Genial/Quaest: Veja os números da corrida pelo governo da Bahia

Imagem: Divulgação

Venda de refinaria na Bahia produz efeitos negativos na capacidade produtiva da Petrobras neste 1° trimestre de 2022

Por Redação

29 de abril de 2022 : 10h58

Por Mahatma Ramos dos Santos e Rafael Rodrigues da Costa

Em um trimestre marcado pela antítese entre os superlucros alcançados pela Petrobras em 2021 e aceleração do índice geral de preços e, em especial, dos preços dos derivados no Brasil, o relatório de produção e vendas da estatal do 1º trimestre de 2022, divulgado ontem (27/04) apresentou aumento na produção de petróleo e gás natural, queda na produção de derivados e manutenção da tendência de crescimento no volume de vendas de derivados no mercado interno.

No primeiro trimestre de 2022, a produção média de óleo, LGN e gás natural cresceu 1,4%, saindo de 2,72 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) no 1T21 para 2,75 milhões de boe/d no 1T22.

A produção média de derivados, por outro lado, registrou queda de 5,2% no mesmo período, passando de 1,82 milhão de barris diários (bpd) no 1T21 para 1,72 milhão de bpd no presente trimestre.

A elevação da produção de petróleo e gás natural foi impulsionada por três fatores: (i) pela a alavancagem (ramp-ups) da produção no campo de Sépia (FPSOs Carioca) e nos campos de Berbigão e Surucu, todos localizados no pré-sal da Bacia de Santos; (ii) pelo início da operação de novos poços no pós-sal da Bacia de Campos e; (ii) pela retomada da produção em algumas unidades após paradas para manutenção ao longo de 2021.

O pré-sal foi o principal vetor do crescimento da produção de óleo e LGN neste trimestre, com variação positiva de 7,3% em relação ao 1T21. A produção saltou de 1,56 milhão de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em 1T21 para 1,68 milhão de boe/d em 1T22.

A produção no polígono do pré-sal representou 72% da produção total da Petrobras em 1T22, contra 69% registrados no 1T21. O desempenho atual é reflexo da estratégia da Petrobras, que concentrou seus investimentos quase exclusivamente no desenvolvimento da produção do pré-sal e optou por abandonar áreas de produção no norte e nordeste brasileiro, assim como em águas profundas. 

No segmento do refino, observou-se uma queda de 5,2% na produção de derivados no presente trimestre, quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

A produção total de derivados caiu de 1,82 milhão de barris por dia (bpd) no 1T21 para 1,72 milhão de bpd no 1T22. Essa redução está diretamente relacionada à venda da RLAM, atual Refinaria Mataripe (BA), que detém a segunda maior capacidade de refino do país.

Nem mesmo operando com sua capacidade “máxima possível dentro de condições seguras” a Petrobras conseguiu compensar o efeito negativo da sua decisão política de sair do refino na Bahia.

No 1T22, a estatal elevou para 87% o fator de utilização (FUT) médio de seu parque de refino, 5 pontos percentuais superior ao observado no 1T21. Na última semana de março a Petrobras atingiu um FUT de 91%.

O crescimento de 2,0% do volume de derivados comercializados no mercado interno neste trimestre segue pressionando a capacidade de oferta de derivados da estatal. Esse aumento foi impulsionado pela forte demanda por gasolina, derivado cujas vendas subiram 17,5% no 1T22 (402 mil bpd), quando comparado a 1T21 (342 mil bpd). 

As vendas de diesel e óleo combustível, por outro lado, registraram queda de, respectivamente, 2,2% e 33,9%, neste trimestre, em comparação com 1T21.

A redução sazonal na demanda por diesel explica parcialmente a queda no seu volume de vendas, ao passo que a ampla queda das vendas no mercado interno de óleo combustível deveu-se a menor demanda para geração termelétrica, dado a recuperação do nível dos reservatórios hídricos no país.

Vale ressaltar que o bom desempenho das exportações líquidas, que registram crescimento de 18,4% no 1T22, em comparação ao 1T21, se deveu a dois motivos, primeiro, a redução das importações totais em 10,5% e, em segundo lugar, ao crescimento das exportações de petróleo (6,3%) e óleo combustível (6,5%).

O desempenho operacional da empresa nesse primeiro trimestre de 2022 reafirma a importância do segmento do refino para Petrobras e lançam dúvidas sobre a política de desinvestimentos em curso. Apenas em 2021 a estatal vendeu três refinarias (RLAM, REMAN e SIX).

De acordo com o Plano de Negócios e Gestão 2022-2026, a companhia pretende vender outras 3 refinarias nos próximos anos – a REFAP, REPAR e RNEST. Se concluídas, essas vendas diminuiriam, segundo a própria Petrobras, a capacidade de seu parque de refino dos atuais 2,2 milhões de barris de petróleo por dia (MMbpd) para cerca de 1,2 MMbpd.

Essa estratégia deve expor ainda mais a empresa a maior volatilidade em relação aos preços internacionais, além de ampliar os riscos de desabastecimento do mercado interno e, por conseguinte, elevar os preços médios para o consumidor final, como já acontece na Bahia.

Esse texto contém informações do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP)

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3 comentários

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Bandoleiro

29 de abril de 2022 às 11h19

O Brasil nao tem capacidade de refinar o petroleo que precisa para ser autosuficiente por tanto é obrigado a importar.

Os animais que ficaram 15 anos no poder em epoca de preços elevados de commodities sò fezeram merda, assaltaram a Petrobras dia e noite, levaram uma rasteira do Chavez na Abreu e Lima, compraram refinerias podres nos EUA, usaram a Petrobras para comprar o congresso e se financiar para ficar no poder e nada mais.

Conseguiram levar uma estatal do petroleo que é monopolio num pais de 200 milhoes de pessoas a dar prejuizos…dizer o que mais ?

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