EUA na ONU: não permitiremos que adversários controlem reservas de petróleo

AFP/Getty Images

Antes do sequestro de Maduro, Trump havia ameaçado que os EUA queriam “recuperar” os ativos energéticos nacionalizados por Caracas

Em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU no dia 5 de janeiro, o embaixador dos Estados Unidos, Mike Waltz, fez uma declaração contundente sobre os objetivos de Washington após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro. “Não vamos permitir que o Hemisfério Ocidental seja usado como base de operações para os adversários de nossa nação”, afirmou Waltz.

A declaração de Waltz foi uma resposta direta às preocupações internacionais levantadas após a operação militar liderada pelos EUA em 3 de janeiro, que resultou no sequestro de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. O ataque, que incluiu bombardeios aéreos, resultou em pelo menos 40 mortes, incluindo civis.

O embaixador argumentou que a ação era necessária por razões de segurança nacional e controle de recursos estratégicos. “Não se pode continuar a ter as maiores reservas de energia do mundo sob o controle de adversários dos EUA, sob o controle de líderes ilegítimos, sem que isso beneficie o povo da Venezuela”, acrescentou Waltz.

Ele procurou distinguir a ação contra o governo da guerra contra o povo venezuelano: “Não há guerra contra a Venezuela ou seu povo. Não estamos ocupando um país”.

O interesse declarado no petróleo

A declaração de Waltz ecoou e ampliou as afirmações feitas pelo próprio presidente Donald Trump logo após a captura de Maduro. Em 3 de janeiro, Trump foi explícito ao descrever o interesse econômico dos EUA: “Vamos extrair uma quantidade enorme de riquezas do solo”, disse a repórteres.

Trump detalhou o plano: empresas petrolíferas americanas “gigantescas” entrariam no país para “consertar a infraestrutura em péssimo estado” e começariam a gerar lucro. Ele afirmou que essa riqueza beneficiaria tanto o povo venezuelano quanto os Estados Unidos, que seriam “reembolsados por tudo o que gastarmos” pelos danos que, segundo sua visão, a Venezuela causou aos EUA.

Este não é um interesse novo. Trump vinha ameaçando há semanas que os EUA “querem o país de volta”, referindo-se explicitamente ao petróleo. Em 2023, ele já havia dito que, se estivesse no poder, teriam “tomado o controle” e “ficado com todo aquele petróleo”. Em 2019, Trump admitiu abertamente que as forças americanas estavam na Síria “para tomar o petróleo”, estabelecendo um precedente para sua política de recursos.

A resposta de Maduro

Em contraste, Nicolás Maduro, ao se declarar inocente perante um tribunal dos EUA na segunda-feira, afirmou: “Sou inocente. Não sou culpado… Sou um presidente eleito. Sou um prisioneiro de guerra”. Ele foi acusado de “narcoterrorismo” e de facilitar o fluxo de fentanil para os EUA – acusações que foram previamente refutadas pela própria Agência de Combate às Drogas (DEA) dos EUA.

O conflito tem raízes profundas na história da indústria petrolífera venezuelana. Em 1976, o governo nacionalizou o setor, assumindo o controle de ativos de empresas estrangeiras, incluindo a americana ExxonMobil. Em 2007, sob o comando do ex-presidente Hugo Chávez, foi completada a estatização com o confisco da última infraestrutura petrolífera administrada por empresas privadas.

A declaração do embaixador Waltz na ONU, portanto, formaliza perante a comunidade internacional uma postura que mescla preocupações com a segurança do hemisfério, contestação da legitimidade do governo de Maduro e um interesse econômico estratégico declarado. O episódio coloca uma questão central sobre a ordem internacional: até que ponto os recursos naturais de um país soberano podem se tornar um casus belli para outras potências. A resposta da comunidade global a essa pergunta continuará a se desdobrar nas próximas semanas.

Com informações do The Cradle em 06/01/2026

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