Bahia: Refinaria privatizada provoca desabastecimento de Gás de Cozinha

gasolina exerceu o maior impacto individual no IPCA de novembro - Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

O papel da inflação na derrota de Bolsonaro

Por Miguel do Rosário

11 de dezembro de 2022 : 10h25

O IBGE divulgou ontem o índice oficial de inflação (IPCA) para o mês de novembro. Com isso, já podemos examinar a inflação durante os quatro anos do governo Bolsonaro.

A inflação é considerado um dos índices mais determinantes da aprovação de um governo e, portanto, de suas chances de reeleição.

No livro A Mão e a Luva, dos cientistas políticos Alberto Carlos Almeida e Tiago Garrido, eles estudam o processo que levou a vitória ou derrota de todas as forças políticas desde a redemocratização, e a conclusão é que o elemento mais importante tem sido justamente a… inflação.

FHC perdeu para Lula em 2002 por causa do descontrole inflacionário. E o PT venceu quatro eleições consecutivas porque levou adiante iniciativas bem sucedidas de combate à inflação.

Bolsonaro por pouco não se reelege este ano, aliás, porque a inflação começou a cair sensivelmente nos meses que antecederam as eleições. Hoje está mais claro que boa parte dessa queda foi artificial, criada a partir de uma redução forçada no preço dos combustíveis, que já produziu um rombo recorde no tesouro de estados e municípios.

Uma inflação relativamente baixa, para os padrões brasileiros, precisa estar em um dígito. Entretanto, para se avaliar corretamente o impacto da inflação sobre a economia real das famílias é preciso olhar, sempre, para a evolução do poder aquisitivo do trabalhador.

É nesse sentido que o governo Bolsonaro é um dos piores da história. O trabalhador brasileiro perdeu renda durante a sua administração.

E perdeu renda porque não houve reajuste de salário, o desemprego se manteve elevado e as vagas criadas foram de empregos de baixa remuneração.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) fez a comparação dos preços relativos do botijão de gás na média de janeiro a outubro de 2019 a 2022.

Em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, um salário mínimo comprava 14,4 botijões de gás. Já em 2022, último ano de Bolsonaro, e apesar do esforço em reduzir artificialmente os preços às vésperas das eleições, o brasileiro podia comprar apenas 10,7 botijões.

Em suma, o brasileiro ficou mais pobre durante o governo Bolsonaro.

Entretanto, como sempre acontece em sociedades extremamente desiguais, a compressão da renda dos trabalhadores mais pobres, além do aumento do desemprego, reduziu o custo da mão de obra, beneficiando as classes mais abastadas, que vivem de explorar o trabalho alheio. A empregada doméstica e o operário tiveram de cobrar menos, para felicidade da patroa e do patrão.

Bolsonaro ofereceu o melhor dos mundos para alguns setores abastados: uma inflação relativamente controlada e uma atmosfera de forte opressão econômica e política – via desemprego e salários em declínio – sobre os trabalhadores mais pobres, gerando taxas de lucros mais elevadas para quem domina os meios de produção.

Mais uma vez: não foi a tôa que a eleição presidencial ganhou um aspecto fortemente classista, com os mais pobres votando em Lula e os mais ricos, em Bolsonaro.

Vejamos os números divulgado há alguns dias pelo IBGE.  A inflação de novembro ficou em 0,41%, contra 0,59% em outubro e 0,95% em novembro de 2021.

No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 5,9%.

São taxas de inflação relativamente baixas, pelo menos para os padrões nacionais.

Depois dos gráficos, eu continuo.

No último gráfico, com a inflação média em 12 meses desde janeiro de 2003, a gente pode tirar algumas lições políticas. Os tucanos perderam as eleições presidenciais em 2002 porque não estavam conseguindo controlar a inflação. O PT manteve uma popularidade elevada enquanto manteve a inflação sempre abaixo de 10%. A atmosfera para o impeachment, porém, aconteceu exatamente quanto a inflação estourou os 10%, em 2015. No caso, houve um movimento artificial para elevar a inflação, porque as elites tinham decidido dar um golpe em Dilma Rousseff, e nada melhor do que inflação alta para derrubar sua popularidade. Bolsonaro, por sua vez, perde as eleições em 2022 também porque, dentre milhares de outras razões, não conseguiu controlar a tempo um movimento inflacionário, que fez o índice de 12 meses do IPCA atingir quase 12% em junho de 2022. Foi uma inflação muito alta, numa data muito próxima da eleição de outubro.

O principal desafio de Lula, cuja diplomação oficial como presidente da república está marcada para esta segunda-fera 12 de dezembro, é o mesmo de todos os governos progressistas dos últimos 100 anos: promover crescimento econômico sem gerar inflação. Para isso, uma das iniciativas mais importantes será retomar o controle do preço da energia, insumo básico que, agora está claro, determina o custo de todos os produtos brasileiros.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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Alexandre Neres

11 de dezembro de 2022 às 23h35

Basta dar um pouco de corda e deixar o bestunto se enforcar sozinho. É tanta besteira junta, dita por Kleiton, um completo sem noção, que não à toa enaltece o minto.

