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Vereadora Walkiria Nictheroy. Foto: @rebeca.belchior

“É o racismo estrutural”, dizem lideranças do movimento negro sobre assassinato de jovem em Niterói

Por Redação

14 de fevereiro de 2022 : 19h49

Um policial militar de folga assassinou o jovem vendedor de balas, Hiago Bastos, na manhã desta segunda-feira na Estação das Barcas em Niterói.

De acordo com lideranças do movimento negro do Rio de Janeiro, esse evento foi apenas mais uma amostra do que significa o racismo estrutural no estado.

“Só no último mês tivemos Moise, Durval e Hiago, entre tantos outros. Quem será o próximo?”, perguntou a professora Dani Balbi, liderança do movimento negro no estado. “O racismo estrutural funciona assim: a partir da normalização do extermínio dos corpos negros”, explica a professora.

Dani Balbi criticou ainda o modelo de segurança pública. “Passou da hora de superar a lógica militarizada da polícia. Não só com a unificação, mas com uma profunda transformação nos seus métodos”, ressaltou Dani Balbi.

A vereadora de Niterói, Walkiria Nictheroy (PCdoB), que está acompanhando de perto o ocorrido, também denunciou o racismo estrutural em suas redes.

“É mais um caso revoltante, nós ainda estamos pedindo justiça por Durval e hoje a gente vê um ambulante, uma pessoa que está lutando para trabalhar no meio dessa crise, ser morta por um policial à paisana”, diz a vereadora.

Walkiria chamou atenção ainda para a responsabilidade das autoridades da segurança pública.

“É o caso de se pensar até que ponto chega a autorização, a mentalidade letal e truculenta das nossas forças de segurança, mas principalmente, da possibilidade de matar uma pessoa em vulnerabilidade social”, concluiu Walkiria.

Foto: @Rebeca.belchior

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4 comentários

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Kleiton

14 de fevereiro de 2022 às 23h39

“Hiago tinha passagens por tentativa de homicídio, desacato, furto, lesão corporal e outros crimes.”

Nenhuma passagem pela cor da pele.

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Alexandre Neres

14 de fevereiro de 2022 às 22h19

Concordo com o Pianca nesta questão.

O epicentro das mazelas brasileiras reside no fato de termos sido moldados em uma sociedade escravagista.

Enquanto não mudarmos esta triste realidade não poderemos ser considerados uma nação. Não podemos aceitar o tratamento que é dispensado aos negros na sociedade brasileira. Há um genocídio de jovens negros de 14 a 29 anos. O que aconteceu com o congolês Moïse é mais uma mácula indelével para nosso país, esturricando o filme mundo afora como se já não estivéssemos muito mal na fita. Todos sabemos que este tipo de conduta é estimulado por um desgoverno que chega ao ponto de mencionar arrobas e de desonrar um morto assassinado de forma cruel.

Seria de bom alvitre reconhecer a importância dos governos do PT nesta questão, por meio de reparações históricas, de ações afirmativas e da concessão de status de ministério à Secretaria de Igualdade Racial. Há uma diferença abissal para com a barbárie que é perpetrada atualmente, inclusive por quem deveria preservar a cultura negra, mas há muito a ser feito daqui por diante.

Não podemos normalizar o racismo multidimensional que nos rodeia. Nossa sociedade naturaliza a intolerância com que são tratados negros e pardos. Isso nos impede de darmos um passo à frente, ficando reféns de um círculo vicioso que nos joga para baixo, de sorte que para a maior parte da nossa população é reservada uma posição inferior. A alguns poucos é permitido que saiam dessa posição vexatória, desde que o sistema seja mantido e condene os demais a se submeter a uma sub-cidadania, em uma república de dois andares.

Não basta não sermos racistas. Todos temos de ser antirracistas!

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Paulo

14 de fevereiro de 2022 às 21h36

Há racismo no Brasil. Não havia ódio racial, até recentemente…Cada vez respeito mais o presidente da Fundação Palmares e o vereador Fernando Holiday, que desejam os negros inseridos na sociedade brasileira pela porta da frente. Imagino o assédio moral que sofrem…

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EdsonLuíz.

14 de fevereiro de 2022 às 21h01

O racismo é estrutural. O racismo é consequência da estrutura de relações que emgendrou e reproduz uma realidade de exclusão.

O modo estereotipado, estigmatizante e excludente como o negro é tratado no Brasil e as condições sociais em geral e principalmente materiais a que está submetido quase como condenação levam ao tratamento discriminatório que sofrem.

Quando ocorrem os abusos, que vão das injúrias raciais até as consequências fatais que se repetem, isso se dá por o racismo ser pruduto de uma realidade que produziu o racismo e o reproduz todo dia.

Mas, como todo produto histórico, o racismo é superável e precisa ser superado.

No Brasil, desde o surgimento do antigo MNU- Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Social, no final dos anos 70, naquela época ainda sem a plena consciência de que o racismo tem caráter estrutural, uma consciência que o movimento negro tem agora, as instituições ligadas a essa luta têm conseguido avançar em sua luta de combate ao racismo no Brasil.

Mas a consciência do racismo precisa envolver os segmentos não negros. E não basta que deixe de ser racista; é necessária a consciência de que precisa também se posicionar firmemente contra o racismo.

E sempre consciente de que o racismo é estrutural. Se não forem revolucionadas as formas de relações estruturais, desde o acesso a direitos até aos processos de seleção e recrutamento para ocupação de postos que tornem representativas as posições de maior mando e visibilidade nos vários espaços políticos, sociais e de economia, públicos e privados, o racismo persistirá, impedindo para todos, não só para os negros, que consigamos fazer deste lugar um bom país.

edsonmaverick@yahoo.com.br

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