídico-parlamentar, como quem põe a culpa na saia curta da mulher pelo fato de ter sido estuprada. Não por acaso perpetrou ato racista em desfavor de Fernando Holiday, não à toa foi machista com Tabata Amaral.

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    Felipe

    29 de setembro de 2021 às 12h00

    Interessante sua visão das coisas. Pelo que entendi ninguém pode errar nas escolhas. Também, se ajudar a outrem não pode criticá-lo “a posteriori”. Entendi que o governo Lula para ti é algo superior a tudo que se fez no Brasil. Entendi que os números que Lula alcançou foram derivados de políticas corretas, principalmente na economia. Entendi que Lula foi vítima de law fare e que não existiu corrupção no seu governo diante de suas barbas. Entendi que Ciro tentou “roubar” o legado de Lula.
    Acho sua análise como a de amigos bolsonaristas que chamo de fanáticos.
    Para onde foram os números derivados das políticas econômicas corretas?
    Para onde foram as picanhas e cervejas?
    Para onde foram as mudanças estruturais que mudaram o Brasil?
    Bem, o que percebo é que todos tem uma dificuldade absurda de compreender as propostas do Ciro simplesmente porque ele as tem, simples assim, ao contrário dos demais que apenas, blá, blá. blá, blá….
    O Ciro é um cara antipático para a maioria e é porque o brasileiro é inculto e personalista. Então ele exclui aquele que conhece mais do que ele simplesmente porque não consegue alcançá-lo. Como isso é terrível! Nossa nação vive de falsos heróis e salvadores da pátria. Moro que o diga. Lula que o diga. Bolsonaro que o diga. Collor que o diga!
    Aqui, o conhecimento é defeito, ter cultura é opressão, ter opinião científica é vergonhoso.
    É por isso que estamos tão atrasados e continuamos colônia de americanos e europeus. Seremos assim por muito tempo enquanto não mudarmos essa mentalidade tupiniquim atrasada.
    É preciso matemática, ciências, cultura para mudar as coisas, mesmo que por tentativa e erro como nos experimentos universitários.
    Também não simpatizo com o Ciro, afinal ele não é simpático, mas é alguém que respeito porque diz antes o que pretende fazer e como vai fazer. Assim, se mudar de rumo, posso cobrá-lo e dizer que é traíra, que é ilusionista, enganador.
    Já os demais? Eles são farinha do mesmo saco, mas a do Aécio é melhor!!!!

    Responder

      Francisco*

      30 de setembro de 2021 às 02h27

      “É por isso que estamos tão atrasados e continuamos colônia de americanos e europeus. Seremos assim por muito tempo enquanto não mudarmos essa mentalidade tupiniquim atrasada.
      É preciso matemática, ciências, cultura para mudar as coisas…”

      E nós acreditando então, no Brasil, antes de ‘enquadrar-se’ qualquer coisa que se pense, ser necessário resolver a ‘inequação’ Patrimonialismo de Estado e Desigualdade Campeã, em país entre as dez principais economias do Mundo, sem Elite e com uma Classe Dominante xucra, arraigada ao poder, de fato, para ser sustentada exatamente por essa ‘inequação’ da Casa Grande e Senzala.

      E como assim, “é preciso matemática, ciências, cultura para mudar as coisas”, se exatamente com matemática, ciências, cultura, há séculos, por aqui se mantém as coisas?

      Simples, porém complicado, né?

      Mais simples talvez seja compreender por que, com exceção dos familiares, vosso iluminado candidato não tenha quem ‘de peso’ lhe esteja de fato junto nas coisas da política, por mais de cinco anos em mais de quarenta anos de atuação política.

      Pense nisso e depois vem contradizer o autor do texto, que pelo jeito saltou de banda antes mesmo do limite de cinco anos, incomodando devotos do iluminado sapiente.

      Responder

GUSTAVO FRANKLIN GOMES DE FREITAS

27 de setembro de 2021 às 21h26

Feliz em ver os comentários acima, unânimes em desejo por maior criticidade.
O fato é, quem tem projeto para analisarmos mais a fundo e quem não?
Outro fato, com Ciro nós não temos que adorar um salvador, temos de entender e acompanhar com racionalidade, nunca com bilis ou fígado. Ele repete dados, verdade, mas contra fatos os argumentos usaram o quê para se embasar? Como fazem os demais? Ou no caso de teu ainda cabresto, se pergunte, como faz o Lula?

