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Escalada no Cone Sul acende alerta

Agressão contra a Venezuelana divide opiniões globais A tensão geopolítica atinge um novo patamar nesta semana, com uma sequência de eventos dramáticos na América do Sul e reações internacionais acirradas. A operação militar norte-americana que sequestrou o presidente venezuelano Nicolás Maduro não apenas alterou o cenário político regional, mas também acendeu uma crise diplomática de […]

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AFP

Agressão contra a Venezuelana divide opiniões globais

A tensão geopolítica atinge um novo patamar nesta semana, com uma sequência de eventos dramáticos na América do Sul e reações internacionais acirradas. A operação militar norte-americana que sequestrou o presidente venezuelano Nicolás Maduro não apenas alterou o cenário político regional, mas também acendeu uma crise diplomática de proporções globais, expondo profundas divisões na ordem mundial e ameaçando uma escalada de conflitos.

No centro da crise está a operação militar conduzida pelos Estados Unidos na madrugada de sábado (3) em Caracas. A ação, considerada ilegal, que incluiu bombardeios a alvos militares, resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. O casal foi transferido para os Estados Unidos, onde Maduro enfrentará acusações formais de narcoterrorismo em um tribunal federal de Nova York.

O presidente Donald Trump justificou a ação como necessária para combater o narcotráfico e instaurar uma transição democrática na Venezuela, prometendo que os EUA “administrarão” o país até uma “transição judiciosa”. No entanto, a forma como foi executada – uma intervenção militar direta em um país soberano para prender seu líder – estabelece um precedente sem paralelos recentes na região.

Reações internacionais: um mundo dividido

A resposta da comunidade internacional foi imediata e profundamente cindida, refletindo as atuais fissuras da geopolítica global.

Liderados por Rússia e Irã, várias nações condenaram veementemente a ação. O Papa Leão XIV fez um apelo por moderação, defendendo que “a Venezuela deve permanecer um país independente” e que o bem-estar de seu povo deve prevalecer. Em comunicado, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai manifestaram preocupação com as ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e afirmaram que ações são um precedente extremamente perigoso para a paz.

Já a Argentina emergiu como a principal voz de apoio na região. O presidente Javier Milei elogiou a operação, declarando que “a liberdade avança na América Latina”. E o líder da oposição israelense, Yair Lapid, instou o Irã a “prestar muita atenção ao que acontece na Venezuela”, em uma clara advertência geopolítica.

Protestos

Dentro da Venezuela, a situação é de convulsão. Milhares de pessoas tomaram as ruas de Caracas e outras cidades para protestar contra a intervenção estrangeira e exigir o retorno imediato de Maduro e Cilia Flores. Os manifestantes denunciam a ação como um ataque à soberania nacional e uma tentativa de espoliação dos recursos naturais do país.

Em meio ao vácuo de poder, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma a Presidência de forma interina. Seu governo provisório terá o desafio de administrar a crise institucional, a reação popular e a pressão internacional, enquanto aguarda desenvolvimentos sobre o destino de Maduro.

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