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Sem força e desmoralizada, ONU manifesta ‘preocupação’ com invasão dos EUA a Venezuela

O Conselho de Segurança da ONU expressou nesta segunda-feira (5) profunda preocupação com a ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos contra a Venezuela, durante reunião de emergência convocada após a operação realizada em 3 de janeiro. As informações foram divulgadas pela emissora teleSUR. A manifestação foi apresentada pela secretária-geral adjunta das Nações Unidas para Assuntos […]

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O erro de Washington ao achar que a prisão mudaria a Venezuela
A queda do líder não derruba a engrenagem do poder venezuelano / Reprodução

O Conselho de Segurança da ONU expressou nesta segunda-feira (5) profunda preocupação com a ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos contra a Venezuela, durante reunião de emergência convocada após a operação realizada em 3 de janeiro. As informações foram divulgadas pela emissora teleSUR.

A manifestação foi apresentada pela secretária-geral adjunta das Nações Unidas para Assuntos Políticos, Rosemary A. DiCarlo, que falou em nome do secretário-geral da ONU, António Guterres. Segundo ela, o organismo multilateral acompanha com atenção os desdobramentos da ação militar e considera o cenário motivo de “grave preocupação”, especialmente diante das incertezas sobre seus impactos humanitários e políticos.

ONU aponta gravidade da situação e alerta para consequências humanitárias

Durante a sessão, DiCarlo informou que o secretário-geral recebeu relatos sobre operações militares realizadas em diferentes regiões da Venezuela, incluindo Caracas, Miranda, Aragua e La Guaira. De acordo com a avaliação apresentada ao Conselho, as informações disponíveis indicam um quadro alarmante, sobretudo porque ainda não há clareza sobre o alcance total das consequências humanitárias decorrentes da ofensiva.

Guterres destacou que a situação é considerada grave e requer atenção imediata da comunidade internacional. Para a ONU, a ausência de dados consolidados sobre vítimas civis, deslocamentos populacionais e danos à infraestrutura aumenta o grau de preocupação e reforça a necessidade de monitoramento contínuo.

Carta das Nações Unidas e uso da força

Em sua intervenção, DiCarlo reiterou um dos princípios centrais do sistema multilateral: a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado. Segundo a secretária-geral adjunta, esse princípio está expressamente previsto na Carta das Nações Unidas e constitui um dos pilares da ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial.

De acordo com a posição transmitida por Guterres, a operação militar executada pelos Estados Unidos não respeitou esse fundamento do direito internacional. O secretário-geral alertou que violações dessa natureza enfraquecem o sistema multilateral e colocam em risco a estabilidade global, ao abrir espaço para ações unilaterais fora dos marcos legais internacionalmente reconhecidos.

Precedente internacional e risco de escalada

Outro ponto enfatizado na reunião foi o risco de criação de um precedente perigoso nas relações internacionais. Segundo a ONU, a normalização do uso da força em território de Estados soberanos, sem respaldo legal internacional, pode incentivar comportamentos semelhantes em outras regiões do mundo.

Guterres, por meio de DiCarlo, advertiu que esse tipo de prática tende a agravar tensões geopolíticas e a reduzir a confiança entre os Estados, dificultando soluções negociadas para conflitos existentes ou futuros. A ONU avalia que a previsibilidade e o respeito às normas internacionais são elementos essenciais para a manutenção da paz e da segurança globais.

Impactos regionais na América Latina

A intervenção também destacou os possíveis efeitos da ofensiva sobre a estabilidade regional. Segundo o secretário-geral, a América Latina tem um histórico marcado por episódios de intervenção externa que, em diferentes momentos, resultaram em ciclos prolongados de instabilidade política, conflitos internos e crises humanitárias.

Nesse contexto, a ONU fez um apelo para que todas as partes envolvidas evitem uma escalada do confronto e priorizem mecanismos diplomáticos. Guterres reiterou que a organização permanece disponível para facilitar o diálogo entre os atores envolvidos e para apoiar iniciativas que conduzam a soluções pacíficas, em consonância com o direito internacional.

Reação do governo venezuelano

Após a reunião do Conselho de Segurança, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, manifestou-se por meio de uma publicação oficial na plataforma Telegram. Na mensagem, o chanceler afirmou que o debate no Conselho representou uma vitória diplomática para o país.

Segundo Gil, a comunidade internacional teria reconhecido que a operação realizada em 3 de janeiro configurou um ato contrário ao direito internacional, à Carta das Nações Unidas, ao direito humanitário e aos direitos humanos. O ministro também afirmou que, na avaliação do governo venezuelano, a ação representou uma agressão direta contra a imunidade de um chefe de Estado em exercício.

Em sua declaração, o chanceler sustentou que não houve espaço para interpretações divergentes ou aplicação de padrões distintos no debate do Conselho. De acordo com ele, o posicionamento apresentado reforça a legitimidade da Venezuela em defender sua soberania e em buscar respaldo jurídico e político no sistema internacional.

Defesa da soberania e apelo à paz

O governo venezuelano reiterou que continuará defendendo sua soberania e afirmou que seguirá atuando para garantir a paz em seu território. A manifestação oficial também fez referência ao legado histórico do país e à importância da autodeterminação nacional como princípio orientador de sua política externa.

A reunião do Conselho de Segurança não resultou, até o momento, em uma resolução formal, mas evidenciou a preocupação de diferentes membros da ONU com os desdobramentos da ofensiva militar e com seus efeitos sobre a ordem internacional. O tema deve permanecer na agenda diplomática nas próximas semanas, à medida que novas informações sobre a situação na Venezuela forem sendo apresentadas à comunidade internacional.

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