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    Batista

    30 de setembro de 2021 às 02h56

    “Com Ciro nós não temos que adorar um salvador, temos de… [abstrair o narciso e adular um ego em expansão]”.

    Responder

Paulo

27 de setembro de 2021 às 21h16

Só Moro altera essa equação eleitoral de dupla via extremada. O mais são narrativas de um lado e de outro, que se querem donas da verdade mas só reproduzem o relativismo niilista da pós-verdade contemporânea…

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Tiago Silva

27 de setembro de 2021 às 21h07

“Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem:

Se a Rede Globo/GloboNews for a favor, somos contra. Se for contra, somos a favor!”

(Leonel Brizola)

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José

27 de setembro de 2021 às 19h38

Miguel, nem precisa postar esse comentário. Na verdade, trata-se de uma mensagem para você mesmo. Faça uma reflexão, pense se a forma como tem agido é correta. Eu estou vendo muita conveniência em suas análises. Não é que você tenha que defender quem quer que seja, é que você precisa analisar, não defender. Por qual motivo seu blog não posta nenhuma crítica sobre o Lula? Eu tenho visto aberrações dele, assim como erros do Ciro. Mas, sua crítica tem alvo. Você tem seguido o modus operandi de Moro. Espero que possa pensar que não é louvável o que tem feito, se arrependa e mude.

Responder

    Francisco

    29 de setembro de 2021 às 15h38

    É assim mesmo, quando as ilusões começam a desmancharem-se no ar, de fato, pela ‘insustentável leveza do ser [devotado]’, passa-se a enxergar aberrações no outro que parece desmancha-las, porém não, pois é ELE, o ‘novo’, o ‘diferente’, que não sustenta-se e jamais sustentou-se nos longos quarenta anos de lida política, e faz acender na sua memória a cidade luz e nos devotos o desespero, que leva-os ao esperneio.

    “E agora, José?” Qui qui é qui ú Miguel tem aver cum iço?

    Quando será que os devotos, que pensam-se diferentes, compreenderão que repaginar também é vestir a mesma coisa com outro nome?

    Mas vamos lá, com concretude, quem sabe:

    O surrado, desacreditado e indefectível (em todos os sentidos e serventias), ‘Plano de Governo’, destinado a campanha eleitoral, devidamente repaginado pelo mestre ’em dizer a mesma coisa parecer diferente’, transforma-se em Projeto Nacional de Desenvolvimento e evoluí à nova hashtag (e velho mantra), ‘Só ELE tem PND’ para pensar e sarar todas as mazelas desse Brasilis, e, pior, esses crédulos do ‘Diferente’, seduzidos pelo verniz, creditam e anunciam a descoberta da Pedra de Roseta da política, com o dito repaginado.

    Porém, ao correr do tempo, constata-se que o problema tem sido o revelador pétreo 12, a estabelecer de forma cortante, o limite para esse truque na Pátria Armada Brasil.

    Coisas do Brasil…

    Responder

Anttonio Cesar Perin

27 de setembro de 2021 às 19h13

Cara!!!! MAs Ciro tai né…Colocando que esse Brasil precisa de industria…E os outros

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Alexandre Neres

27 de setembro de 2021 às 17h30

O senador Alessandro Vieira foi eleito na esteira da Lava Jato. Se utilizou do cargo da administração pública para se lançar ao estrelato. Até aí tudo bem. Já estamos acostumados. O que não dá é pra querer atribuir ao PT e a Dilma a famigerada frase do Jucá: “Com o Supremo, com tudo”. Briga com os fatos. O PT fora alijado do poder exatamente para conter a sangria, mas para um antipetista de carteirinha o culpado é sempre o mordomo.

