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Europa sai em defesa da Dinamarca: novas ameaças de Trump à Groenlândia

Os líderes da França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca divulgam uma declaração conjunta sobre a Groenlândia, afirmando que o território ártico pertence à Dinamarca. Em uma demonstração de união, a Comissão Europeia e os líderes das principais potências do continente manifestaram firme apoio à soberania da Dinamarca. O movimento é uma resposta […]

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Mads Claus Rasmussen/ Ritzau Scanpix/picture alliance

Os líderes da França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca divulgam uma declaração conjunta sobre a Groenlândia, afirmando que o território ártico pertence à Dinamarca.

Em uma demonstração de união, a Comissão Europeia e os líderes das principais potências do continente manifestaram firme apoio à soberania da Dinamarca. O movimento é uma resposta direta às reiteradas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que expressou novamente interesse em anexar a Groenlândia, território autônomo dinamarquês.

“Cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia.”

A declaração não se refere diretamente aos EUA, mas enfatiza a importância de aderir ao direito internacional e aos princípios da Carta da ONU de respeito ao território e às fronteiras soberanas.

A Comissão Europeia declarou que a Groenlândia “não é um pedaço de terra à venda”, afirmando seu compromisso com a soberania nacional e a inviolabilidade das fronteiras. Líderes do Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Suécia e Noruega ecoaram a posição, enfatizando que o futuro da ilha deve ser decidido exclusivamente por seus habitantes e pelo Reino da Dinamarca.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, lembrou que, como parte de um país membro da OTAN, a Groenlândia estaria sob a proteção do artigo de defesa mútua da aliança. Já o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, conectou a questão a um princípio maior: “da Ucrânia a Gaza, passando pela Venezuela, o respeito à soberania é inegociável”.

A voz de Copenhague e Nuuk

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou levar as intenções de Trump “a sério” e pediu o fim das ameaças. Porém, tanto ela quanto o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, afastaram qualquer cenário de pânico.

“A situação não é tal que os Estados Unidos possam conquistar a Groenlândia. Por isso, não devemos entrar em pânico”, afirmou Nielsen, destacando que o país é uma democracia consolidada. Ele, no entanto, criticou gestos que desrespeitam o estatuto da ilha e disse que o governo adotará uma postura mais firme.

Por que a Groenlândia interessa a Trump?

O interesse americano não é novo. No domingo, após a operação militar na Venezuela, Trump voltou ao tema, sugerindo que trataria do assunto em “20 dias”. Sua justificativa é de segurança nacional: ele afirmou que a Groenlândia está “cercada por navios da Rússia e da China” e que a Dinamarca não teria capacidade de garantir sua defesa. Além disso, existe o interesse nas riquezas naturais do território.

Os EUA já mantêm a base aérea de Thule, no extremo norte da ilha, um ativo estratégico desde a Guerra Fria. A nomeação recente de um enviado especial dos EUA para a Groenlândia, visto como uma manobra política, já havia causado mal-estar e um protesto formal de Copenhague.

A vontade do povo groenlandês

Por fim, qualquer discussão esbarra na vontade democrática local. Uma pesquisa de janeiro de 2025 mostrou que 85% da população da Groenlândia se opõe à anexação pelos Estados Unidos, com apenas 6% a favor. Com 57 mil habitantes em um território imenso, a ilha depende economicamente da pesca e de um substancial apoio financeiro anual da Dinamarca.

O episódio, portanto, vai além de uma disputa territorial pontual. Ele coloca em choque visões fundamentais da ordem internacional: de um lado, uma postura baseada em princípios de soberania e direito; de outro, uma realpolitik que vê o mapa geopolítico como maleável aos interesses do poder de turno. A Europa, por ora, escolheu seu lado.

Com informações do DW e The Guardian em 06/01/2026

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