Saiba quantas mortes foram provocadas pela invasão dos EUA a Venezuela

Forças Armadas confirmam governo interino em Caracas / Reprodução

O ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, realizado com o objetivo declarado de capturar o presidente Nicolás Maduro, deixou ao menos 80 pessoas mortas, entre militares e civis, segundo informações divulgadas por autoridades venezuelanas. A ofensiva, que incluiu bombardeios em Caracas e em outros estados do país, provocou forte comoção regional, ampla condenação internacional e agravou uma crise diplomática de grandes proporções na América Latina. As informações foram publicadas pelo The New York Times.

Um alto funcionário do governo venezuelano afirmou que o número de mortos inclui integrantes das Forças Armadas e civis atingidos durante os ataques. O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, confirmou que uma “grande parte” da equipe de segurança de Maduro foi morta durante a operação, embora não tenha divulgado números oficiais detalhados. Segundo ele, a ação militar teve impacto direto sobre estruturas estratégicas e áreas próximas a centros urbanos.

Autoridades venezuelanas acusam os Estados Unidos de terem atingido zonas civis durante a ofensiva, que teve como alvo principal a captura do presidente. Até o momento, Caracas não apresentou um balanço oficial completo das vítimas, mas confirmou a existência de mortos e feridos em diferentes regiões afetadas pelos bombardeios, incluindo a capital.

Cubanos mortos e luto oficial em Havana

O governo de Cuba informou que 32 cidadãos cubanos morreram durante a ofensiva, entre eles militares que atuavam na Venezuela em missões de cooperação. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, decretou luto oficial nos dias 5 e 6 de janeiro e afirmou que os mortos “cumpriram seu dever com dignidade e heroísmo”.

Em declaração pública, Díaz-Canel disse que os cubanos tombaram “após feroz resistência, em combate direto contra os agressores ou como resultado dos bombardeios”. O chanceler venezuelano, Yvan Gil Pinto, prestou homenagem aos cubanos mortos e classificou a ação dos Estados Unidos como um ataque “criminoso e infame” contra a soberania da Venezuela.

Versão dos Estados Unidos e feridos entre militares

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que nenhum militar norte-americano morreu na operação, embora tenha admitido que alguns soldados podem ter ficado feridos. Segundo dois funcionários dos EUA ouvidos pelo New York Times, cerca de meia dúzia de militares americanos sofreram ferimentos durante a ação que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Relatos da imprensa internacional indicam que os bombardeios atingiram instalações militares estratégicas, infraestruturas de comunicação e depósitos logísticos. Autoridades norte-americanas afirmaram que os ataques aéreos serviram como cobertura para a operação de captura do presidente venezuelano, que foi levado aos Estados Unidos para responder a acusações de narcotráfico e crimes relacionados a armas.

Captura de Maduro e acusações criminais

No domingo, Washington anunciou que Maduro e Cilia Flores foram formalmente denunciados no Distrito Sul de Nova York por acusações como conspiração de narcoterrorismo, importação de cocaína e crimes envolvendo armas de guerra. O presidente venezuelano nega todas as acusações e sustenta que elas são utilizadas como pretexto por Washington para promover uma mudança de regime no país.

Após a captura de Maduro, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina e fez um apelo público por diálogo. Em mensagem divulgada no Telegram, ela afirmou: “Presidente Donald Trump, nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”. Rodríguez também defendeu uma relação “equilibrada e respeitosa” com os Estados Unidos e propôs uma agenda de cooperação voltada ao desenvolvimento compartilhado.

Anteriormente, Delcy Rodríguez havia exigido a libertação imediata de Maduro e declarado que a Venezuela “nunca voltará a ser colônia de outro império”. Em resposta, Trump advertiu que ela “pagaria um preço maior” caso não agisse conforme o que chamou de “fazer a coisa certa”.

Reações regionais e risco de escalada

A ofensiva reacendeu décadas de tensões entre Estados Unidos e Venezuela, marcadas por sanções unilaterais, confrontos políticos e disputas diplomáticas. Washington vinha se recusando a reconhecer Maduro como presidente legítimo e intensificou o discurso agressivo após a operação.

Trump chegou a ameaçar a Colômbia com uma ação militar semelhante, chamando o presidente Gustavo Petro de “líder das drogas”. Questionado se apoiaria uma operação militar, respondeu: “Isso me parece bom”. Petro reagiu publicamente, pedindo que Trump “pare de difamar” e conclamando os países latino-americanos à união, alertando que a região corre o risco de ser tratada como “serva e escrava”.

Condenação internacional e precedente perigoso

A ação dos Estados Unidos foi condenada por países do Sul Global. A China classificou a captura de Maduro como uma violação grave do direito internacional. Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha divulgaram uma declaração conjunta alertando que a operação estabeleceu “um precedente extremamente perigoso” para a segurança regional.

Trump justificou a ofensiva evocando a Doutrina Monroe, do século XIX, ao afirmar que a América Latina estaria sob a esfera de influência de Washington. Disse ainda que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela e advertiu que novos ataques poderiam ocorrer caso Caracas “não se comporte”, ampliando o clima de instabilidade geopolítica no continente.

Com dezenas de mortos confirmados, líderes capturados e ameaças de novas ações militares, a ofensiva marca um dos episódios mais graves da história recente da região e coloca em xeque os limites do direito internacional, da soberania nacional e da segurança coletiva na América Latina.

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