Eis a pérola: “Cada um de nòs ganha conforme o que sabe fazer, produz, investe, etc…e nenhum governo de qualquer pais normal tem nada a ver com isso, zero.” Simples assim. Pergunto ao analfa se por um acaso já ouviu falar sobre a mais-valia? Deveria ao menos ter uma noção básica de Adam Smith, Ricardo, Locke, antes de escrever tanta baboseira.

Prezado Miguel, fiquei paralisado quando li o trecho que “FHC perdeu para Lula em 2002 por causa do descontrole inflacionário.” Acompanho diariamente a imprensa corporativa, que trata em uníssono do governo FHC sob uma ótica revisionista, descrevendo um passado idílico no qual a inflação fora domada. Os fatos foram se esmaecendo de tal forma que por um triz quase cheguei a acreditar na narrativa da imprensa chamada profissional. O hilário é que, depois de tudo isso, os minions, que não primam pela sagacidade, virem acusar tal imprensa de comunista.

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Edu

11 de dezembro de 2022 às 17h43

A Inflação adventure do pensamento verminoso do filho se ima puta, desgraçado, antipwtista de merda. Essa classe de bosta não está nem aí, para a grande maioria do povo necessitado do país.
Na verdade, esses vermes nem sabem o que é um país. Suas imbecilidades,do individualismo, não deixam

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Mandrake

11 de dezembro de 2022 às 11h16

O salario minimo é mais uma aberraçào de quinto mundo para legalizar a escravidao e mais uma arma nas maos de lavadores de dinheiro publico profissionais camuflados de politicos que usam isso sem a minima vergonha na cara para angariar votos entre as massas de gente perdida nessa plantaçào de bananas e mandiocas.

Certamente atras do salario minimo tem a mao dos mongoloides dos sindicatos.

Passou da hora dos brasileiros começar a almejar o salario maximo ao inves do minimo desde que os filhos dos mesmos metem pé na escola pela primeira vez como é em qualquer pais minimamente serio.

Passou da hora dos brasileiros começar a ensinar aos proprios filhos a importancia do estudo, a educaçào basica e as minimas regras de convivencia civil junto a uma maozada na orelha bem dada na hora certa (nao ha nada de melhor que isso para educar, nada)…coisa que até hoje em pleno 2022 nao acontece.

O BRasil chega a dar o vomito.

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Jonathan

11 de dezembro de 2022 às 11h10

A inflaçào a gente viu nos ultimos governos petralhoide e sem uma pandemia que pasarà a historia da humanidade e uma guerra que involve um dos maiores produtores de petroleo e gas do mundo.

Sò os ultimos governos petralhoides conseguiram faer pior que o Coronavirus…

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Querlon

11 de dezembro de 2022 às 11h07

Desde quando os governos decidem o que as pessoas ganham ou deixam de ganhar se o raporto de trabalho é entre “privados” ?

Cada um de nòs ganha conforme o que sabe fazer, produz, investe, etc…e nenhum governo de qualquer pais normal tem nada a ver com isso, zero.

A inflaçào nao é decidida e nem controlada por governo nenhum, o que governos podem e devem fazer é cortar impostos idiotas e nada mais.

Dito isso, falar de inflaçào dos ultimos anos sem citar uma pandemia que parou o mundo e logo depois uma guera é coisa de gente bastante rasteira, de ratos camuflados de pessoas que querem socar merda na cabeça de outras.

A inflaçào do Brasil nos ultimos anos da um banho na de paises infinitamente mais ricos e pra frente mas os brasileiros nao sabem olhar um cm alem da ponta do proprio nariz de palhaço.

O que ganhou as eleiçoes foi como sempre a infantilidade cronica dos brasileiros, o analfabetismo, a incapacidade de entender um texto com mais de 5 palvras, e as promessas de dinheiro para completar a obra de exploraçào.

Nao cansam dessa eterna apolgia ao terceiromundismo ? Desse eterno peleguismo ridiculo ? Ou é proposital para continaur a exploraçào…?

Pobre pindorama infestada de vermes, de canalhas.

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Querlon

11 de dezembro de 2022 às 10h56

Sem a pandemia Bolosonaro seria reeleito facilmente.

Alem de acreditar que comer manga com leite mate na hora e que Joao de Deus fosse um medico os Brasileiros ainda no ano de 2022 acham que os Governos decidam os preços de produtos, gasolina, e por ai vai.

ainda no ano de 2022 os brasilerios acham que o Presidente da Republica seja uma especie de tutor, de assistente social acom as chaves de um caixa eletronico sem fundo para distribuir dinheiro que cai do ceu.

Assim foi por decadas mas esse dinheiro caiu no bolso de mensaleiros, grandes empresas, partidos politicos, congressistas e toda a imundicia que infesta este pais tendo o PT, Lula e seus afiliados como maximo representantes dessa desgraça eterna.

Terceiro mundo puro.

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