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2025 foi mais um grande ano para o comércio exterior brasileiro

A balança comercial brasileira deve fechar 2025 com um superávit próximo de US$ 63 bilhões, enquanto as projeções para 2026 indicam um novo saldo robusto, em torno de US$ 67 bilhões. Os dados oficiais e completos de 2025 serão divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços no dia 6 de janeiro. Como sempre, […]

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AFP via Getty Images

A balança comercial brasileira deve fechar 2025 com um superávit próximo de US$ 63 bilhões, enquanto as projeções para 2026 indicam um novo saldo robusto, em torno de US$ 67 bilhões.

Os dados oficiais e completos de 2025 serão divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços no dia 6 de janeiro. Como sempre, o Cafezinho voltará ao tema com análises detalhadas assim que os números finais forem confirmados. Ainda assim, os dados já disponíveis permitem chegar muito perto do resultado efetivo do ano.

Um exercício estatístico simples ajuda a compreender o quadro atual. Ao considerar o acumulado de 12 meses entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, é possível construir uma estimativa bastante próxima do resultado anual de 2025, já que o fechamento de dezembro tende a não alterar de forma relevante as tendências principais.

Nesse recorte, as exportações brasileiras devem somar cerca de US$ 342,7 bilhões, as importações devem alcançar aproximadamente US$ 280,2 bilhões e a corrente de comércio deve chegar a algo próximo de US$ 622,9 bilhões. O saldo comercial, nessa estimativa, ficaria em torno de US$ 62,5 bilhões.

Tão relevante quanto o superávit é justamente a corrente de comércio, que expressa o grau de integração do Brasil à economia mundial. Em comparação com 2024, quando a corrente de comércio somou cerca de US$ 600 bilhões, a nossa estimativa para 2025 aponta para um crescimento próximo de 4%. Em relação a 2015, quando a corrente de comércio girava em torno de US$ 360 bilhões, o avanço chega a mais de 70% em uma década. Trata-se de um salto expressivo de escala.

Esse desempenho obriga a rever conceitos tradicionais sobre a pauta exportadora brasileira. Muitos bens ainda classificados como “primários” são hoje primários apenas no nome. Na prática, carregam elevado valor agregado, fruto de produtividade extremamente alta, tecnologia incorporada, ciência aplicada e logística sofisticada.

O agronegócio é o exemplo mais evidente dessa transformação. Em 2025, as exportações de oleaginosas — basicamente soja — devem alcançar algo em torno de US$ 44 bilhões. Há dez anos, esse valor era pouco superior a US$ 21 bilhões, o que indica um crescimento acima de 100% em uma década. O mesmo ocorre com o café. No grupo café, chá e cacau, predominantemente café, as exportações devem chegar perto de US$ 17 bilhões no acumulado de 12 meses, com alta de quase 27% em relação a 2024 e crescimento superior a 140% quando comparado a 2015.

As carnes também se destacam. As exportações do setor devem somar cerca de US$ 30,5 bilhões, configurando um novo recorde histórico, com crescimento superior a 18% em relação a 2024 e expansão acima de 110% em dez anos. Trata-se de um setor altamente tecnificado, com ganhos contínuos de produtividade, sanidade, rastreabilidade e valor agregado.

Na indústria extrativa, o petróleo segue como principal item da pauta. As exportações de petróleo e derivados devem alcançar algo próximo de US$ 54 bilhões no acumulado de 12 meses. Em relação a 2015, o crescimento é expressivo, próximo de 300%. Já os minérios metálicos, dominados pelo minério de ferro, devem atingir cerca de US$ 38 bilhões, praticamente o dobro do valor exportado há dez anos.

Mesmo a indústria de transformação apresenta avanços relevantes. As exportações de veículos devem ficar próximas de US$ 14,9 bilhões, o maior valor da série recente, enquanto a celulose deve somar pouco mais de US$ 10 bilhões, consolidando o Brasil como um dos grandes fornecedores globais.

