As ações de grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos registraram forte valorização nesta segunda-feira (5), impulsionadas pela expectativa de ampliação do acesso às reservas de petróleo da Venezuela após a ofensiva liderada pelo presidente Donald Trump contra o governo venezuelano. O movimento do mercado reflete a leitura de investidores de que companhias norte-americanas poderão expandir ou iniciar operações no país sul-americano, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
Segundo a Reuters, a alta nos papéis ocorreu depois que Trump afirmou publicamente que os Estados Unidos assumiriam o controle da Venezuela e que empresas de energia americanas teriam papel central na retomada da produção petrolífera local. As declarações foram feitas após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos, fato que provocou ampla repercussão política e diplomática internacional.
Mercado reage a sinalizações de abertura do setor petrolífero
No domingo (4), Trump afirmou ter conversado com “todas” as grandes petrolíferas dos Estados Unidos sobre planos de investimento na Venezuela, tanto antes quanto depois da operação militar. “Eles querem entrar com muita vontade”, declarou o presidente norte-americano, indicando que as companhias estariam dispostas a investir bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura petrolífera do país.
A resposta do mercado foi imediata. As ações da Chevron, única grande empresa dos Estados Unidos que manteve presença nos campos petrolíferos venezuelanos nos últimos anos, subiram cerca de 6,5% no pré-mercado. Papéis de refinadoras como Marathon Petroleum, Phillips 66, Valero Energy e PBF Energy avançaram entre 4% e 11% ao longo da sessão.
Analistas avaliam que o movimento reflete a expectativa de aumento de reservas exploráveis sob controle de empresas norte-americanas, além da possibilidade de contratos vantajosos em um cenário de reestruturação do setor energético venezuelano.
Preços do petróleo permanecem estáveis
Apesar da forte alta das ações do setor, os preços internacionais do petróleo apresentaram pouca variação. De acordo com a Reuters, a ampla oferta global continuou pressionando o mercado, neutralizando, ao menos no curto prazo, os efeitos das incertezas geopolíticas relacionadas ao futuro da produção venezuelana.
Especialistas apontam que, embora a Venezuela possua enormes reservas, qualquer aumento relevante da produção exigiria tempo, investimentos elevados e reabilitação de campos, refinarias, oleodutos e portos. Assim, o impacto imediato sobre o equilíbrio global de oferta e demanda tende a ser limitado.
Venezuela concentra as maiores reservas do mundo
A Venezuela detém cerca de 303 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo bruto, a maior quantidade do planeta, segundo dados internacionais. A maior parte desse volume é composta por óleo pesado localizado na Faixa do Orinoco. No entanto, a produção do país despencou nas últimas décadas, afetada por problemas de gestão, queda de investimentos após a nacionalização do setor e sanções impostas por Washington.
No ano passado, a produção média venezuelana foi de aproximadamente 1,1 milhão de barris por dia, cerca de um terço do volume registrado no auge da década de 1970. Para Trump, esse cenário justificaria uma intervenção direta de empresas norte-americanas. “Vamos colocar nossas grandes empresas de petróleo dos EUA, as maiores do mundo, para entrar, investir bilhões de dólares, consertar a infraestrutura de petróleo gravemente danificada e começar a gerar dinheiro para o país”, afirmou.
Incertezas sobre modelo de controle e governança
Trump não detalhou como pretende implementar o que chamou de um “renascimento liderado pelos Estados Unidos” da indústria petrolífera venezuelana. Também não ficou claro qual será o arcabouço jurídico que sustentaria a atuação de companhias estrangeiras em um país que, historicamente, defendeu o controle estatal do setor energético.
O governo venezuelano, por sua vez, sempre rejeitou as acusações feitas por Washington de envolvimento de Maduro com o narcotráfico, sustentando que tais alegações seriam utilizadas como pretexto para uma mudança de regime e para o controle das riquezas naturais do país.
Pressão política e militar continua no radar
No plano político e militar, o governo Trump sinalizou que pode ampliar a pressão sobre Caracas. Após a remoção de Maduro, autoridades norte-americanas indicaram que a estratégia inclui intimidar integrantes do círculo próximo ao ex-presidente venezuelano com a ameaça de novas ações militares, caso o governo interino não coopere com os interesses dos Estados Unidos.
Trump foi direto ao afirmar que uma nova ofensiva não está descartada. “Se eles não se comportarem, faremos um segundo ataque”, declarou. O presidente também afirmou que pretende obter “acesso total” dos Estados Unidos e de empresas privadas à infraestrutura petrolífera venezuelana, além de estradas e pontes consideradas em estado precário.
Repercussão no mercado e cenário adiante
Para o mercado financeiro, o episódio combina fatores de alto risco geopolítico com potencial de ganhos significativos para o setor energético norte-americano. Investidores acompanham de perto os desdobramentos políticos e jurídicos do caso, cientes de que o cenário ainda pode mudar rapidamente diante de reações internacionais, sanções, decisões judiciais ou instabilidade interna na Venezuela.
Por ora, a leitura predominante é de que as declarações de Trump reforçam a expectativa de uma reconfiguração profunda do setor petrolífero venezuelano, com possível protagonismo de empresas dos Estados Unidos, o que explica a forte valorização das ações do setor no início da semana.