Pedro Sánchez afirma que a Espanha não reconhecerá a intervenção dos EUA e alerta para o risco de instabilidade, violência regional e ruptura do direito internacional
A comunidade internacional amanheceu sob o impacto de uma movimentação militar que ignora décadas de diplomacia. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, declarou neste sábado (3) que o seu país não reconhecerá a intervenção armada dos Estados Unidos em solo venezuelano. A manifestação surge poucas horas após Washington confirmar a captura do presidente Nicolás Maduro e o anúncio de que os americanos governarão a nação de forma interina.
Embora Madrid mantenha uma postura crítica ao governo venezuelano, Sánchez enfatizou que a solução para as crises políticas jamais deve passar pela violação do direito internacional. Em sua conta oficial no X, o líder espanhol foi enfático ao afirmar que a Espanha não aceitará um cenário imposto pela força bruta. “Espanha não reconheceu o regime de Maduro. Mas também não reconhecerá uma intervenção que viole o direito internacional e empurre a região para um horizonte de incerteza e beligerância”, escreveu o premiê.
Dessa forma, a posição espanhola coloca uma barreira ética contra a narrativa de Donald Trump, que pretende instalar um governo provisório sob o controle da Casa Branca. Sánchez ainda aproveitou a oportunidade para fazer um apelo humanitário. Ele pediu que todas as partes envolvidas “pensem na população civil, respeitem a Carta das Nações Unidas e articulem uma transição justa e dialogante”. Portanto, para a diplomacia europeia, a soberania popular e a paz regional devem prevalecer sobre interesses geopolíticos unilaterais.
Detalhes de uma operação militar que feriu a soberania latina
Enquanto líderes mundiais tentam conter a escalada de violência, os militares norte-americanos detalharam a logística do ataque, batizado de Operação Resolução Absoluta. O general Daniel Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, descreveu uma invasão aérea e marítima sem precedentes na história recente do continente. Segundo ele, 150 aeronaves partiram de 20 bases diferentes para executar a missão que culminou na prisão de Maduro e de sua esposa, Cília Flores.
A ação começou oficialmente às 22h46 da sexta-feira, sob ordens diretas de Trump. O general afirmou que bombardeiros e caças cruzaram o céu do Hemisfério Ocidental em uma “operação audaciosa que somente os Estados Unidos poderiam executar”. Entretanto, o custo simbólico dessa demonstração de força é altíssimo. Ao agir sem autorização do Congresso ou de órgãos internacionais, Washington reforça uma postura imperialista que muitos acreditavam pertencer ao passado.
Conforme o relato militar, as tropas de elite chegaram ao complexo onde o casal presidencial estava às 2h01 da madrugada. Caine alega que as equipes responderam com “fogo esmagador” a supostos disparos iniciais. Por fim, Maduro e Cília Flores se renderam e agora seguem sob custódia em um navio da Marinha americana a caminho de Nova York. A precisão técnica celebrada pelo Pentágono não apaga o fato de que um presidente estrangeiro foi removido à força de seu território por uma potência externa.
A volta da Doutrina Monroe e a sombra do neocolonialismo
O tom adotado pelo governo Trump não deixa dúvidas sobre suas intenções: a restauração de uma tutela direta sobre a América Latina. O secretário de Defesa, Peter Hegseth, usou palavras duras para ameaçar qualquer resistência ao novo modelo. “A coordenação, a furtividade, a letalidade, a precisão, o braço longo da justiça americana — tudo isso foi exibido plenamente no meio da noite”, declarou Hegseth.
Essa retórica agressiva se alinha à intenção de Trump de “administrar” a Venezuela e controlar suas vastas reservas de petróleo. O mandatário estadunidense justificou a intervenção citando a necessidade de interromper a violência e garantir os interesses regionais de Washington. No entanto, para diversos setores da esquerda e movimentos sociais, essa justificativa mascara uma cobiça por recursos estratégicos.
O governo venezuelano reagiu imediatamente, classificando o episódio como uma “gravíssima agressão militar” e decretando estado de exceção. Ao invocar a Doutrina Monroe, Trump ignora que o século XXI exige o respeito à autodeterminação dos povos. Assim, o mundo observa com apreensão se essa ofensiva militar resultará em uma transição democrática ou se apenas abrirá caminho para uma nova era de exploração colonial na América do Sul.