Os ataques dos Estados Unidos à Venezuela constituem o mais infame e sórdido crime internacional já cometido contra a soberania de um país latino-americano em décadas.
Não há mais espaço para nenhum tipo de tergiversação moral sobre o que ocorreu na madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026.
O sequestro de um chefe de Estado de um país soberano configura não apenas uma violação de todas as leis internacionais, mas um ataque à própria humanidade.
Os bombardeios à capital de uma nação sem nenhuma justificativa plausível, sem consulta ao Conselho de Segurança da ONU, sem qualquer debate com a comunidade internacional, revelam a face mais brutal do imperialismo americano. A reação de qualquer cidadão do mundo deve ser de repúdio total à violência americana e de solidariedade absoluta à Venezuela.
Espera-se que o mundo, que assistiu calado às barbaridades cometidas por Israel na Faixa de Gaza, não cometa o mesmo erro diante de uma agressão armada a um país soberano com 34 milhões de habitantes.
Este ataque é também uma agressão à própria democracia americana, se é que ainda podemos usar esse termo. O presidente dos Estados Unidos não pode declarar guerra a outro país sem aprovação expressa do Congresso americano, sem um mínimo debate com a sociedade.
E a Venezuela não atacou os Estados Unidos. A Venezuela não representava nenhuma ameaça ao território americano.
O objetivo nem sequer se esconde: tomar o petróleo da Venezuela, as maiores reservas do mundo.
Donald Trump já vinha cometendo crimes infames ao bombardear embarcações no Mar do Caribe, matando mais de 100 pessoas sob o pretexto de combate ao narcotráfico, sem qualquer comprovação, sem qualquer transparência ou processo.
Depois disso, o governo americano passou a apreender petroleiros venezuelanos, num ato de pirataria inacreditável. Em dezembro, os Estados Unidos capturaram ao menos quatro navios: o Skipper, no dia 10; o Centuries, no dia 20, carregando 2 milhões de barris de petróleo; o Bella 1; e um quarto petroleiro perseguido através do Atlântico.
Essa pirataria não é apenas uma agressão à Venezuela. É uma agressão a todos os países que mantêm relações comerciais com a nação caribenha e dependem de seu petróleo. A China, principal compradora, adquire 76% da produção venezuelana. Os petroleiros apreendidos tinham histórico de entregas em portos chineses como Yantai, Qingdao e Tianjin. Ao roubar o petróleo da Venezuela, os Estados Unidos agridem diretamente a China.
Pequim condenou as apreensões como violação do direito internacional. E não por acaso: sem o petróleo venezuelano, vendido com desconto e adequado às refinarias chinesas, a China será forçada a comprar de outros fornecedores a preços mais elevados.
Stephen Miller, principal assessor de Trump, revelou a mentalidade colonial por trás da operação ao alegar que os Estados Unidos “criaram a indústria de petróleo na Venezuela” e que a nacionalização do setor foi “o maior roubo registrado de riqueza e propriedade americana”. Trump ecoou essa retórica, escrevendo que os EUA “não permitirão que um regime hostil tome nosso petróleo”.
Agora, consumaram a invasão do país e o sequestro de um chefe de Estado.
Na madrugada de 3 de janeiro, por volta das 2h da manhã, explosões atingiram Caracas e outras cidades venezuelanas. Ao menos sete detonações foram registradas em um intervalo de 30 minutos.
Os alvos incluíram o Fuerte Tiuna, maior complexo militar do país, a base aérea de La Carlota e áreas nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Moradores relataram tremores, barulho de aeronaves em baixa altitude e cortes de energia elétrica. Bombardeios atingiram áreas civis, e o governo venezuelano está compilando informações sobre mortos e feridos.
A Casa Branca confirmou oficialmente a operação: “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea.”
Segundo a CBS News, a unidade responsável pela captura foi a Delta Force, tropa de elite do Exército americano. O senador Mike Lee informou que o secretário de Estado Marco Rubio comunicou que Maduro será levado a julgamento nos Estados Unidos.
A vice-presidenta venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou desconhecer o paradeiro de Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, exigindo prova de vida imediata. “Nunca seremos escravos. Somos filhos e filhas de Bolívar”, declarou.
O Ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, denunciou: “Esta invasão representa o ultraje mais grave que sofreu o país.” O objetivo real, segundo ele, é a “insaciável cobiça de nossos recursos estratégicos”.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, convocou conselho de segurança nacional às 3h da manhã e anunciou medidas emergenciais. Deslocou forças públicas para a fronteira e mobilizou assistência para eventual entrada massiva de refugiados.
“O governo da Colômbia rejeita a agressão à soberania da Venezuela e da América Latina”, declarou Petro. “Os conflitos internos entre os povos são resolvidos pelos próprios povos, em paz. Esse é o princípio da autodeterminação dos povos, base do sistema das Nações Unidas.”
A Colômbia, como membro do Conselho de Segurança da ONU, busca convocar uma sessão do órgão.
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) manifestou solidariedade ao povo venezuelano. “Estados Unidos não são o dono do mundo. É um absurdo o sequestro de um presidente da república”, afirmou.
“Eles têm a ganância, só querem o lucro, querem a ocupação de riqueza natural, do petróleo. Cercam a Venezuela, cercam a Colômbia, cercam Cuba e podem cercar o Brasil”, alertou a deputada.
A Rússia condenou o “ato de agressão armada” e pediu diálogo para evitar escalada. A Espanha solicitou desescalada e respeito ao direito internacional, oferecendo-se como mediadora.
O que os Estados Unidos esperam com essa ação? Uma mudança de regime?
A Venezuela possui uma sociedade organizada, instituições funcionando, forças armadas leais. A única maneira de impor uma mudança de regime seria a instalação de uma ditadura sanguinária, sem eleições, sem legitimidade.
Não há solução racional à vista. Não há perspectiva sensata para o que Trump está fazendo.
Esta é a primeira intervenção militar direta dos Estados Unidos na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989, quando depuseram Manuel Noriega.