Quando se fala em sofisticação das exportações brasileiras, é fundamental incluir outro fator estratégico: a diplomacia. O profissionalismo do Itamaraty, somado à diplomacia política exercida pelo presidente Lula, tem sido decisivo para abrir e ampliar mercados, reduzindo barreiras e sustentando a expansão da presença brasileira em diferentes regiões do mundo.

A China permanece como o principal parceiro comercial do Brasil. Em 2025, com base no acumulado de 12 meses até novembro, as exportações brasileiras para o país asiático devem ficar em torno de US$ 98 bilhões, frente a aproximadamente US$ 94 bilhões em 2024. Isso significa que a China responde hoje por cerca de 28,6% de todas as exportações brasileiras, participação bem superior à observada em 2015, quando era próxima de 18%.

A corrente de comércio entre Brasil e China deve atingir aproximadamente US$ 168,8 bilhões em 2025, acima dos cerca de US$ 158 bilhões registrados em 2024. Em relação a 2015, quando a corrente girava em torno de US$ 66 bilhões, o crescimento supera 150% em dez anos. A participação da China na corrente de comércio brasileira passou de algo próximo de 18% em 2015 para cerca de 27% em 2025, evidenciando uma mudança estrutural na relação entre os dois países.

Os Estados Unidos seguem como segundo principal parceiro comercial do Brasil, mas com dinâmica distinta da chinesa. Em 2025, as exportações brasileiras para o mercado americano devem ficar em torno de US$ 38 bilhões, abaixo dos cerca de US$ 39,8 bilhões registrados em 2024, uma queda moderada próxima de 5%. Na comparação com 2015, quando essas exportações somavam aproximadamente US$ 24 bilhões, o crescimento acumulado é de cerca de 58% em dez anos.

A corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos deve ficar em torno de US$ 83 bilhões em 2025, inferior ao patamar de aproximadamente US$ 87 bilhões observado em 2024. Em 2015, a corrente de comércio com os Estados Unidos era de cerca de US$ 55 bilhões, o que correspondia a aproximadamente 15% da corrente de comércio total do Brasil naquele ano. Em 2025, essa participação deve ficar em torno de 13%, refletindo a diversificação dos parceiros comerciais brasileiros ao longo da última década.

Esse desempenho recente reflete, em parte, os efeitos do tarifário adotado pelo governo Donald Trump em 2025, que introduziu incertezas e custos adicionais para setores específicos do comércio bilateral. Ainda assim, a relação permanece relevante e estrutural, especialmente pela importância das importações brasileiras de bens industriais, tecnologia e equipamentos provenientes dos Estados Unidos. O saldo comercial do Brasil com os EUA, nessa estimativa para 2025, deve permanecer negativo, em torno de US$ 7 bilhões, padrão recorrente ao longo da última década.

A Argentina volta a ganhar peso como parceiro regional, acompanhando a retomada da economia do país vizinho. As exportações brasileiras para a Argentina devem crescer mais de 30% em relação a 2024, impulsionadas sobretudo por veículos, autopeças, máquinas e bens industriais. Esse movimento reforça o comércio intra-regional e contribui para a recuperação da corrente de comércio no Mercosul após anos de desempenho mais fraco.

O superávit comercial brasileiro deve se manter robusto, embora menor do que nos dois anos anteriores, que foram excepcionais. Essa redução não decorre de queda das exportações, que continuam crescendo e batendo recordes, mas do aumento das importações. O Brasil está importando mais porque consome mais e, sobretudo, porque está reequipando sua base produtiva. Máquinas, equipamentos, insumos industriais e bens intermediários têm peso relevante nessa dinâmica.

Os números apontam para uma economia em processo contínuo de desenvolvimento e integração às cadeias globais de valor, avançando em escala, sofisticação produtiva e inserção internacional.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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