Trinca dos herdeiros de frustrados

Montagem

Já é consenso entre jornalistas e até mesmo PDTistas históricos (como Cidinha Campos) que Ciro Gomes se tornou uma espécie de linha auxiliar do Bolsonaro. Embora faça críticas ao Bolsonaro, é notório o descontrole e a virulência quando o assunto é Lula.

Parte desse ressentimento vem do seu sentimento de herdeiro, que julga ser merecido herdar o legado do lulismo. Sua trajetória é semelhante à de Aécio Neves. Ambos são herdeiros, vivem disso e acreditam que são predestinados ao poder.

Basta ver que as reações de ambos são semelhantes quando esse destino não se cumpre e arrastam os seus respectivos partidos para o fundo do poço.

No meio desse bolo todo nós temos Sergio Moro, que não é herdeiro de nenhuma oligarquia política mas que até 2020 achava que seria herdeiro do bolsonarismo. Quando viu que isso não seria possível, tentou implodir o governo. Não é por menos que tanto Moro quanto Aécio e Ciro se colocam como os “liminhas” do bolsonarismo.

Recentemente durante uma entrevista para o portal UAI, Aécio foi perguntado sobre em quem votaria em um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro ele declarou:

“eu terei sempre uma dificuldade enorme de compreender que o retorno do PT possa fazer bem ao Brasil”

E embora tenha feito algumas críticas e até mesmo elogios ao presidente da República, terminou não declarando qual seria a sua opção opção, mas disse que com seu voto, o PT não volta ao Planalto. O PSDB mineiro hoje tem uma aliança com o PDT e até mesmo foi alvo de elogios do presidente do partido, Carlos Lupi.

Já Moro, desesperado para não perder a disputa pelo senado no Paraná, não se poupa em rogar para si a alcunha de defensor do bolsonarismo no Paraná, fazendo até mesmo posts em defesa do presidente em suas redes sociais:

Reprodução/Instagram

E mesmo tentando implodir o governo Bolsonaro, agora defende que o foco deve ser o retorno do Partido dos Trabalhadores ao poder. Não é por menos que ele correu para sair em defesa de Ciro Gomes (outro herdeiro frustrado) que, segundo ele, seria alvo de supostos ataques:

E ainda temos Ciro Gomes que após sua ida ao podcast do Monark, consolidou sua pecha de “linha auxiliar do Bolsonaro”, chegou a chamar o ex-membro do podcast Flow de “menino inteligente” e dizer que ir ao podcast de um homem que já justificou a posse de pornografia infantil e defendeu a existência de um partido nazista legalizado, seria “salvar o Brasil”.

Durante a sua participação no programa, o ex-Ministro do Lula sugeriu que o PT teria relações com facções criminosas paulistas (uma mentira difundida pelo bolsonarismo) e estava apresentava sinais de descontrole, principalmente quando o assunto era o ex-presidente Lula e o seu entorno.

E embora negue ser linha auxiliar do presidente da República, analistas políticos confirmam que a postura do presidenciável pode sim ser encarada como auxiliar, seus vídeos e falas passaram a ser usados como panfleto de campanha por… bolsonaristas como general Heleno e o Ministro Fábio Faria, além de amplamente difundido entre grupos bolsonaristas de Telegram e Whatsapp.

A estratégia está ao menos rendendo votos ou algum ganho eleitoral? Não. Segundo um levantamento d’O Globo, Ciro tem seu pior desempenho nas pesquisas de intenção de voto desde 1998. Que até mesmo decidiu se juntar ao bolsonarista no movimento antidemocrático de contestação das pesquisas de intenção de voto.

O ex-ministro nunca chegou ao mês setembro com um percentual tão baixo quanto este ano, mostra levantamento do Pulso.

Cleber Lourenço: Defensor intransigente da política, do Estado Democrático de Direito e Constituição. | Colunista n'O Cafézinho com passagens pelo Congresso em Foco, Brasil de Fato e Revista Fórum | Nas redes: @ocolunista_
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