Para os empedernidos que gostam de fingir de desentendidos e inda têm a pachorra de posar de vestais, tentando varrer a sujeira para baixo do tapete e tapando o nariz para disfarçar a fedentina que emana da Lava Jato, o maior escândalo judiciário do mundo, o eminente sociólogo Jesse Souza foi ao busílis da questão:

“A Lava Jato é um agente racista perfeito. A Lava Jato só tinha brancos. A Lava Jato só tinha brancos com sobrenomes estrangeiros… Dallagnol, Moro… No fundo, é um acordo entre essas pessoas, que se veem como superiores ao povo, que menosprezam o povo, que se acham europeus no Brasil. A raiva que elas têm das políticas do PT é ter que conviver com esse povo no shopping center, no aeroporto. A Lava Jato é a vingança contra esse povo. É como se elas dissessem: ‘Vamos voltar ao velho mundo, onde cada um sabe o seu lugar. Negro e pobre existem para nos servir em condições análogas à escravidão’. O que são aqueles jovens que passam 14 horas pedalando numa bicicleta para entregar a pizza quentinha, se não os novos escravos de ganho? A classe média branca e racista nunca se importou com a corrupção. A classe média sai às ruas quando? Quando Getúlio Vargas, João Goulart, Lula e Dilma queriam integrar negros e pobres. É só aí que essas pessoas se incomodam. Quando começam a entrar negros nas universidades. Não tem nada a ver com moralismo. Tem a ver com racismo.”

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Batista

27 de setembro de 2021 às 16h15

Em continua expansão, o ego de Narciro não permite-lhe deixar de ter como maior inimigo o próprio, e mais não precisaria ser dito, além que Miguel disse sobre o que de forma repaginada repete Narciro há 40 anos, caso Do Rosário não esquecesse de comentar sobre o protagonista principal, evidentemente não um daquele par de vagalumes políticos que lá estiveram, mas a Globo, a maior interessada no ‘de bate’, para fortalecer a ‘terceira via’ como forma desesperada de não terem que engolir Bolsonaro de novo, para impedirem Lula de retomar o poder, com chances praticamente certas, mesmo assim, de engasgados, perderem de vez o poder obtido através do golpe em 2016, sem que tenham os sabidos incompetentes sequer conseguido tirarem o Brasil do lodo onde o atolaram, como prometido para logo após o golpe.

E as narrativas trotam e escoiceiam, no Brasil virtual e paralelo.

Responder

Alan C

27 de setembro de 2021 às 15h04

Mandetta não será candidato, todo mundo sabe, menos o cafezinho.

Muito boa a participação do Ciro, tem que falar a mesma coisa sempre sim, quem quer novidade é a tia da janela bisbilhotando a vida dos outros.

Ele tem programa de governo, Lula ninguém sabe o que pensa, tá ocupado agradando os Eunicios e os banqueiros da vida… Do bozo então nem é questão de falar, faz cocô numa sacola e respira ao mesmo tempo, já é muito pra dois neurônios, talkey?

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Roberto

27 de setembro de 2021 às 14h54

Ciro mente descaradamente. Se havia corrupção no governo do PT ele deveria ter denunciado enquanto esteve lá. Estatística, já se sabe, mostra tudo menos o que importa: Ao citar a economia ele faz a média de crescimento entre 1980 a 2010. Espertinho ele, acha que engana a todos: Entre 1980 e 2010 tivemos uma fase péssima com FHC e uma fase boa com Lula. “Na média” o crescimento foi baixo! Que pilantra!
Se ele deseja (e acha que) se eleger com o discurso anti-PT precisa saber que já existe um Bolsonaro à frente dele, portanto além de tudo é burro.

Responder

    carlos

    28 de setembro de 2021 às 09h47

    Que o diga, o Geraldo Alckmin, passou o tempo todo, criticando o PT, e aonde está o PSDB? No ostracismo, partido sem rumo sem norte, caricatura, de partido.

    Responder

Otto Bajaga

27 de setembro de 2021 às 13h39

Miguel Miguelito,

Quando venho aqui ler suas análises me encho de motivação para continuar militando pelo PND e pelo Ciro Gomes.

Obrigado.

Responder

Marco Vitis

27 de setembro de 2021 às 13h38

MIGUEL: quero ver se vc vai ser coerente com suas atuais conclusões, quando ocorrerem os debates entre presidenciáveis. Ou vai dar uma de FHC e dizer “esqueçam tudo que escrevi”… Ciro tem um Projeto escrito e público. O seu candidato tem ? Não, não tem.

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