O apoio ao ataque varia drasticamente entre partidos, enquanto cresce o temor de uma ocupação prolongada e de novos conflitos na América Latina
A recente operação militar ordenada pela Casa Branca contra a Venezuela terminou com a captura de Nicolás Maduro. No entanto, esse sucesso tático não se converteu em uma vitória política dentro dos Estados Unidos. Uma pesquisa detalhada da Reuters/Ipsos revela um profundo ceticismo público. Apenas um terço dos americanos aprova a ação. Este dado vai além de uma simples estatística. Ele expõe, na verdade, a rejeição popular a um retorno da política externa baseada na força bruta. A sociedade mostra cansaço com aventuras militares que custam vidas e recursos preciosos.
A polarização política define claramente as posições sobre a guerra. Consequentemente, o apoio à incursão fragmenta-se drasticamente entre democratas e republicanos. Entre os partidários do presidente, a aprovação atinge 65%. Entretanto, o cenário muda completamente no campo progressista. Apenas 11% dos democratas apoiam a ação militar.
Além disso, os eleitores independentes, cruciais em qualquer eleição, mostram-se igualmente cautelosos. Apenas 23% deles concordam com o ataque. Essa disparidade demonstra uma divisão nacional. A narrativa oficial de “justiça” não convence quem prioriza a diplomacia e a soberania das nações.
A memória nacional ainda carrega o peso de guerras longas e custosas. Por isso, 72% dos entrevistados expressam um medo claro. Eles temem um envolvimento profundo e prolongado na Venezuela. Esse receio, importante notar, une pessoas de diferentes filiações partidárias. Trabalhadores e suas famílias não desejam ver trilhões de dólares serem investidos em ocupação estrangeira. Enquanto isso, o país enfrenta crises internas sérias. A infraestrutura pública e o sistema de saúde, por exemplo, carecem de investimentos maciços. A operação em Caracas, portanto, evoca fantasmas de intervenções históricas na América Latina que deixaram apenas instabilidade.
Um ponto sensível da estratégia governamental gira em torno dos recursos naturais venezuelanos. O presidente declarou a necessidade de “acesso total” aos campos de petróleo do país. No entanto, a opinião pública não endossa essa ambição por meios militares. Apenas 30% dos cidadãos apoiam o envio de tropas terrestres com esse objetivo.
Por outro lado, a base republicana mostra-se mais favorável. Cinquenta e nove por cento dela defende que os EUA assumam o controle da produção petrolífera. Este viés gera críticas contundentes. Muitos setores veem a ação, assim, como uma tentativa de pilhagem econômica disfarçada de missão humanitária.
Preocupações atravessam as linhas aliadas
Mesmo entre os apoiadores do governo, existem apreensões genuínas. Por exemplo, 64% dos republicanos temem pelos soldados destacados para a região. Eles reconhecem o risco real para as vidas desses militares. Além disso, 54% dos partidários do governo demonstram preocupação com os custos financeiros. Uma ocupação prolongada, certamente, drenaria bilhões do orçamento federal. A administração tenta acalmar esses receios. Ela sugere uma administração via pressão política, sem ocupação permanente. No entanto, a retórica beligerante permanece. Ameaças de um “segundo ataque” mantêm o país em alerta sobre os próximos passos no Hemisfério Ocidental.
A pesquisa Reuters/Ipsos ouviu 1.248 adultos e possui uma margem de erro de três pontos. Seus números são sólidos. Eles confirmam uma ampla rejeição ao conflito direto. Curiosamente, o índice geral de aprovação do presidente subiu para 42%. A ação militar, portanto, pode ter mobilizado sua base num primeiro momento. No longo prazo, porém, a realidade pode ser diferente.
A maioria dos americanos prioriza a paz e a segurança interna. Eles preferem a solução de conflitos por vias multilaterais. O governo agora enfrenta uma escolha crucial. Ele pode ignorar o clamor popular por cautela e soberania. Alternativamente, pode respeitar a vontade de seu povo e buscar um caminho diplomático que evite mais sofrimento humano e econômico, tanto para os venezuelanos quanto para os próprios americanos.


Jhonny
06/01/2026 - 18h24
Rejeiçào a algo que ja aconteceu…?!?! kkkkkk
Nem o portugues basico…