O presidente da China, Xi Jinping, criticou práticas unilaterais no sistema internacional ao se manifestar publicamente após a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. A declaração foi feita durante um encontro com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, e ocorre em meio à escalada de reações diplomáticas provocadas pelo ataque anunciado por Washington no sábado (3). As informações foram divulgadas pela teleSUR.
Durante a reunião, Xi Jinping afirmou que o mundo atravessa um período de instabilidade profunda e alertou para os riscos do uso da força fora dos marcos legais internacionais. Segundo o líder chinês, o atual cenário global é marcado por transformações e tensões que desafiam a ordem construída após a Segunda Guerra Mundial, exigindo responsabilidade redobrada das grandes potências.
“O mundo hoje vive mudanças e turbulências nunca vistas em um século, com atos unilaterais de hegemonia que minam seriamente a ordem internacional”, afirmou Xi, de acordo com a teleSUR. Ele acrescentou que todos os países devem respeitar os caminhos de desenvolvimento escolhidos de forma independente por seus povos, além de cumprir o direito internacional e os princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas.
Defesa da soberania e da legalidade internacional
As declarações de Xi Jinping reforçam a posição oficial do governo chinês diante da crise envolvendo a Venezuela. Pequim tem classificado a ação militar dos Estados Unidos como violação grave da soberania de um Estado independente e como afronta direta às normas que regem as relações internacionais.
Para o governo chinês, a intervenção representa um precedente perigoso, capaz de fragilizar mecanismos multilaterais e ampliar a instabilidade regional e global. A chancelaria chinesa já havia condenado publicamente o ataque, descrevendo-o como um “uso flagrante da força” e como ameaça à paz e à segurança da América Latina e do Caribe.
Pedido de libertação de Nicolás Maduro
Paralelamente às declarações de Xi Jinping, a China exigiu a libertação imediata do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, que, segundo o governo chinês, foram sequestrados durante a operação conduzida por forças norte-americanas. Pequim sustenta que a captura do chefe de Estado venezuelano não possui respaldo no direito internacional e agrava a crise diplomática.
O posicionamento chinês também foi reiterado pelo ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, que afirmou que nenhum país tem o direito de se colocar como “policial” ou “juiz” do mundo. Para Wang Yi, a soberania nacional deve ser protegida de forma plena e incondicional, e disputas internacionais devem ser resolvidas por meios políticos e diplomáticos.
Críticas à hegemonia e apelo ao multilateralismo
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, reforçou essa linha ao declarar que ações de pressão hegemônica atentam contra a soberania venezuelana e colocam em risco uma região que, segundo a diplomacia chinesa, deve ser preservada como zona de paz. Ele afirmou que o uso da força por Washington ameaça diretamente a estabilidade da América Latina e do Caribe.
Lin Jian confirmou ainda o apoio da China à convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, atendendo a pedidos de Caracas e de países aliados. O objetivo, segundo Pequim, é discutir o episódio em âmbito multilateral e buscar uma resposta baseada no direito internacional.
Cooperação com a Venezuela será mantida
Apesar da escalada das tensões, o governo chinês afirmou que a cooperação energética e estratégica com a Venezuela seguirá inalterada. De acordo com Lin Jian, essa parceria está amparada pelo direito internacional e fundamentada nos princípios da não ingerência e do benefício mútuo.
A China mantém acordos relevantes com a Venezuela nas áreas de energia, infraestrutura e financiamento, e avalia que essas relações não devem ser afetadas por ações militares unilaterais de terceiros países. Pequim reiterou que continuará atuando como parceiro da região e defensor do multilateralismo, em oposição ao que classifica como práticas de força e intimidação.
Repercussão internacional e cenário em aberto
As declarações de Xi Jinping ampliam o coro de críticas internacionais à ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela. Além da China, países como Rússia e Brasil também condenaram a ação, apontando violações ao direito internacional e riscos à estabilidade global.
Enquanto Washington sustenta que a operação teve como objetivo combater o narcotráfico e restaurar a democracia, governos críticos avaliam que o episódio representa uma ruptura grave das normas internacionais. A ausência, até o momento, de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre o tema mantém o cenário de incerteza.
Com a crise em curso, a expectativa é de que novas manifestações ocorram nos próximos dias, tanto no âmbito diplomático quanto em organismos multilaterais. A posição chinesa, expressa diretamente por Xi Jinping, reforça a divisão no sistema internacional e evidencia a centralidade do debate sobre soberania, legalidade e uso da força no atual contexto geopolítico.


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