O ano de 2026 começa com uma boa notícia para, pelo menos, 15 milhões de brasileiros. Desde 1º de janeiro, entrou em vigor a legislação que isenta totalmente do Imposto de Renda trabalhadores e trabalhadoras que recebem até R$ 5 mil por mês. A medida, anunciada ainda em 2025, representa um ganho direto de renda logo na largada do ano e tende a produzir efeitos que vão além do contracheque individual.
Quando se considera o impacto nas famílias, o alcance da mudança é ainda maior. Esses 15 milhões de contribuintes sustentam lares inteiros — em muitos casos com dois, três ou mais dependentes. Na prática, o dinheiro que antes era retido na fonte passa a circular dentro de casa, ampliando o poder de compra de dezenas de milhões de pessoas. É um alívio mensal que pode significar contas em dia, redução do endividamento, mais consumo básico e alguma margem para pequenos investimentos familiares.
Além da isenção total até R$ 5 mil, a nova regra prevê descontos progressivos para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 por mês. Esse grupo soma cerca de outros 5 milhões de contribuintes, segundo estimativas oficiais. Ou seja, no total, aproximadamente 20 milhões de brasileiros passam a pagar menos imposto ou deixam de pagar completamente, consolidando uma mudança relevante na estrutura do Imposto de Renda no país.
O cálculo do impacto econômico é direto. A Receita Federal estima que, só em 2026, a medida injetará cerca de R$ 28 bilhões adicionais na economia. Trata-se de um estímulo expressivo, distribuído de forma pulverizada, com alto potencial de retorno para o comércio, a indústria e o setor de serviços. Diferentemente de incentivos concentrados, o dinheiro chega a quem consome no dia a dia: supermercado, farmácia, transporte, pequenos serviços e bens duráveis de menor valor.
Para evitar desequilíbrios fiscais, a legislação veio acompanhada de um ajuste no topo da pirâmide. Rendimentos anuais acima de R$ 600 mil passam a ser alcançados por uma tributação adicional, com alíquota gradual que pode chegar a até 10%. Segundo o governo, cerca de 140 mil contribuintes — algo em torno de 0,1% da população — serão afetados. Quem já paga esse percentual ou mais não terá aumento, o que neutraliza impacto fiscal adicional e reforça o caráter redistributivo da mudança.
Do ponto de vista político, a isenção do IR chega em um momento estratégico. O início de 2026 com dinheiro extra no bolso tende a gerar um choque imediato de percepção positiva na sociedade. Medidas que se refletem diretamente na renda costumam ser rapidamente assimiladas pelo eleitorado, especialmente em um contexto de recuperação econômica gradual e inflação mais comportada.
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o efeito é duplo. Além de cumprir uma promessa de campanha central, a medida ajuda a abrir o ano com um impulso de popularidade, criando um ambiente político mais favorável. Esse capital simbólico é relevante tanto para as articulações nacionais quanto para o tabuleiro eleitoral que começa a se desenhar rumo às eleições presidenciais.
O reflexo também deve ser sentido nas disputas estaduais. Governadores e lideranças locais alinhados ao governo federal tendem a se beneficiar de um cenário em que a renda disponível cresce e o consumo reage. Em política, o humor econômico conta — e começa a ser formado logo nos primeiros meses do ano.
Somada à política de valorização do salário mínimo, que elevou o piso nacional para R$ 1.621 em 2026, a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil reforça uma estratégia clara: fortalecer a base da renda, estimular a economia por baixo e reorganizar a tributação de forma mais equilibrada. Para milhões de brasileiros, 2026 começa com algo concreto e mensurável — mais dinheiro no bolso.