Menu

Após sequestrar Maduro, Trump não sabe o que fazer na Venezuela

A captura de Nicolás Maduro trouxe uma vitória tática imediata para os EUA. Entretanto, a declaração seguinte de Donald Trump, de que o país agora “comandaria” a Venezuela, gerou uma imensa incerteza sobre o futuro. Um exemplo claro dessa confusão foi sua rejeição pública à líder oposicionista María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da […]

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Captura de Maduro redefine poder político em Caracas
Após a captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA, militares reconhecem Delcy Rodríguez como presidente interina por 90 dias, sob forte tensão interna e externa / Reprodução

A captura de Nicolás Maduro trouxe uma vitória tática imediata para os EUA.

Entretanto, a declaração seguinte de Donald Trump, de que o país agora “comandaria” a Venezuela, gerou uma imensa incerteza sobre o futuro.

Um exemplo claro dessa confusão foi sua rejeição pública à líder oposicionista María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.

Trump descartou Machado, afirmando que seria “muito difícil” para ela ser a líder e que ela não tinha apoio dentro do país. A fala surpreendeu aliados, já que os EUA consideram que seu movimento venceu a eleição do ano passado.

A rejeição tem uma razão pessoal: fontes próximas à Casa Branca dizem que aceitar o Nobel, prêmio que Trump almeja, foi seu “pecado supremo”. Ela teria sido a presidente interina se o tivesse recusado e dedicado a ele, segundo essas fontes.

Enquanto isso, em nítido contraste com a narrativa ocidental de que Maduro carecia de apoio popular, a capital Caracas e cidades por toda a Venezuela registraram manifestações maciças. Gigantescas passeatas em apoio ao regime e em protesto contra o sequestro de seu presidente tomaram as ruas, demonstrando uma significativa base de apoio popular que complica a visão simplista de uma ditadura imposta a uma população resistente.

Contradizendo diretamente a expectativa de um vácuo de poder ou de colapso, a presidente interina Delcy Rodríguez assumiu o controle do país com firmeza e serenidade. Em mensagem direta a Donald Trump, ela afirmou: “Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem a paz e o diálogo, não a guerra”. Seus pronunciamentos têm sido unívocos na defesa da soberania, na busca de um relacionamento internacional equilibrado e na oferta de uma “agenda de cooperação” baseada no respeito mútuo e na não-ingerência.

A própria Casa Branca transmite mensagens desencontradas. Enquanto Trump fala em reerguer a indústria petrolífera e realizar eleições, seu secretário de Estado, Marco Rubio, apresenta objetivos mais imediatos e coercivos.

Rubio definiu o “comando” americano como a imposição de uma nova direção política ao país. Segundo ele, isso significa fazer a Venezuela expulsar representantes do Irã e cortar laços com o regime teocrático, além de parar o fluxo de drogas e conter a migração.

Internamente, a gestão da crise parece frágil. Marco Rubio acumula funções cruciais e não teria tempo para a administração diária na Venezuela.

Há relatos de que Stephen Miller, arquiteto da política de imigração de Trump, pode assumir a supervisão das operações pós-Maduro. Isso evidencia a dependência do presidente em um círculo muito restrito de assessores.

No plano militar, a ameaça de uma nova escalada permanece. Cerca de 15.000 militares americanos, com navios e aeronaves, continuam de prontidão no Caribe, aguardando uma possível segunda ordem de ataque.

A questão do petróleo ilustra a complexidade. Trump promete retomar o controle da indústria para empresas americanas. Essa visão ignora a presença consolidada de grandes companhias europeias, como a Repsol, Maurel & Prom e Eni.

A americana Chevron já opera e exporta para os EUA sob uma licença especial. A maior parte do petróleo venezuelano, no entanto, é vendido com grande desconto para a China, devido ao regime de sanções internacionais.

Especialistas alertam que a segurança e a estabilidade necessárias para novos investimentos bilionários ainda são uma grande incógnita. A ambição de “comandar” a Venezuela parece, assim, mais um desejo confuso do que um plano estratégico executável.

Com informações do The Washington Post e da teleSUR.

, , , ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes