Gleen Greenwald detona invasão dos EUA a Venezuela e expõe planos de Trump

O jornalista Glenn Greenwald publicou um artigo no jornal Folha de S.Paulo em que critica duramente a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e questiona a narrativa oficial de que a ação teria como objetivo “libertar” o povo venezuelano. Segundo Greenwald, a operação que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro deve ser interpretada, sobretudo, como uma estratégia de mudança de regime orientada por interesses econômicos, em especial o controle das reservas de petróleo do país.

No texto, o jornalista sustenta que a justificativa humanitária apresentada por autoridades norte-americanas e reproduzida por parte da mídia ocidental não se sustenta à luz do histórico recente da política externa dos Estados Unidos. Greenwald afirma que, ao longo das últimas décadas, Washington protagonizou mais conflitos armados do que qualquer outro país, recorrendo com frequência a uma engrenagem de comunicação destinada a legitimar intervenções militares perante a opinião pública internacional.

Crítica à narrativa de “libertação”

Para Greenwald, a ideia de que os Estados Unidos estariam atuando por razões altruístas na Venezuela é inconsistente. Ele argumenta que operações militares desse tipo raramente têm como foco central a promoção de democracia ou de direitos humanos, mas sim a submissão política de governos considerados hostis e a apropriação de recursos estratégicos.

No caso venezuelano, o jornalista aponta que a centralidade do petróleo torna a motivação econômica ainda mais evidente. A Venezuela concentra as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, o que, segundo Greenwald, ajuda a explicar o interesse histórico de Washington em influenciar ou controlar o destino político do país.

Declarações de Trump reforçam leitura econômica

O artigo destaca declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, de acordo com Greenwald, teriam sido incomumente explícitas quanto ao interesse econômico por trás da ofensiva. Em vez de enfatizar democracia ou liberdades civis, Trump teria ressaltado a disposição de grandes empresas petrolíferas norte-americanas em investir na Venezuela e assumir papel central na exploração de suas riquezas naturais.

Para o jornalista, esse tipo de afirmação enfraquece a retórica de libertação e evidencia que o objetivo central da operação seria garantir que o petróleo venezuelano passe a atender prioritariamente a interesses corporativos e estratégicos dos Estados Unidos.

Relação com a oposição venezuelana

Greenwald também questiona a ideia de que Washington estaria empenhado em fortalecer lideranças da oposição venezuelana. No artigo, ele afirma que Trump não demonstra interesse consistente em promover figuras opositoras reconhecidas internacionalmente, nem em estabelecer compromissos claros com um processo democrático no país.

Segundo o jornalista, a exigência central feita pelo governo norte-americano à atual liderança venezuelana não estaria relacionada à ampliação de direitos políticos ou liberdades públicas, mas à garantia de acesso irrestrito a recursos naturais e à infraestrutura estratégica do país.

Política externa dos EUA e regimes autoritários

O texto amplia a análise ao situar o episódio venezuelano em um padrão mais amplo da política externa dos Estados Unidos. Greenwald argumenta que Washington, historicamente, não apenas convive com regimes autoritários aliados, como também contribuiu para sua consolidação em diferentes regiões do mundo.

De acordo com o jornalista, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos teriam apoiado ou tolerado governos autocráticos sempre que estes se mostraram alinhados aos interesses estratégicos norte-americanos. Nesse contexto, a democracia não seria um requisito central, mas sim a disposição de líderes estrangeiros em aceitar a influência e as diretrizes de Washington.

Comparações com intervenções passadas

Greenwald compara a postura atual de Trump com a de administrações anteriores, como a de Barack Obama, que, segundo ele, costumavam revestir intervenções militares de uma retórica moral e humanitária mais elaborada. O jornalista cita exemplos como a Líbia e a Síria, onde operações de mudança de regime teriam resultado em instabilidade prolongada, violência e crises humanitárias, contrariando as promessas iniciais de democratização.

Para ele, esses precedentes reforçam o argumento de que campanhas militares conduzidas sob o discurso de libertação raramente produzem os resultados anunciados e, em muitos casos, agravam conflitos internos e regionais.

Propaganda, opinião pública e guerra

Na parte final do artigo, Greenwald analisa o papel da propaganda e da comunicação política na aceitação social de intervenções armadas. Ele afirma que parte da imprensa e do público tende a aderir a narrativas que apresentam ações militares como moralmente necessárias, impulsionadas pelo desejo de soluções rápidas e de histórias com desfechos claros entre “vilões” e “libertadores”.

Segundo o jornalista, esse apelo emocional facilita a legitimação de guerras e operações de mudança de regime, mesmo diante de evidências históricas de que tais ações não resultam em liberdade ou estabilidade duradoura para as populações afetadas.

Ao concluir, Greenwald sustenta que a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela deve ser analisada com ceticismo e à luz de interesses concretos, sobretudo econômicos. Para ele, enquanto a retórica oficial enfatiza democracia e libertação, a prática revela uma política externa orientada por poder, recursos estratégicos e influência geopolítica.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.